A Colheita

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A Colheita

Mensagem por Emily Lisbeth Stoker em Qua Fev 27, 2013 10:57 pm

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Colheita
____________________________________________________________________________________________________

- Certifique-se de que leu TODAS as regras de postagem na Colheita.
- Certifique-se de que sua inscrição esteja correta.
- Verifique erros ortográficos e detalhes importantes.
- Revise sua postagem.

A postagem na colheita deve ser feita com base em;

x São os primeiros Jogos desde a Paralisia por 4 anos, então, toda a população está mal com isso, desolada.
x Seu personagem deve se encontrar no SEU DISTRITO.
x Sua postagem deve conter; saída, chegada na Colheita, a coleta de sangue para identificação e o começo do sorteio.
x A postagem deve PARAR no momento em que o representante da Capital (NPC - livre) abre o papel.
x Serão DESCONSIDERADAS postagens que possuam a descrição e sorteio dos dois tributos, masculino e feminino.
x Caso alguma postagem fuja dos padrões, regras ou afins, será também desconsiderada;

Postagens válidas até 08/03 às 23:59 (Horário de Brasília)

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Re: A Colheita

Mensagem por Naomi Lefevre Bell em Qui Fev 28, 2013 2:04 pm

The bitch is back!
Se não pode contra ele, junte-se a ele
Visto que a maior diversão do distrito dois eram o treinamento para os jogos, com o sequestro de emily não tivemos muito trabalho pelo distrito. Muito pelo contrário, a academia andava uma monotonia só, esperançosos com a volta dela, ela enfim chegou. Os moradores de meu distrito sempre costumaram ser muito apreensivo com essa coisa toda de jogos vorazes, e ansiosos, muito ansiosos. Me pergunto como isso adiantaria de alguma coisa, quando poderiam treinar que nem retardados para matar de modo decente, não que eu fosse uma deusa da luta, é claro, mas com as facas eu não passava muito longe. Sempre fora muito habilidosa e delicada, minhas mãos pequenas e ágeis nunca serviram somente para modelar aqueles bonequinhos de massinha que nos davam na escola a tipo, cinco anos atrás. Visto que entrei na academia desde que era bem nova, as mesmas facilmente se tornaram uma espécie de arma para mim, acho que isso é bom, não? Acordei no dia da colheita pouco animada lembrando-me da ultima colheita que presenciei, eu tinha apenas onze anos, portanto apenas observada os meninos e meninas se aglomerando na praça principal, ansiosos pelos futuros tributos.

Essa seria minha primeira colheita, com quinze anos, alguma coisa estava muito errada ali para falar a verdade, meu mal humor nem mesmo me deixava ter aquele nervosismo básico de início de colheita. - Ohn, cale a boca Meredith! - Murmurei para a menininha hiperativa que saltitava em volta de minha cama, maninha mais nova. Ela acabara de pular sobre mim e puxar meus cabelos para cima, quase que me obrigando a me levantar para tira-la de lá, mas ela não conseguiria tão fácil, sempre tive uma paciência imensa. Com onze anos de idade, a garotinha conseguia ser uma capetinha em pessoal, tão infantil quanto eu fora aos meus seis anos de idade, sim, enquanto eu amadureci muito rápido, Meredith parecia ter problemas com sua idade mental, mas nada que prejudicasse nossa convivência do dia a dia.

Vencida pela irmãzinha mais nova, joguei o corpo pequeno - mas nada frágil - da pequenininha para o lado, derrubando-a em cima do piso frio do quarto compartilhado, e joguei os cobertores para o lado. Supus que não passara das dez da manhã, a colheita seria por volta do meio dia, ou algo próximo a isso, na televisão da sala de estar já se anunciava os preparativos para o evento, com uma apresentadora ridiculamente muito animada com aquilo tudo. Não me espantava, o pessoal da capital simplesmente adorava essa porra toda, mas não podia falar nada, também era um pouco divertido para mim presenciar tantas mortes ao vivo, principalmente com os comentários sádicos dos apresentadores principais da capital. Em geral, era uma diversão para quase todo mundo.

O café da manhã caiu perfeitamente em mim, não fez meu estômago revirar nem nada, como quando aconteceu quando eu tinha por volta de oito anos e minha irmã mais velha fora escolhida para os jogos. E agora? Ela estava morta. Admito que meu coração apertou um pouco, mas acho que parte de sua derrota deveria ter sido pelas pragas imaginárias que joguei, eu realmente não suportaria que ela fosse a mais nova preferida do papai, mas é a vida né? Ela nem era tão boa assim, eu sempre fui bem melhor, e disso nem mesmo ela poderia negar. Agora como mais velha, era meu dever garantir que a peste morena - vulgo meredith - não fosse para os jogos. Olhando para o relógio próximo a mim, percebi que já se passara meia hora, eu tinha que me arrumar logo. As mesmas roupas de sempre, o vestidinho ridiculamente foto que me enfiavam e as sapatilhas de menininha moça, que eu particularmente achava ridículo, mas o que não fazemos para agradar a mamãe, ein?

Meredith estava tão bela quanto sempre fora, seus cabelos negros caíam perfeitamente por cima de seus ombros, enquanto os meus estavam presos em dois rabos de cavalo baixos, pouco abaixo da altura da nuca. Ela tinha uma beleza perfeitamente angelical, enquanto meus traços já me deixavam um pouco mais ameaçadora, acontece que a lindeza aqui puxou o papai né, então... Agarrei a mão de Meredith e adiantei-me para fora de casa, enquanto nossa mãe prometia estar lá logo logo. Meredith parecia animada, mas um pouco aflita por não participar da colheita. Coitada, só iria para os jogos sob o meu cadáver. Apressei-me para a filha das meninas e deixei que a pacificadora recolhesse minha amostra de sangue, Maredith já corria para os braços de nossa mãe, animada com a situação. Por que né, o negócio aqui no distrito dois é assim, nossa família nos entrega para a morte com um belo sorriso no rosto, mas o que me impressionava era minha mãe, que mesmo após a morte da garota mais velha, permanecia tentando manter aquele maldito orgulho.

Me adiantei para a fila das meninas de quinze anos de idade, agarrando pela cintura uma garota loirinha e baixinha, que sempre atendera pelo nome de Ella, apesar de seu nome de registro ser Elleanor. Ela também sempre abandonara todas as formalidades comigo, me chamando de Nani, ou Nomi. Quando eramos pequenas, bem pequenas, sempre tivemos dificuldades para pronunciar o nome uma da outra, então desde então optamos por apelidos fofos e de fácil pronuncio, o que virou mais um habito do que outra coisa. Ela retribuiu meu abraço apertando minhas mãos contra sua barriga, mesmo sem ver seu rosto pude perceber que havia algo de estranho em seu humor. Nervosismo? Por que alguém que treina na academia a tanto tempo quanto eu ficaria nervosa? Não posso julga-la, não é culpa dela se sou uma problemática louca que nem mesmo se importa de ir morrer. Por isso apertei-a mais um pouco contra mim e beijei sua bochecha.

A voz da representante do distrito ecoou pela praça central. Como me lembrava, era incrivelmente doce e irritante, tanto que me provocou dor de cabeça. O tão conhecido filme sobre os dias escuros foi exibido nos grandes telões que rodeavam a praça, o que não durou nem mesmo cinco minutos, e após a chatice anual, fomos obrigados a ouvir algum tipo de discurso improvisado da mulher sobre a volta de Emily, as pessoas a minha volta pareciam bem mais animadas que eu. Sua voz novamente me chamou atenção. "Primeiro as damas" ela disse, e então suas mãos encontraram um dos pedacinhos de papel, ela deixou suas mãos tocarem grande maioria dos papeizinhos presentes ali, até pegar um deles, o ergueu no ar, e então o abriu.
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Re: A Colheita

Mensagem por Mystique S. Woodwel em Qui Fev 28, 2013 2:44 pm

Minha visão demora para se acostumar com a claridade que invade meus olhos, não é lá uma sensação tão agradável, mas preciso suportar. Meus olhos abrem, a visão embaçada permanece por alguns segundos, mas logo estou vendo o teto de madeira de minha casa. Levanto o pescoço em busca da sombra de minha mãe, mas sou obrigada a forçar minha mente para lembrar que nem ela nem minha irmã mais nova estão aqui. A Capital conseguiu tirar elas de mim, a Capital consegue qualquer coisa... Quem um dia vai ter poderes contra tudo isso? Para mim, é impossível. Viro o corpo para a esquerda e levanto de meu colchão, muitos chamam de cama, mas um colchão esticado por cima de uma fina camada de madeira, é uma cama? Para mim não. Como não uso travesseiro, estou absolutamente acostumada em dormir com dor e acordar com mais dor ainda. Fico de pé, no instante que vejo um vestido em minha porta.

Preciso de alguns segundos para lembrar que dia é hoje, o glorioso dia. Afinal, ela voltou. E todas as suas intolerâncias, injustiças e erros também. E com tudo isso, os Jogos estão de volta. Então, tudo isso junta em minha mente e por fim sei o motivo do vestido pendurado em minha porta, é hoje, a colheita. Passei quatro anos de minha vida acreditando na paz, desde os últimos jogos quando levaram minha mãe para não sei onde, e minha irmã para a arena. E sim, ela morreu, na cornucópia. Quatro anos pensando em liberdade, quatro anos sozinha, quatro anos fugindo. E hoje tudo volta, para meu passado me atormentar. Entro em meu banheiro, ou em um cubículo pequeno com uma parte do piso rebaixado e uma caneca vazia. Pego a tal caneca e a levo a pinha da cozinha, a enchendo completamente. Volto ao banheiro e tomo meu banho gelado devagar. Nua, vou ao meu quarto e visto o vestido azul, que foi de minha mãe, que pertenceu a mãe de minha mãe, que também foi da mãe da mãe de minha mãe... E assim vai. É um vestido azul, bonitinho.

Prendo meu cabelo do melhor modo possível, e coloco minha única sandália. Cruzo os braços a frente do corpo, não é um tempo legal. Minha casa não é tão longe da praça, de modo que chego na mesma em cinco ou dez minutos. Imediatamente vou para fila de inscrição, o silêncio no local me assusta. Em alguns minutos a mulher trajada de branco me chama, não, não uma mulher trajada de branco qualquer. Uma Pacificadora, ela faz parte daqueles que vem do distrito dois ou da capital para trabalhar. e certamente, ela não está muito feliz. Ela puxa meu dedo grosseiramente, enfia uma máquina que senti durante dois anos. Ainda dói. Sinto-me como na minha última vez aqui, aos treze anos, quando minha irmã de doze foi chamada e morta. E agora mais uma vez estou aqui, dessa vez no grupo de meninas mais velhas, esperando a mulher estranha... Qual seria o nome dela? Provavelmente um daqueles nomes estranhos da capital, Lzzy? Looz? Moonnie? Ah, não sei. Mas é nesse momento que a tal mulher entra, feliz com tudo de volta. O presidente está ali também, junto com a única pessoa viva do distrito, que só aparece aqui nessas ocasiões, Megan... COmo vencer os Jogos pode mudar uma pessoa? Ela certamente odiava a capital antes deles.

O que segue é a velha conversa de sempre, discurso do presidente, vídeo da capital, o presidente lê os nomes dos vencedores, que no caso é apenas Megan. E então a mulher que não sei o nome assume o microfone, e o que se segue não é muito bom. Cruzo os dedos e fecho os olhos, implorando para meu nome nãos ser chamado, mesmo estando ali milhões e milhões de vezes, tésseras. Observo a mulher andar ao primeiro globo, o das meninas creio eu, então ela retira o primeiro papel e logo volta ao microfone. A tal mulher abre o papel e ...
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Re: A Colheita

Mensagem por Romulo C. de Carvalho em Qui Fev 28, 2013 4:10 pm

Mais um dia, Mais hoje não é qualquer dia hoje é a colheita, me alevanto da cama e vou na cozinha e vejo mamãe chorando e falo:-Bom dia mãe, ela diz bom dia meu filho e me abraça apertado, fico imaginado na mente será minha mãe gosta tanto de mim, e se eu for escolhido o que acontecera, como ela ficaram se eu for pra arena e morrer, se eu morrer eu acho que ela é capaz de se matar, pois sou o único filho dela, eu tinha um irmão mais ele morreu na arena, será que vou ter o meus destino dele? olho para a mesa e vejo papai derramando lágrimas dos olhos, vou aonde ele e abraço ele bem forte mesmo , minha mãe fez um café delicioso, peguei minha xícara, coloco café, comendo uns pães, eu olhando pra minha mãe e imaginando eu na arena, será que eu venceria? será que eu conseguiria vencer ou morreria lá? Fico pensando nisso até minha mãe me chamar e dizer que meu banho já esta pronto e que ela mais papai tinham comprado uma roupa para mim e que estava em cima da minha cama, vou para o banheiro tiro a roupa e começo a banhar fico umas meia horas pensando em tudo, pensando no dia em que meu irmão morreu, ele morreu na cornucópia, termino de banhar e vou para meu quarto quanto passo pelo o quarto dos meus pais vejo minha mãe chorando, e meu pai abraçado nela.

Chego no meu quarto e vejo minha roupa, uma camisa na cor branca, com uma calça marrom, me visto arrumo meu cabelo, abraço meus pais e vou para a praça, ela não é tão longe leva uns 20 minutos para chegar lá, mais como eu já era acostumado não tinha problema, cheguei lá e fui para a fila dos meninos mais velhos, estavam todos calados, ninguém falava nada, estava cheio de pacificadores vestidos de branco, e lá na frente uma pacificadora vestida de branco, coletando sangue, chega minha vez doeu um pouco, vou para onde os meninos ficam.

Como sempre começa o presidente fazendo um discurso, falando suas palavras insanas, até quando isso irá acontecer? perguntou-me até quando todos irão deixar que isso aconteça? foi quatro sem jogos vorazes, quatro anos em paz, em alegria, quatro anos sem a presidente, as pessoas do meu distrito pensavam que tinha acabado os jogos vorazes, mais quando ela voltou trouxe consigo, o desespero, acabou com a alegria do povo, e junto com se trouxe de volta os jogos vorazes, olho para o palco e vejo uma mulher falar primeiro as damas e mete sua mão no globo de vidro e tira o papel com o nome da menina e volta ao microfone, abri o papel e diz que o nome da menina é...
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Re: A Colheita

Mensagem por Lucy V. Hunterfield em Qui Fev 28, 2013 4:19 pm

Não consegui dormir, o dia estava nublado, frio e quieto, ando pela casa quebrando o silencio, minha mãe está dormindo agarrada com seu gato, olho em volta tocando em tudo como se fosse pela última vez, que idiotice a minha, tomo um banho de água fria quase congelando quando tem contato com a pele, coloco uma calça jeans uma blusa com uma jaqueta ,botas de couro e pego minha bolsa.

Saio de casa e vejo o sol tentando escapar das pesadas nuvens cinzentas que se formam no céu, começo a andar ao prédio de costura aonde fazem as roupas dos pacificadores, se essa o momento para ser pega e virar uma avox o dia é esse. Corro em direção ao prédio não muito distante de minha casa, meus passos quase não fazem barulho quando se chocam com o chão. Chego no prédio e olho por uma janela se há algum pacificador, negativo, nenhuma alma viva no local, abro a janela um pouco e silenciosamente adentro a sala me agacho perto de um armário para ter certeza de que não há ninguém, percebo que a única pessoa ali dentro sou eu então saio do esconderijo e subo as escadas cuidadosamente para o segundo andar ande encontra-se a cozinha.

Está tão quieto e mais gelado nesse local que se um alfinete cair consigo escutar o barulho claramente, ando em direção a geladeira e abro, pães, morangos, bolos, tortas e galinha para colocar no fogo. Pego tudo o que posso e coloco na mesa até a galinha eu coloco, pego um frigideira e coloco óleo dentro e coloco as coxas de galinha para fritar e enquanto não fica pronto como um pão de queijo que está de comer ajoelhando e pedindo mais.

Como tudo o que posso e ainda sobra muito mais e a geladeira ainda está lotada de comida, pego um pedaço grande de torta, frutas, pães umas galinhas fritas que não comi e algumas para fritar, coloco tudo na bolsa cuidadosamente e olho em volta, aqui tem muito óleo então decido levar alguns suprimentos para minha mãe, coisa que não faço lavo tudo o que sujei colocando no seu devido lugar. Depois de pegar o que quero desço as escadas bem cautelosa e olho em volta, ninguém, levanto a janela e passo a bolsa depois saio sem fazer barulho, deve ser sete da manhã e tenho uma hora para me mandar daqui, pego a bolsa no chão e ando em direção para casa.

Entro e vejo minha mãe acordada e com a mão na barriga, estava com fome e logo que cheguei ela me atacou -O que trouxe na bolsa?- levo a bolsa até a mesa e abro ela pega dois pães e como todos de imediato e faz uma cara de satisfeita e até seu gato está me olhando com aquela cara de pidão, pego uma coxa frita e taco para ele pego um dos pães de queijo e enfio na boca, retiro as botas e volto a dormir.

Acordo com o sinal de que devemos nos encontrar em frente ao prédio da justiça, ainda estava nublado e silencioso, me levanto rápida e tomo uma ducha vou até o quarto e coloco uma roupa que minha mãe separou, é toda preta com apenas um bolero branco e e imagino onde conseguiu o bolero. Já iria saindo de casa quando escuto ela fungar vou até ela e lhe abraço -Não vou ser chamada mãe.- Embora não tenha muita certeza do que disse só queria confortá-la.

Saio de casa e vou em direção ao centro, fico na fila do pessoal de dezesseis anos para tirar a amostra de sangue, que drama, pessoas se jogando no chão, gritando, berrando, não aguento e fico observando uma garota chorando fazendo realmente um show para não retirarem um pouquinho de sangue quando nem percebo que é minha vez - Próximo - diz a mulher com a voz firme, estendo o braço ela pega sua maquinha e espeta feri meu dedo, depois de tantos anos nem sinto muito a dor é como se fosse uma picada, ela pega meu dedo e pressiona em um papel passa uma maquina por cia que faz um chiado terrível.

Saio da fila e me posiciono junto com os outros adolescentes, avisto minha mãe na multidão em volta aceno com a cabeça para ela e dou um sorriso confortante. Depois de um tempo os presidentes saem do edifício e com eles a representante da capital, quem vai falar os nomes dos tributos, nesse ano seu cabelo está em um tom de azul bastante claro, sua pele levemente pintada de violeta e tatuagens berrantes em cor dourada. Ela dá as boas vindas aos jogos, sua voz chata e irritante que a cada segundo me deixa mais ansiosa e nervosa, ela traz como todo ano o vídeo da antiga guerra, que chatice, sempre a mesma coisa e enfim, acaba, ela se dirige ao microfone e como sempre ela fala '' Damas primeiro '' ela caminha lentamente ao globo onde contém os nome das garotas, enfia sua mão dramaticamente e retira um papel volta calma e com um sorriso estranho no rosto até o microfone abre o pequeno papel prepara a voz com '' Huhumm '' e finalmente abre a boca para dizer...
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Re: A Colheita

Mensagem por Aislinn Heminges Fox em Qui Fev 28, 2013 4:41 pm

Quando os primeiros raios de sol sobressaíram-se dentre as nuvens, meus olhos se abriram absorvendo cada pedacinho de luminosidade emitida pelo sol que passava pela janela. Senti então aquele sono profundo, e a sensação de estar presa a cama tomou conta de meu corpo. Mal me lembrava que já era o dia, aquele dia. Com a volta da presidente Stoker, os jogos voltaram a ativa com a mesma intensidade de antes, ou talvez bem pior, por que nem mesmo eu poderia subestimar os poderes da Stoker, nem mesmo a intensidade de seus desejos sádicos por sangue. Justamente por não me lembrar, consegui me levantar da cama, sendo tomada por uma estranha animação ao me olhar no espelho. Os cabelos loiros estavam perfeitamente arrumados, enquanto as pontas rosadas permaneciam do mesmo jeito que no ultimo retoque. Após me arrumar de qualquer jeito, desci as escadas do edifício da justiça um pouco mais cheio que o normal.

Não posso dizer que minha manhã foi completamente normal, com tantas pessoas andando de um lado para o outro para preparar a colheita - que até o momento, eu havia me esquecido completamente que seja hoje - era difícil se concentrar nos waffles caramelados e deixar o tempo passar enquanto eu comia, despreocupada. A empregada da casa logo me apressou, jogando para cima de mim alguns vestidos e uma bela montoeira de sapatos, que olhei estranho e lhe perguntei realmente com um ar de dúvidas para que servia tudo aquilo. Ela arregalou os olhos um pouco espantada. Marjorie sempre fora a empregada principal da família a anos, consequentemente me viu crescer naquela enorme mansão, chorou ao lado da minha mãe em minha primeira colheita e tudo, até ajudou-me a pintar meu cabelo pela primeira vez. Ela sim era a avó que nunca tive, e agora demonstrava todo esse amor com lágrimas nos olhos.

- Aahn pelo amor de deus Marjorie! Entrou algum cisco no seu olho? - Perguntei, mal humorada enquanto ela limpava as lágrimas e apontava seu dedo para o televisor - que nem mesmo me dei o trabalho de olhar - um pouco insegura. Revirando os olhos, ergui a cabeça para cima, analisando pouco a pouco a notícia que se passava nos noticiários, que também parecia deixar os residentes da capital muito animados. Ela havia voltado, disso eu já sabia, porém após quatro anos não me espantava mal se lembrar do dia da colheita, visto que só participei do mesmo uma vez. No momento que entendi o motivo de tanta tristeza nos olhos de Marjorie, joguei os vestidos em cima da cadeira ao meu lado e me apressei para abraça-la, apesar de não compartilhar sua dor, tinha uma minima ideia do que ela sentia.

- Relaxa, as pessoas lá fora tem milhões de nomes a mais que eu. - As tésseras, eu não me inscrevia para eles, o motivo era meio obvio. Filha do prefeito, não tinha necessidade alguma arriscar minha vida em troca de comida. Afaguei seus cabelos com calma, apreensiva. Seus soluços não demoraram muito, logo sua maior preocupação era me manter linda, afinal, meu rosto seria destacado dos demais, afinal, ninguém mais tinha o cabelo rosa naquele distrito. Ela me levou até o meu quarto e após uma longa troca de vestidos, decidi por mim mesma que usaria algo que fosse a minha cara, nota mental : não daria em boa coisa.

Meu gosto para roupas sempre fora muito contraditório, por que eu sempre gostei bastante das tendências da capital, tanto que encomendava algumas pelo correio, sempre tive meus privilégios. Optei então por um vestido lilás cujo a saia era um pouquinho armada, os detalhes dourados em sua renda - delicadamente bordada em meu busto - não o deixavam lá com uma cara de simplesinho. A sapatilha de boneca fora a única coisa exigida por Marjorie, ela sempre prezara a boa postura, mas os saltos sempre machucaram muito meus pés, então pelo menos nessa situação, estavam fora de cogitação. Meu pai se adiantou indo logo até a praça principal, e então eu, guiada por Marjorie e minha mãe contornei o exterior do edifício da justiça até a praça central, muito bem arrumada e monitorada pelos pacificadores ali presentes.

Com um último abraço me despedi de ambas, caminhando em passos lentos até a pacificadora que recolhei uma amostra de meu sangue sem delicadeza alguma, deixando-o um pouco dolorido. Não sei como posso narrar o que senti no momento, talvez não só a mesma coisa que senti em minha primeira colheita, mas também um misto de sensações antes desconhecidas por mim. Sabe quando seu corpo treme? Sua pele formiga? Calafrios percorrem sua espinha? Não era medo, eu tinha absolutamente certeza que não era medo, somente uma sensação de que as coisas haviam mudado, e que a maré mansa dos últimos quatro anos não durariam para sempre, e a minha presença na colheita apenas me confirmava isso.

Ao olhar para trás, notei que minha mãe já havia se retirado, provavelmente já estaria indo a caminho do palco, enquanto Marjorie me observava de longe, já com lágrimas cegando seus olhos. Lastimável, realmente lastimável, e isso cortou meu coração. Eu tinha sentimentos, é claro que tinha, mas pouco gostava de demonstra-los. Sorri de canto para Marjorie, tentando passar um pouco de minha confiança para ela, o que pareceu funcionar pelo menos um pouco, ela limpou suas lágrimas e voltou para sua posição. Quando me virei novamente para frente, tanto meu pai quanto a minha mãe já estavam lá em cima ao lado da representante de nosso distrito, visivelmente um pouco abalados.

Era tanto sentimento negativo que chegava a incomodar, nunca tive um problema real com os jogos, pois sabia que se fosse selecionada, as chances de eu sobreviver eram relativamente bem grandes. Poderia não ser tão inteligente quanto os moradores do distrito cinto, mas meus tutores sempre fizeram o possível para me preparar para o pior, por que vamos combinar né, não era lá uma coisa impossível. Fui empurrada por uma grande massa de garotas até a minha fila, assim que percebi que havia ficado parada por muito tempo no mesmo lugar, refletindo sobre coisas que pouco importariam caso eu fosse escolhida.

A voz delicada da representante enviada pela capital para nosso distrito nos chamou a atenção. O mesmo tom de sempre, ela parecia animada, provavelmente estava na expectativa de que essa fosse uma colheita inesquecível. Anunciou que nos mostraria um filminho muito interessante, realmente havia esquecido o quanto era ridículo o modo como nos ameaçavam. Caveiras, o distrito treze, o poder da capital sobre nós, nada que nós já não estivéssemos familiarizados, nada novo. - Primeiro as damas. - Murmurei baixo para a menina ao meu lado, ela soltou uma risadinha baixa com minha perfeita imitação da mulher.

E então toda a nossa atenção se voltou para o palco a nossa frente. Mesmo que não tivesse uma super visão ou algo do tipo, podia ver em meu pai e minha mãe aquela mesma preocupação de minha primeira colheita. Olhos arregalados, corpo um pouco inclinado e as mãos a ponto de perfurarem o tecido que cobria as carteiras, não me atrevi a olhar para trás, Marjorie provavelmente estaria em lágrimas. A mulher brincou com seus dedos dentro do vidro transparente, misturando um pouco os papeizinhos ali dentro, pegou um deles e o abriu.
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Re: A Colheita

Mensagem por Nina Louise Rorschach em Qui Fev 28, 2013 5:23 pm

I've never been free
_____________________________
Broken lines, across my mirror Show my face, all red and bruised And though I screamed and I screamed, well no one came running No I wasn't saved, I wasn't safe from you
Já era de se esperar que minha noite de sono fosse péssima. Mantinha os olhos bem abertos, fixos no teto de madeira do quarto escuro, ouvindo o barulho das ondas se chocando nas rochas, o vento que tentava abrir minha janela e o bater de asas de um morcego que voava do lado de fora. Só que o som mais intenso, era o martelar do meu coração. Não estava acelerado, mas batia com força e parecia que não ia demorar muito para perfurar meu peito. Entre breves cochilos, eu tinha terríveis pesadelos em que Ryan e eu éramos escolhidos para os jogos e eu o matava com um corte na jugular. Só que em um desses pesadelos, tudo era real demais. Parecia uma corrida sem fim até a cornucópia, mas fui atacada pelos carreiristas antes mesmo de conseguir agarrar alguma coisa. Ryan era um dos carreiristas. Gritei o mais alto que pude, agarrando os lençóis com as mãos, afundando o rosto no travesseiro. A porta do quarto se abriu e Jolene entrou rapidamente, agarrando-me os ombros, certificando-se de que era só um pesadelo. ─ Tudo bem, tudo bem. ─ Ela me abraçou, encostando meu rosto em seu ombro, enquanto afagava minhas costas. ─ Foi só um pesadelo. ─ Sussurrou, beijando minha testa. Minha irmã e eu mantínhamos uma relação quase perfeita. Sempre fomos muito ligadas, antes mesmo da morte de nosso pai, só que nem sempre ela conseguia desempenhar seu papel de maneira adequada. Havia coisas que ela não conseguia me explicar, havia assuntos dos quais ela não se sentia confortável para falar comigo. E eram essas lacunas que Ryan conseguia preencher com esmero. Meus braços permaneciam agarrados em volta de Jolene como se jamais fossem soltá-la.

Estrelinha, quer me contar o que sonhou? ─ Ela afrouxou meus braços, retirando os fios de cabelo grudados em meu rosto. ─ Prefiro... Não falar sobre o pesadelo. Não agora. ─ Sussurrei, encolhendo o corpo enquanto ela me deitava na cama cuidadosamente, cobrindo-me com os lençóis.

Pode me chamar caso sinta medo.

Jolene era uma espécie de heroína para mim. Ela sabia exatamente do que se tratava o pesadelo. Ela me conhecia, sabia bem como eu ficava antes das colheitas. Antes de voltar para seu quarto, Jo buscou um copo com água e o deixou sobre o criado mudo ao lado de minha cama. ─ Não hesite em chamar. ─ Sussurrou e beijou minha testa. Observei-a apagar a luz e sair do quarto silenciosamente. Estiquei a mão até o abajur ao lado do copo com água e o acendi. A luz azul fraca me tranquilizou e só assim, consegui encostar a cabeça no travesseiro e dormir sem pesadelos.

A claridade entrava pelas frestas da espessa cortina que cobria a janela e atingia meus olhos. Os abri lentamente, tentando me acostumar com a luz, o que foi em vão. Puxei o lençol sobre a cabeça e tentei voltar dormir. ─ Nina, hora de levantar. ─ Não era a voz de minha mãe que me fez chutar o lençol para longe. Não era a voz de Ryan e nem de Jolene. Era a voz de Greeta. A voz que no mesmo dia todos os anos tratava de me acordar. Fazia muito, muito tempo que ela não me chamava. Quatro anos, para ser exata. Meu corpo todo ficou em alerta, lembrando-me que era o dia da colheita. Gemi baixinho antes de me sentar na cama e dar um sorriso forçado para a mulher de cabelos castanhos parada na porta. Minha mãe dizia que Greeta me acordava e me preparava porque eu me sentiria melhor com uma estilista do Distrito 4 do que com ela. Mas, eu bem sabia que Corinne ficava com o coração apertado, temendo ter que preparar sua filha para o abate, como um boi. Ano passado a peguei chorando na praia sozinha. Ela não me disse o motivo, mas a julgar pelo dia e pelo horário, era medo de me perder para a Capital e seus jogos sangrentos. ─ Sua mãe me disse que você não dormiu muito bem. ─ Greeta era uma mulher jovem, trinta anos, solteira e sozinha no mundo que perdeu a irmã gêmea em uma das edições dos Jogos. Era de partir o coração vê-la todos os anos assistir a colheita e chorar por cada nome chamado. ─ Pesadelos. ─ Respirei fundo, me despindo das roupas íntimas, enrolando-me na toalha que estava pendurada atrás da porta. Greeta preparou um banho quente e perfumado, ajudou-me a lavar os cabelos, as unhas cheias de areia, os ouvidos e as costas. Ela era uma companhia agradável, que apesar de ter sofrido muito, não era nem um pouco amarga ou estúpida. Sequei o corpo rapidamente, vestindo o vestido bege discreto e em seguida as botas que um dia foram de Jolene. Greeta escovou meus cabelos e fez uma fina trança de cada lado da cabeça, juntando-as em uma só no meio, descendo até a metade das costas.

Parecemos bois indo para o matadouro. ─ Sussurrei entre dentes, olhando meu reflexo no espelho enquanto Greeta acaba de ajeitar meu vestido.

É um show, isso faz parte.

Isso é coisa de gente doente. ─ Nervosa, sai do quarto e fui para a cozinha, onde uma tigela com cereal de chocolate e leite me esperava. ─ Minha mãe não compra isso com frequência, compra?

Foi um presente de Lyon. ─ Greeta se sentou ao meu lado, afagando meu ombro. Confesso que pensei em ficar sem comer. ─ Ele gosta muito da sua mãe, e em especial, de você. Mas, acho que você já sabia disso não é? ─ Greeta riu.

Acabei rindo junto, mas por dentro eu estava extremamente tensa.

Não quero falar sobre o mentor metido do Distrito 3. ─ Revirei os olhos, enfiando uma colher cheia da mistura de grãos na boca.

Você devia fazer amigos, Nina. Sei que o Ryan é o único que você julga ser verdadeiro, mas... Existem muitas pessoas que querem se aproximar de você.

Pessoas como o Lyon? Ah! Esquece. Ele é um metido. Não gosto de pessoas famosinhas e esnobes. ─ Dei de ombros, dando atenção especial a tigela de grãos.

Greeta riu.

O que foi? ─ Perguntei, limpando os lábios com as pontas dos dedos.

Ele é lindo.

Sem chances. ─ Levantei-me da mesa, balançando a cabeça.

Conversar com Greeta me fazia esquecer um pouco o péssimo dia que viria pela frente, mas logo minha preparadora particular se foi, dizendo que precisava de um banho antes de se encaminhar para o evento. Esperei sentada na sala, até que Jolene apareceu com um vestido branco de alcinhas delicado, usando sapatilhas e os cabelos soltos. ─ Cadê a mamãe? ─ Perguntei, ao notar a expressão triste contida no sorriso falso de minha irmã. ─ Ela ainda está se arrumando, pediu para que fossemos na frente. ─ Sempre saíamos de casa adiantados, caminhando lentamente pelo sol quente junto com outras famílias que seguiam para o centro do Distrito. Em toda Panem, o sorteio dos tributos era realizado no mesmo horário todos os anos, exatamente as duas da tarde. Meus olhos percorreram cada rosto que caminhava ao nosso lado, a dor e o medo estavam estampados em todos os olhares. Quatro anos sem Jogos, sem colheitas e sem perdas deixou a maioria das pessoas acostumadas com a sensação de proteção e alívio, o que foi na verdade, uma grande farsa. A presidente não estava morta, como muitos torceram, e os mentores desaparecidos – incluindo Lyon – estavam de volta. Devo confessar que parte de mim esteve preocupada com ele nos últimos anos, mas a outra parte, a parte alimentada pelo sadismo dos Jogos, desejava profundamente que ele estivesse sendo torturado em algum lugar do mundo.

Medo? ─ A risada baixa e forçada de minha mãe me fez virar o rosto na direção em que ela estava. ─ É, um pouco. ─ Engoli em seco, segurando a mão de Jolene com força, respirando pela boca. Para meu alivio, ela retribuiu ao meu aperto. Logo mamãe tomou minha outra mão, dando-me apoio. Alguém tocou meu ombro, mas não consegui ver quem era e então, a praça onde ficava o Edifício da Justiça estava a apenas alguns instantes de onde estávamos. Os Pacificadores abriam caminho entre a multidão para que os jovens pudessem entrar na fila para, mais uma vez, colocar seus nomes. As mãos que me mantinham calma no mundo real se afastaram e eu não tinha mais em que me apoiar. Procurei por minha mãe e Jolene, mas, por mais que eu chamasse seus nomes, não obtinha resposta alguma. O desespero começou a tomar conta da razão. Me virei com rapidez e força para sair da fila e acabei trombando em algo, quase caindo no chão. ─ Nina, tudo bem. Fique calma. ─ Um par de mãos seguraram gentilmente meus ombros e um lindo sorriso se formou em frente aos meus olhos. ─ Onde está Jolene? ─ Perguntei aflita, tentando me afastar de Ryan o mais rápido possível. Ele soltou-me quando percebeu que eu não precisava de ajuda. Sem falar mais nada, Ryan apontou o dedo para frente, há quatro pessoas de distância estava as duas únicas pessoas da minha família que ainda estavam vivas. Suspirei pesadamente, aliviada e envergonhada pelo ataque de pânico. ─ Está parecendo sua primeira vez na colheita. ─ Pela primeira vez naquele dia, ouvi a risada rouca e baixa de Ryan. Me virei para ele, olhando-o incrédula. ─ Você chorou muito.

É, eu sei! Não precisa me lembrar disso. – Respondi bruscamente focando a atenção na fila.

Estava de azul. E o cabelo cheio de conchinhas coloridas.

Cala a boca, Ryan. ─ Sem me dar o trabalho de olhá-lo, sussurrei entre dentes e Ryan riu novamente. Gostaria de saber se eu tinha cara de palhaça, ou se estava feia. Não havia graça naquilo. Eu odiava me lembrar das colheitas e ele sabia disso. O nervosismo estava me deixando inquieta e fazendo-me soltar grosserias que não eram normais, mordisquei o lábio, batendo o pé algumas vezes no chão, até que desisti de ser durona. Me virei e joguei os braços ao redor de Ryan, apertando-o. Fiquei feliz quando ele retribuiu, afagando meus cabelos trançados. Fechei os olhos, tentando manter a calma. ─ Estou com você ─ Ele murmurou e nos afastamos. Para minha sorte, não demorou que furassem meu dedo, recolhendo uma amostra do sangue, marcando meu nome. Segui para o grupo de jovens de dezesseis anos que estava em frente ao palco cuidadosamente montado e enfeitado com as cores do nosso distrito. O azul em vários tons, o verde-água e o branco. Como já era de se esperar, as câmeras estavam em todos os lugares, principalmente nos telhados, e no palco estavam três cadeiras vazias esperando por seus ocupantes.

O grande relógio que ficava ao centro da praça soou duas vezes dando início a colheita para a primeira edição dos Jogos Vorazes após a Paralisia. As portas do Edifício da Justiça se abriram e, em um vistoso terno cinza, o prefeito Thomps saiu sorrindo e caminhou para o centro do palco, posicionando-se em frente o microfone. Thomps era homem quarentão, de cabelos dourados e pele bronzeada. Alto, boa pinta. Elegante como um gato no telhado, todos os anos, ele vestia um terno diferente. O cinza era bem discreto se comparado ao verde da última colheita. O prefeito Thomps começou o discurso sobre o surgimento de Panem, os Dias Escuros e sobre a forma que a Capital encontrou para nos lembrar do sofrimento: os Jogos Vorazes. “Todo ano, um menino e uma menina entre doze e dezoito anos serão escolhidos em cada distrito de Panem para lutar até a morte numa arena à céu aberto.” O prêmio? Ter uma vida tranquila, – ou quase isso – com fartura e uma bela casa na aldeia dos vitoriosos. Muitas pessoas interpretavam os Jogos como algo horrendo e sem escrúpulos, mas havia aqueles que tratavam tudo aquilo como uma festa, uma comemoração ou algo assim. Enquanto aquele lixo todo saia da boca do prefeito, meu olhar vagou pela praça. Avistei minha mãe e Jolene, que olhavam fixamente para mim. Sorri apenas, mostrando que estava mais calma. Voltando a observar, encontrei Ryan com a testa vincada e brilhante. O cabelo loiro pregado à testa úmida de suor, os olhos profundos fitando o prefeito, as mangas da camisa azul clara arregaçada até os cotovelos... Suspirei, virando o rosto para o palco e me surpreendi vendo os vitoriosos entrarem acenando. Uma breve salva de palmas vinda da multidão fez com que o prefeito sorrisse satisfeito.

Michael Deisler e Manuela Carter McKurt. Os dois vitoriosos vivos do distrito 4. Michael era um rapaz bronzeado de cabelos escuros e olhos azuis. Eu nunca havia falado com ele, mas diziam que era uma pessoa agradável. Ele era um dos mentores que desapareceu juntamente com a presidente. Manuela, ou só Manu, era uma das mulheres mais lindas que eu já havia visto. Tinha os cabelos castanhos e compridos que caíam pelos ombros em cachos grossos e bem cuidados. Sorridente, ela acenava para a multidão, antes de se sentar ao lado de Michael em suas respectivas cadeiras. Então, finalmente Crystal Reese entrou. A representante do distrito 4 vinda da Capital, dessa vez, usava um vestido roxo de mangas curtas. O cabelo tinha sempre a mesma cor preta e o mesmo corte chanel perfeitamente penteado sem nenhum fio fora do lugar. Tinha franja na altura das sobrancelhas e uma pinta pequenina na maçã direita do rosto. Os cílios postiços de Crystal Reese – sua marca registrada ao lado do cabelo perfeito, – acompanhavam o tom roxo do vestido. O batom e os sapatos eram de um rosa escuro, quase carmim. As unhas grandes e bem feitas seguraram o microfone e sua voz musical e delicada banhou o distrito 4. ─ Sejam todos bem-vindos meus queridos amigos! Sem mais delongas, começaremos pelas damas, é claro. ─ Como se andasse em pulinhos feito um pequeno pássaro, Crystal Reese se aproximou da bola de vidro das garotas. Enfiou a mão direita e remexeu, retirando apenas um papelzinho. O silencio se instalou em todo o distrito 4. Eu mal respirava, olhando fixamente para a mão de Crystal. Cuidadosamente, ela abriu o papel e voltou ao microfone. Nesse momento, me dei o luxo de fechar os olhos e respirar pela boca, torcendo para que não fosse o meu nome ali.

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Re: A Colheita

Mensagem por Alicia Ketlim Hendrick em Qui Fev 28, 2013 5:32 pm


❝ a colheita ------ ❞

Eu esperava que esse dia nunca chegasse. Foram quatro anos, belos e felizes anos. Sem jogos, sem crianças mortas, sem desespero. A população, inclusive eu, via esperança enquanto este período perdurou. Em toda a minha vida só participei da colheita uma única vez, era meu primeiro ano e as probabilidades pendiam para as garotas mais velhas. Mas a gente sente medo, é impossível não sentir o estômago revirar, ameaçando regurgitar a pouca comida ingerida horas antes. Estou pensando nisso enquanto visto as roupas para colheita. Nessa época todos colocam suas melhores roupas, uns simplesmente porque podem, já outros porque correm o risco de irem para capital. É um dia fúnebre para maioria de nós, e com nós me refiro a grande parte miserável do distrito 11. Roupas chiques só são usadas em duas ocasiões: funerais e quando é realizada a colheita. Irônica a semelhança entre ambos, chega até a fazer sentido. Minha mãe está na cozinha, já vestiu sua roupa e acho que começa a relembrar do momento em que seu outro filho, meu irmão, também se arrumava em casa do mesmo modo como eu faço agora. Perdi a conta de quantas vezes quis falar hoje, proferir alguma palavra de conforto, mesmo que o carinho que tenho pela mulher venha encontrando barreiras em demasia. Paro em frente ao espelho, não sei dizer por que temos um espelho em casa, mas temos e isso é o que importa. Ele tem uma larga fenda no meio, nas laterais dessa fenda posso ver a imagem que me encara. Cabelos acetinados, olhos claros, pele queimada do sol e semblante duro. Sou eu – Hora de ir. – Comunico abandonando o espelho e indo em direção à porta, espero que minha mãe esteja se colocando de pé, pois não pretendo estender-lhe a mão ou coisa do tipo. Para meu alívio, a mulher já está caminhando até mim, o semblante tão misterioso quanto o meu, os lábios comprimidos sem deixar que nenhum som escape. Estamos prontas.

Cada feição que me encara parece demonstrar pena. Não gosto que as pessoas sintam pena de mim, dá a impressão de que posso morrer a qualquer momento e eles vão se importar, sendo que nunca falaram comigo e não sabem nada de minha vida. Eu sou apenas a garota que enlouqueceu, surtou. Poucos têm coragem de se aproximar, e esses poucos desistem após perceber o quanto meu mundo é fechado para novos visitantes. Somos eu e eu, ninguém mais. Também me conhecem como a filha de uma louca, aquela louca que casou com um estrangeiro e ficou com duas bocas para alimentar em casa, depois disso seu filho morreu e ela pirou de vez. Acho muito fácil julgar as pessoas quando não a conhecemos. Na verdade pouco me importa o que pensam, o que sentem e o que aparentam ser depois que me afastei do mundo. Não é nenhum deles que coloca comida na mesa ou suporta as horas de silencio. Suporta a dor da perda. A praça está cheia, essa é a época do ano em que todos são obrigados a presenciar quem terá sua declaração de morte assinada – Até logo, mãe. – A última das palavras sai em um sussurro, não a chamo de mãe tem dois anos. É quase imperceptível, mas os olhos dela se arregalam num misto de confusão e medo. Acho que fiz bem, pode ser a última vez que vamos nos falar e não quero morrer com peso na consciência, pelo menos não com isso. Ao longe posso ver a única pessoa com quem costumo passar o tempo. Morena, alta, olhos pretos como a escuridão, sorriso acolhedor. Até hoje não perguntei seu nome, porém ela me acena ao notar que cheguei e indica um lugar na fila para coleta de sangue. Ambas completamos 16 esse ano, então ficamos em uma posição mais a frente, juntas com aquelas outras garotas com quem nunca falei e tem nossa mesma idade.

Posso ver o quão temerosos todos estão. O tique do bater de pés no chão, mãos que remexem na roupa à cada cinco minutos, falatórios incessantes, um silêncio mortal. Esses sinais aconteciam mesmo antes do recesso de quatro anos, mas eram menos notáveis, não em larga escala. Eu tento não fazer o mesmo, embora me pegue rangendo os dentes ou batendo o pé no chão à medida que a fila prossegue lentamente. Ao chegar minha vez fico espantada com o fútil pensamento sobre dor, a preocupação frívola de que a agulha poderá doer. Que tola estou ficando. A mulher da Capital puxa minha mão bruscamente para si, parece odiar o trabalho que lhe foi designado, o único de seus prazeres é ver o terror estampado na cara daqueles que estão ali pela primeira vez. Reprimo uma careta de dor enquanto ela trabalha, pelo menos é algo rápido e já estou dispensada. Minha amiga está esperando com o mesmo grupo de garotas com as quais estivemos na fila. Acho uma piada que elas se preocupem tanto, suas chances são mínimas se comparadas com a de alguém que vem pegando quantas tésseras pode desde os doze anos de idade. Eu não deveria ter raiva disso, sentir repulsa só porque elas têm uma família feliz e dinheiro, sendo que eu não possuo nem um e nem outro. Às vezes me pergunto se existe realmente um Deus, e se ele presta atenção no que vêm fazendo, por que não é justo que uns tenham demais e outro não tenham nada. Mas tudo bem, religiosidade é uma coisa muito simbólica por aqui, ninguém tem tempo realmente para rezar para um alguém invisível, nós precisamos trabalhar invés de ficar pedindo coisas.

De meu lugar posso ver as duas grandes bolas comportando milhares de pequenas tiras de papel. Pelo menos quinze tem meu nome escrito, quinze daqueles papéis significam minha morte. Porém não sou a única que tem seu nome colocado mais vezes do que deveria, as garotas de 18 anos precisam se preocupar também. Meus pensamentos rondam pela mente, nenhum particurlamente interessante para chamar atenção, até que a representante do distrito aparece. Não sei dizer o que lhe torna mais desumana, se são os cabelos de um tom laranja berrante, o sotaque da capital ou as vestes estrondosas. Vamos definir em uma palavra: estranha. Somos obrigados a assistir o filme sobre Panem, passavam-no todo ano e pelo jeito a tradição não morreu. Me pego falando algumas partes na mesma sequência, são frases curtas e de efeito, assim a memorização é bem mais prática. Por fim a tortura se encerra, resta apenas o silêncio preenchido pela estrondosa voz da mulher de cabelos chamativos. Cada garoto e garota parece tremer, a tensão no ar é tão grande que parece capaz de me atirar no chão caso ouse dar um passo para frente. Primeiro as garotas, que regra de cortesia idiota. Estou com o coração na boca, a respiração suspensa, o peito se apertando. Os movimentos parecem estar em câmera lenta, ou é isso ou a mulher não sabe desenrolar um papel. O momento de espera está me matando, posso sentir minhas unhas rasgando a palma da mão fechada. Ela abre o papel, o nome na ponta de sua língua.
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Re: A Colheita

Mensagem por April Pearson Preston em Qui Fev 28, 2013 9:25 pm

~ A colheita ~
É tudo tão estranho, principalmente o modo como certas coisas mudam tão de repente de uma hora para a outra. Mudanças nem sempre são boas, nos últimos anos a sorte estivera realmente ao meu favor, mas agora? As coisas viraram de cabeça para baixo. Certa vez, antes de meus pais morrerem no mesmo acidente que matou ambos os pais do recém campeão do distrito quatro, recebi de meu pai um grande ensinamento. Ele sempre fora um homem bom, era louvável até. Tinha inúmeras qualidades e dons, inclusive me ensinou a coisa mais preciosa em minha vida, que é nadar. Não só isso mas também sempre soube que as chances de eu ir para os jogos não eram poucas.

Minha família nunca foi rica, realmente nuca tivemos muito dinheiro, as tésseras já faziam parte de minha rotina. Era algo complicado, era complicado chegar todo mês em casa com um pequeno saco de comida extra e ver a dor nos olhos de meu pai, eu fiz isso por três anos seguidos, magoando não só meus pais como também os adotivos. O ensinamento que aprendi sempre fora tão precioso quanto qualquer outro aprendido em uma escola de verdade, por toda minha vida ele me ensinara a não desistir, e era com essas palavras que eu mantinha minhas forças. Consequentemente após a sua morte eu virei uma garota fechada e bem reservada, mantinha amizade apenas com Julia Deisler, mesmo muito pequena ela parecia me entender, ela me respeitava, respeitava meus momentos de reflexão, de alguma forma ela sabia de tudo, mesmo não sabendo.

Complicado, eu sei, mas era a vida. Após a morte de meus pais, fui mandada para uma família adotiva próxima, tal família tinha uma renda um pouco mais elevada que a minha, e ganhavam para me criar. Eu não valia muito, infelizmente minha vida não era lá grandes coisas. Mas eles eram bons, sempre foram, portanto me aceitaram de bom grado, mesmo que isso lhes obrigasse a cortar alguns gastos, era estranho, mas mesmo assim eles me amavam. Eles também tinham uma filha mais velha, que morreu para os jogos. Talvez fosse por isso que deixaram seus braços abertos para mim, esperavam que eu aliviasse a dor em seus corações, eu não era uma garota boa, não merecia tudo que me davam, então apenas me vi na obrigação de retribuir todo esse amor verdadeiro.

Os poucos raios de sol que adentraram pela janela ao meu lado foram o suficientes para me despertar. Quando abri meus olhos, vislumbrei o céu azulado e sem nuvens alguma. Sim, eu gostava de olhar o céu a noite e o pequeno buraco no teto de meu quarto me permitia uma das mais belas vistas do céu. O único quarto vago estava quase devastado, mas ainda sim me acolheu de uma forma que nunca imaginaria. Logo me adiantei para completar meus afazeres da manhã, o dia da colheita nunca fora um motivo para eu me livrar de meus deveres de casa.

O clima não estava muito frio, por isso mesmo optei por um short básico no lugar das habituais calças, porém não variei meu calçado, os coturnos de combate serviam para praticamente qualquer coisa, menos é claro para a colheita. Passei minha mão por meus cabelos, arrumando-os um pouco. Não me frustrava ter cabelos tão lisos, de forma que ao acordar nem mesmo precisava de uma escova para arruma-lo, isso para nós do distrito quatro – que convivíamos diariamente com água salgada – era um belo de um adianto.

Ao encarar a família na sala/cozinha de estar, composta por meus pais adotivos e os senhores que acostumara chamar de vô e vó após ser adotada, sorri de canto. Parecia muito mais difícil para eles do que jamais fora para mim. Mudanças acontecem, passei por isso uma vez, e vamos combinar né? É a capital, com a volta de Emily ou não, não nos deixariam em paz por muito tempo, justamente pelo simples fato de quererem impor poder sobre nós, sempre. O café em família nunca fora tão silencioso, por minha parte é claro isso já era normal, mas Anneliese e Arthur insistiam em puxar algum assunto, apenas para não pesar muito o ar sobre a mesa, o que para mim nunca fora um incomodo, mas dessa vez fora diferente. Permanecemos calados, nossas atenções eram direcionadas apenas para o pão que comíamos, apesar de nem mesmo ele receber nossa atenção total. Pareciam aéreos, não pareciam realmente estar ali, estavam absortos em seus próprios pensamentos, em seus próprios pesadelos.

– Com licença. – Minha educação sempre fora impecável, para falar a verdade, meus pais adotivos nunca tiveram o que reclamar de sua agregada, vulgo eu. Minha verdadeira mãe me ensinara a ser tão educada quanto qualquer garota do distrito um, apesar de não ser uma pessoa muito sociável, por favor e obrigado não faltavam em meu vocabulário. Empurrei um pouco a cadeira para trás e me retirei da mesa de madeira, cruzando a pequena rua onde eu residia, rumo a praia. Após algumas horas sentindo a água do mar tocar minha pele enquanto ajudava um pescador local com suas redes, voltei para casa completamente encharcada, onde minha mãe me esperava com uma pequena muda de roupas.

Ergui o vestido a minha frente, analisando-o minuciosamente. Era azul celeste, sua saia era um pouco rodada, e tinha alcinha. Nenhum detalhe nem nada muito chamativo. Sorri de canto, eu realmente odiava coisas muito berrantes ou que chamassem muita atenção para mim, acho que o rótulo de garota propositalmente invisível caía bem em mim. No banheiro vovó me esperava com uma bacia de água quente, onde silenciosamente me xingou por ter deixado meu cabelo molhar, sendo um pouco danificado pelo sal. Ela era perfeccionista ao extremo, pelo menos comigo, não queria que sua nova única neta ficasse feia perante as câmeras, caso esse infortúnio do destino viesse a acontecer.

Joguei uma toalha de algodão sobre meus ombros e rapidamente me sequei sozinha, enrolei a toalha em meu cabelo e parei defronte ao espelho, enquanto me vestia. O vestido até que caíra bem em mim, porém me deixava com cara de garota comportada e... Digamos que eu nunca fora lá uma garota comportada, mas não que isso importasse para a minha querida avó, que já secava meus cabelos e os prendia em um rabo de cavalo alto, penteando de modo uniforme minha franja e calçando em meus pés sapatinhos de salto, eu tinha dezessete anos! Sapatilhas de boneca não eram lá a coisa mais adequada para uma menina da minha idade.

E então eu estava pronta, pronta para ser indiretamente apresentada a morte. Mas já que era para sermos ignorantes como os cidadãos da capital, teríamos que dizer que estavamos caminhando rumo a um futuro brilhante, ridículo. Minha mãe agarrou-me pelo pulso, quando me virei, percebi que a mesma estava atônita. Parecia querer de alguma forma me pedir para não ir, como grande maioria das mães faziam. Em uma tentativa de dar a ela um ponto seguro, sorri e a abracei apertado, sentindo em mim sua dor. Era difícil não só para ela como também para os outros, eu sabia, mas infelizmente se alguém podia fazer alguma coisa, não era eu. Transmitir um pouco da minha confiança para minha família era o mínimo – e o máximo – que eu podia fazer por eles que de tão bom grado me acolheram em sua casa.

Caminhei então solitária pelas ruazinhas do distrito quatro, sentindo aquela brisa marítima bater contra meu rosto, tomando essa pequeno momento para refletir sobre os últimos acontecimentos de minha vida, coisas que foram totalmente ocultadas pela volta de Emily, coisas que haviam se perdido no tempo, coisas que julgávamos ser eternas. Quando dei por mim, já estava defronte a pacificadora do distrito quatro, mal havia percebido que havia entrado na fileira das meninas de dezessete anos. Apenas senti a picada uma vez na vida, mas ainda sim me lembrava que não doía muito, um pequeno incomodo talvez. A mulher fora indelicada comigo, puxou meu braço e, impaciente recolheu a amostra de sangue, talvez com um pouco mais de má vontade que antes, meu dedo latejou.

As pesos ao meu redor exalavam diferentes expressões, mas pelo menos uma era detectável em todas elas, inclusive em mim. Todos pareciam desconfortáveis de alguma forma com a situação. Alguns ainda estranhavam a mudança, já os mais novos que completaram doze anos nos últimos quatro anos, pareciam bem mais assustados que o normal, provavelmente não consideravam a ideia do massacre que futuramente poderiam ter que participar. Esse era um grande problema do ser humano, olhar para o lado bom é ótimo, mas nem tudo é um mar de rosas, quando a coisa está boa de mais, não custa nada desconfiar. Já outras pareciam apreensivas, ou então na expectativa de que alguma coisa acontecesse, ainda pareciam não acreditar no que estava acontecendo.

Eram muitas coisas, muitos sentimentos, novamente fui levada para uma atmosfera imaginária, voltando para a realidade somente quando a voz da enviada da capital ecoou pelos alto falantes. Eu podia já ver Deisler e Manuela sentados cada um em uma cadeira. Deisler como sempre não parecia muito sociável, procurava sorrir algumas vezes, já Manuela parecia bem mais confortável com a situação. Era o primeiro ano de Deisler como mentor, e possivelmente como o meu mentor. A enviada da capital se chamava Helô, tinha cabelos azul marinho e uma pele levemente arroxeada, seus lábios eram muito bem delineados com um pincel de boca azul marinho, bem similar a cor de seus cabelos, e vestia roupas “típicas”, ou pelo menos o que a capital achava que vestíamos, acontece que não se vendem muitos vestidos de escama de peixe artificial por aqui... Sua voz era doce e ao mesmo tempo inocente, ela nos olhava com um sorriso no rosto, parecendo inteiramente satisfeita com o que via, e eu já podia imaginar o que pensava.

Provavelmente pensava algo como o lindo banquete que tinha a sua frente, ela presenciaria a morte de cada um de nós, ano a ano, e nunca teria um filho sequer destinado a tortura. Não via aquele filme a anos, o filme que marcava a “história” dos jogos vorazes, que na realidade não passava de uma forma de nos amedrontar, como a capital controladora sempre fizera por todo esse tempo, sempre fazendo tamanha questão de nos diminuir, e deixando bem claro que não tínhamos poder algum sobre eles. Era chato, era realmente um saco. Quando o filme se finalizou, a mulher sorriu e com aquela típica frase que todos os posts praticamente a cima citaram dizia todos os anos, levou sua mão até o recipiente de vidro transparente, onde continha milhares de nomes de diversas meninas, o meu já deveria estar ali centenas de vezes, vai saber. Ela dedilhou os diversos papeizinhos até finalmente retirar um deles de dentro, ela o abriu e sorriu, abrindo um pouco a boca para falar o nome da sortuda, ou seja, a que estava condenada a morte.
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Re: A Colheita

Mensagem por Yuri Schneider em Sex Mar 01, 2013 11:08 am

"Corra seu inútil, corra o mais rápido que puder ou vai ser morto!"

Ele tentava mover seus músculos mais rápidos, aquela ordem o estava deixando atordoado, a voz rouca de um homem que gritava em sua cabeça e a fazia latejar, cada vezes mas alto por fim o rapaz não aguentou e caiu de joelhos mas não sentiu a dor do impacto, levou as mãos a sua cabeça e gritou, tentou gritar mais alto que a voz que ecoava dentro dela, mas parecia impossível, por fim o silêncio tomou conta, enquanto seu corpo tremia ainda nervoso....


Não foi a melhor forma de acordar, mas era a única reação que teve depois daquele sonho, sentou-se de forma abrupta e demorou alguns segundos antes de perceber que estava em seu velho quarto ao invés daquela paisagem nublada que via a pouco, o silêncio predominava ali, exceto pelos pássaros e sons de passos mais distantes, ele apertou as mãos contra o lençol que estava debaixo de si, ainda um pouco arfante o garoto sentiu que seu corpo estava suado, sua camisa grudava e seus cabelos estavam em sua testa, ele respirou fundo olhando um pouco atordoado a sua volta, por fim pousou o olhar na poltrona ao lado da cama, nela estava estendida a roupa que ele iria vestir naquele dia, sinceramente ele via algo desnecessário nisso, arrumar-se para entregar dois jovens a uma carne ficina, mas não tinha escolha então obrigou seu corpo a se mover, coisa que ele parecia se recusar com vigor, Yuri pôs os dois pés no chão ainda sentado na beirada da cama, olhou para a janela na parede oposta, e viu a luz entrar de forma calma e sorrateira, como que para dar o bom dia ao rapaz, ele suspirou e se levantou, fazia tempo que não sentia o peso que aquele dia proporcionava,e ele caminhou de forma lenta e desanimada em direção a cozinha, lá abriu a geladeira e não avistou nada como de costume, apenas suspirou e pegou um pedaço de pão jogado em cima da pia, colocou o mesmo na boca e foi em direção ao quarto onde tirou as roupas molhadas de suor, o rapaz se virou para a janela uma ultima vez enquanto terminava de comer o pão, morava sozinho e ele não sabia exatamente se isso era um problema, quer dizer, não completamente sozinho, o unico companheiro que tinha agora rosnava baixo em cima de sua cama o olhar fixo em seu pão,Yuri jogou para o mesmo que abocanhou e pôs-se a comer freneticamente como se o alimento fosse fugir dele, Buster era um Husky animado e companheiro, isso mantinha o bom humor do rapaz. Por fim, o garoto tomou um banho e pôs-se a vestir enquanto deixava sua tv ligada no mudo, não queria realmente ouvir o que tinham a falar, ele iria apenas fazer o que tinha de ser feito.
Ao sair de casa via as pessoas passarem nas ruas, algumas choravam em silêncio, outras de certa forma animada e bem vestidas, ele não conseguia compreender isso, talvez qualquer forma de festa animasse eles, mesmo que fosse esta. Yuri caminhou em direção a praça central, seguindo o rumo de todos, ao chegar lá já havia uma grande fila e ele ficou atrás do ultimo, não reconheceu o garoto baixo e gorducho a sua frente que parecia estar aos prantos, Yuri tentou ignora-lo lembrando-se de seu sonho, sabia que conhecia aquela voz mas não se lembrava ao certo de onde e isso o estava frustrando demais, por fim uma mão tocou de forma suave seu ombro e ele olhou para trás, era seu antigo amigo que estava sempre sorridente, com exceção desta data, mas ele podia compreender afinal os dois perderam a garota que amavam para capital, a mesma garota.

'-Oi, Henrique.

Yuri disse de uma forma não muito animada, seu amigo parecia igualmente perturbado por tudo aquilo.

'-Grande dia não?

Os dois assentiram, não tinham muitas palavras para trocar, por mais que um torcesse pelo outro e compartilhassem de igual dor, eles ficaram em silêncio se olhando por algum tempo, antes que Yuri se virasse para frente, bem a tempo, sua mão foi pega de forma brusca por um homem com roupas brancas que parecia de mal humor, o rapaz não o culpava por isso mas sentia vontade de mata-lo, ele sentiu uma leve pontada que o fez produzir uma careta involuntária, logo ele foi mandado continuar e assim o fez, sem questionar, todos ali pareciam robôs da capital, a mercê dela o tempo inteiro e tudo que ela dava em troca eram suas poucas palavras que as vezes parecia contentar alguns, bufou baixo, tentando ser discreto caminhou de forma vagarosa para o lugar ao lado de seu amigo, ali ele parou olhando fixamente para o palco, podia ouvir o soluçar de algumas pessoas, mas manteve-se preso nele mesmo enquanto via o "show" começar seus olhos analisavam de forma minuciosa cada parte do palco construído, ele viu o video que se passou, as pessoas em cima do palco, ele detestava tudo aquilo, eles eram o lado ruim de Yuri, o lado que ele odiava. Por fim, viu uma garoto subir ao palco, não se deu ao trabalho de analisa-la de forma minuciosa, apenas a observou como deveria fazer, enquanto a mesma se pronunciava, ele estava absorto em seus próprios pensamentos, mas sentiu até mesmo sua respiração cessar quando ela pôs a mão para pegar o primeiro papel....
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Re: A Colheita

Mensagem por Cazie D'Wöler em Sex Mar 01, 2013 3:13 pm

# A Colheita }
Foram longos quatro anos de descanso, quatro anos em que foi possível sonhar com um futuro melhor, mas a hora acabou, todos tinham celebrado o fato de que Emily não estava mais entre nós, sua morte, desaparecimento ou quaisquer coisa que fosse, mas agora não podíamos mais celebrar nem nada, ela estava de volta, trazendo junto os outros quatro que havia desaparecido com ela, não sei que tipo de lavagem cerebral eles sofreram ou se sofreram, se estavam diferentes ou não, mas tendo Emily por perto nunca se sabe ao certo o que aconteceu, até a hora que um deles resolva revelar tudo.
Panem estava de luto, menos a Capital, ela celebrava, era fácil para eles, muito fácil pra ser franca, eles não tinham que ir pra uma arena, encarar o que encarávamos todas as vezes, ter seus entes mortos, eles só torciam pra que a carnificina aumentasse e nada mais, apenas um bando de seres perturbados, mimados e babacas, as vezes eu me encontrava feliz por não fazer parte daquele seleto grupo de pessoas particularmente perturbadas que se chamavam “Moradores da Capital” preferia arriscar meu pescoço na Arena, morrer por lá ou ser idolatrada do que torcer para a morte de semelhantes, mas pessoas são pessoas, jogos são jogos e naquele só havia um vencedor e teria que ser eu a todo custo.

Manhãs de Colheita nunca eram bonitas e felizes, eram manhãs de marcar destinos, sejam eles felizes para daqui alguns dias consagrar outro campeão, ou seja, fatídico que era perder um ente querido, pros tão azarados quem sabe dois. Pra mim quatro anos tinham sido de grande utilidade, por mim os que sumiram poderiam sumir até mais dois Jogos, assim eu já teria idade o suficiente para não participar, para muitos era sua primeira colheita, para alguns a última, aquele intervalo de quatro anos deixou muita gente feliz e muita gente angustiada para o segundo ato, ninguém sabia o que tinha acontecido, eu não dava a mínima, só queria ir pra colheita e pronto, mentalmente eu queria não ser escolhida por um lado, eu não queria ter que estar em total adrenalina e ter que morrer lá dentro, dar game over, um ades sem direito a volta, muito menos sujar de sangue minhas mãos. Vendo por outro lado nunca mais sentir esse medo que eu tinha agora, que invadia meu interior e que me deixava angustiada era bom, pelo menos até que Emily resolvesse que os antigos ganhadores deveriam ir pra Arena, além de ser consagrada campeã e vangloriada por toda Pane, mostrar a todos o poder do Distrito um.

O medo poderia ser o meu mais fiel aliado, ou quem sabe aquele que me derrubaria no chão e daria certeza de uma morte certa, eu não tinha medo, tinha curiosidade, tinha vontade de lutar, de acabar com aquilo, de abraçar meus pais e dizer “ Acabou, não tem mais colheita pra mim “. Era tudo muito confuso, eu jamais entendera o porque de termos que lutar, porque a Capital nos tratava como animais, éramos pessoas como eles, talvez até melhores com nosso poder de perdoar, poder que a Presidente parecia não ter na maioria das vezes.

A esperança é a última que morre, pois ela persiste em ficar com você quando as coisas mais difíceis lhe tomam por inteiro, a esperança é a vontade que nos faz lutar, não é a sorte ou os conhecimentos, é o impulso que nos empurra pra frente, que nos faz lutar e desejar aquilo que queremos, seja ela a glória, a vitória majestosa ou simplesmente a vida, deveria ser fácil viver, mas não é, complicamos demais, somos obrigados a isso. A esperança nos move para frente, nos joga contra uma parede de possibilidades, nos mostra o caminho e como é árduo aprender a andar.

O quarto ainda estava escuro, mas o sol já começava a dar sinais lá fora, tinha chovido um pouco pelo distrito um nos últimos dias, talvez um sinal de que a tristeza voltara para nós, que duas crianças inocentes iriam para um destino fatal que talvez se um delas fosse boa o suficiente ela voltaria ou nem voltaria. Lembro-me como se fosse ontem, da última vítima do nosso distrito a esse fatal destino, a jovem Selena Lammel, já faziam cinco anos, hoje ela teria vinte se não tivesse ido a arena, ou se estivesse triunfado depois de sua morte não vi mais Christhopher seu pai, nem Rachel sua irmã mais nova.

As cortinas mantinham-me no meu casulo, talvez eu ainda não estivesse pronta pra me tornar uma borboleta, talvez eu quisesse ficar ali no meu mundinho onde tudo era mais fácil, menos sangrento e não me dava tanto trabalho, mas eu tinha que sair, encarar a todos com um olhar superior, não que eu fosse superior, mas as pessoas tinham que pensar isso, todos temiam pessoas superiores, nem sempre eram as mais espertas ou inteligentes, mas só por ter o poder em suas mãos tornava pra elas tudo mais fácil, as vezes mais agradável, por isso eu queria ser vangloriada por toda Panem, poder, era isso que me movia, o poder e a vontade de me manter viva naquele jogo bizarro e maluco.

Meus olhos ainda se mantinham fechados eu me recusava abri-los, queria pensar que os jogos, toda aquela carnificina fosse penas coisa da minha cabeça, fosse mais um pesadelo bizarro que eu iria acordar a qualquer segundo, era só fechar os olhos, esperar adormecer novamente e acordar em um mundo diferente daquele, onde morávamos numa sociedade justa, governada com alguém em suas plenas faculdades mentais, não alguém como Emily que fazia tudo, com todos, a todo momento, ela era a Presidente, tinha o poder em suas mãos, poderia fazer o que quisesse, até mesmo nos escravizar, como vazia com grande maestria.

Pro meu azar e de todos que não moravam na caótica Capital aquilo tudo era real, nosso momento de devaneios tinha acabado e lá estávamos nós prontos pra dar um “ Restart “ em toda aquela doideira em vez de nos sentarmos e resolvermos nossos problemas como humanos, por fim era o jeito Capital de resolver as coisas que sempre reinava, éramos quase cachorrinho obedientes, capital nos mandava sentar nós sentávamos, capital nos mandava rolar nós rolávamos, fomos adestrados durante os anos, as gerações seguintes aprenderam que não deveriam questionar.
Minha respiração estava ofegante, meu coração acelerado, por meio segundo me senti tomada pelo medo e pela angústia, aquilo realmente acabava com uma pessoa em segundos, podia ser realmente devastador, isso não deveria acontecer na Cornucópia, ou eu seria um alvo fácil, pensamentos a mil em minha cabeça me deixavam confusa e amedrontada, meu coração pareceu aquietar aos poucos, minha respiração se acalmou, parecia que eu havia despertado de um pesadelo macabro, mas o pesadelo não havia nem começado, eu ainda estava deitada naquela cama, fazendo daqueles minutos que eu ainda detinha só meus, em que eu não precisava ter medo algum, mas eu tinha medo por que eu sempre pensava no futuro, gostava de ver adiante, o futuro a mim pertence, eu deveria escrevê-lo, se para continuar andando eu deveria passar por cima de outras pessoas naquela arena eu passaria, eu seria a campeã, a sobrevivente escreveria um novo capítulo na história, em que eu seria a estrela principal, onde eu brilharia e não daria espaço para ninguém me derrotar ou apagar, jamais.

Meus olhos se abriram, primeiro o esquerdo e depois o direito, aquela pouca luminosidade já irritava meus olhos, pisquei algumas vezes antes de fitar por segundos o teto branco do meu enorme quarto, a preguiça consumia meu corpo naquela manhã, minha cabeça latejava um pouco, talvez fosse¬¬ meus pensamentos querendo pular pra fora da minha cabeça, eu poderia deixar ou prendê-los lá por mais um tempo, libertá-los seria uma boa opção ou não.

Passei a língua nos lábios, descolando-os então, eles tinham um gosto amargo, um gosto mórbido até, meu corpo estremeceu por um segundo ou dois, foi como se um elefante deitasse sobre mim e ficasse por lá me impedindo de levantar não é que eu não quisesse levantar, na verdade eu não queria mesmo, mas conhecia minhas necessidades, mas aquela sensação de algo sobre mim era cada vezes maior, não me deixava irritada, só um pouco mais sonolenta talvez.
As cortinas se abriram deixando a luz mais forte entrar, aquilo me deu uma pequena dor de cabeça e eu escondi minha cabeça debaixo do cobertor. – Acorde Srta D’Wöler. – Eu respirei fundo, aquela voz robótica do sistema de controle da casa realmente me irritava as vezes, joguei o cobertor no chão e fiquei ali observando o teto e a luz que adentrava o quarto, apoiei meus braços na cama e tentei me levantar, da primeira vez sem êxito algum, minha coragem naquela manhã em que eu podia estar marcada pra morrer dali alguns dias não me dava uma certa vontade de me levantar da cama. Da segunda vez eu quase conseguir, tentei jogar meu corpo pra frente, sentei-me um pouco zonza, eu estava faminta, meu estômago tocava uma melodia meio dramática que eu chamava de “ronco” .

- Filha já está acordada? - A voz da minha mãe ecoou pela enorme casa que ficava na Área nobre do Distrito um, saí de meus devaneios por alguns segundos, aquela pressão dos jogos estava me fazendo ser demasiadamente distraída, respirei fundo olhando pro meu quarto, meu cabelo ainda estava desgrenhado, eu trajava um baby doll e as cortinas não estavam mais fechadas. - Claro mãe, café está pronto? - Minha voz ecoou pelo quarto e foi ouvida por ela com toda certeza, eu sempre tomava café de manhã antes de treinar um pouco, desde meus dez anos era assim treinos e mais treinos, quando a presidente sumiu e os jogos foram temporariamente cancelados ocorreu o mesmo, eu nunca parei, pois nunca sabia quando iria precisar. - Como sempre, desça.

Encarei o quarto, deixa tudo aquilo pra trás se realmente fosse eu a escolhida do distrito um seria difícil, mas eu teria que encarar aquilo, respirei fundo e me abaixei pra pegar a coberta até então caída no chão, ela estava um pouco longe, me estiquei um pouco e acabei por cair com tudo no chão, não foi nada agradável o tombo que levei, meu cotovelo esquerdo bateu superficialmente no chão para evitar que fosse minha testa, um choque rápido que me deu mais preguiça ainda de levantar e encarar o mundo lá fora, mas eu precisava.

Sentei-me no chão, acumulando a preguiça que eu tinha, o chão estava frio e minha pele quente, o espelho do outro lado do quarto me mostrava, uma garota de porte mediano, longos cabelos negros como a noite que estavam uma bagunça e trajando um baby doll que precisaria trocar rapidamente. O café de esperava lá em baixo, mas meu primeiro desafio do dia era encarar o banheiro, eu tinha um longo banho a tomar, dentes pra escovar e uma preguiça pra mandar embora, mal de família, meu pai era outro preguiçoso, enquanto minha mãe era uma pessoa impecável.

Apoiei-me na cômoda ao meu lado e me levantei vagarosamente não tinha a menor vontade de ser rápida ou coisas do dia de hoje, eu só queria respirar fundo, ir pra aquela colheita, não ter meu nome retirado afinal e voltar pra casa, se bem que a possibilidade de ser vangloriada por toda Panem não era de longe ruim, mas os métodos pra chegar a isso me contradiziam no quesito querer fazer para alcançar, eu e minhas contradições diárias normal, coisa do dia-a-dia, se não fosse o fato de aquele dia ser destinado a colheita para nos levar a uma morte certa.

Meus passos eram lentos e meio conturbados, parei no meio do quarto girando o corpo rumo a janela, a vista não era o que se podia chamar de bela, prédios e mais prédios cercavam a mansão dos D’Wöler. – Espero não ter que ir buscar você aí em cima Cazie – A voz de minha mãe me despertou de meus devaneios e que eu deveria andar mais rápido, eu estava muito lerda, ela não poderia me culpar, aquela mulher não entendia os complexos de se estar com preguiça de correr para a morte foram sete colheitas para ela, ela nunca fora escolhida, conheceu meu pai pouco depois de sua última colheita, parecia que aquele medo tinha sumido dela pouco depois dela ter enfrentado sua última colheita.
Bufei baixinho, revirei os olhos e bocejei, o sono ainda tomava conta de mim, mas eu o jogaria para outro plano assim que eu entrasse no banheiro, continuei meus passos, parei novamente na frente da penteadeira, olhei minha figura mórbida e sonâmbula naquele espelho mediano, passei a mão em um prendedor de cabelo de cor caramelo e prendi meu cabelo em um alto rabo de cavalo, erguer os braços fora outro desafio, tudo em mim parecia um pouco preguiçoso ainda.
Olhei a porta do banheiro, era como se tudo que estivesse lá dentro me chamasse para um divertido passeio, de onde meu sono iria embora e ficaria a menina forte e menos preguiçosa. O roupão ficava ao lado da penteadeira endurado em um gancho na parede com as outras roupas, peguei-o com uma certa rapidez, foi o primeiro ato rápido que eu tive naquele dia, joguei-o sobre o ombro esquerdo e apontei pro banheiro com meio sorriso. - Próximo desafio! – Fiz um pequeno bico e parti andando rumo ao banheiro, agora sim toda aquela preguiça grudada em mim acabaria de fato ralo a baixo junto com a água.

Ao chegar ao banheiro deparei-me com o espelho a frente de mim, sorri olhando meu cabelo, agora sim estava organizado, um dos prós de se ter o cabelo extremamente liso que era quando se acordava com ele bagunçado arrumá-lo não era lá tão difícil. Joguei o roupão sobre a pia e sentei-me sobre o vaso que estava com a tampa abaixada, estiquei-me após abrir o box e liguei o chuveiro, o fechei e deixei a água cair enquanto eu criava a coragem para me despir. Delicadamente eu retirei a blusa do baby doll, eu não estava usando sutiã, joguei-a em cima da pia e fechei a porta, a agua que caía do chuveiro estava quente e com tudo fechado aquilo era realmente uma sauna, eu gostava de saunas, me levantei calmamente e retirei o short já junto com a calcinha os joguei sobre a pia também.

Adentrei no box e logo o fechei, a água quente teve um choque térmico com meu corpo bem mais frio em comparação a água, alcancei o sabonete, ele tinha cheiro de rosas, desliguei a água e comecei a ensaboar, passei o sabonete nas mãos e depois o devolvi pro seu lugar, comecei a esfregar o que estava nas minhas mãos pelo corpo, sem deixar uma só parte, tirando meu rosto, sem ser consumido por aquele perfume. Após isso liguei de novo a água, aquele véu quente me retirava parte do sono, mas me acolhia como colo de mãe não consegui evitar de sorrir e de me sentir confortada, desliguei a água, meu estômago roncou novamente, lá estava eu faminta e nua.

Saí do box e vesti o roupão, ao abrir a porta do banheiro o ar frio vindo lá de fora bateu contra meu rosto, uma sensação maluca e boa tomou conta do meu corpo, durante meu banho minha mãe tinha deixado uma roupa sobre a cama e possivelmente a arrumado, analisei o que ela tinha escolhido, uma calça justa escura, coturnos negros com pequenas tachinhas prateadas e uma blusa branca de mangas fofas e que era listrada. Despi-me do roupão jogando-o sobre a cama, peguei primeiro a calcinha e a vesti rapidamente, eu estava mais alerta depois de um banho, peguei a calça com a mão esquerda, enfiei a perna direita e depois a esquerda e a subi, abotoei os dois botões calmamente e puxei o sutiã que estava sobre a cama, ele era branco e abotoava na frente, me desentendi com a fechadura dele três vezes antes de conseguir, peguei a blusa e então a vesti, olhei-me no espelho da penteadeira, meu cabelo estava meio desgrenhado o que me fez soltá-lo, pegar a escova e penteá-lo mais uma vez até sentir que ele estava realmente bom.

Sorri ouvindo vozes no andar de baixo, dei uma última olhada e saí, meus passos no corredor não foram os mais rápidos nem os mais lerdos, eu apenas andei como qualquer pessoa andaria, sem me preocupar em ser apressada nem na possibilidade de estar ou não atrasada. Alcancei a cozinha rapidamente, respirei fundo adentrando-a então, meu pai não estava mais lá e minha mãe como sempre na sua pose de mulher rica de joalheiro estava cheia de brilhantes, com um sorriso impecavelmente branco e em cima de 10 cm de salto. - Coma querida, eu e seu pai podemos não estar aqui quando você voltar da colheita, não queremos que esteja faminta. - Ela ainda cogitava a possibilidade de outra ser escolhida em meu lugar, eu apenas sorri, respirei fundo e comi minha comida.

A minha frente tinha pãezinhos doces com recheio de chocolate eram três, parecia ser meus favoritos, além de um enorme copo de suco de laranja, minha mãe exibia um sorriso farto, e ao mesmo tempo apreensivo , ela e papai tinha passado uma vida feliz por terem passado por todas as colheitas sem ao menos ser escolhido em nenhuma, e aqueles quatro longos anos fizeram com que ela acreditasse que eu havia sido agraciada com uma chance de viver e de não ter que me submeter a aquilo.

– Mãe eu vou ficar bem ok? Fica calma – Respirei calmamente enfim começando a comer meu primeiro pãozinho de chocolate, ela não falou nada apenas mordeu o lábio inferior demostrando certo nervosismo, mostrando o quando ela estava com medo não só pra mim como pra ela também. – Você é uma única filha, eu passei quatro anos agradecendo o fato do que havia ocorrido, essa é sua primeira colheita, o que você quer que eu pense? São tantas garotas, mas pode ser você meu anjo. – Eu compreendia o medo e a ânsia dela, mamãe nuca quis mais filhos pois eram mais possibilidades de perdas, ela não costumava chorar, ela sempre via o copo meio cheio, mas naquela hora era meio difícil até mesmo para ela ver um lado bom aquilo. Eu já terminada de devorar os três pãezinhos e tomar meu suco, estava pronta pra sair.

Levantei-me abraçando minha mãe, tive que ficar na ponta dos pés, por que normalmente eu já era menor que ela, ela estando de salto então. Aquele momento durou por quase dois minutos, ela deu um beijo na minha testa e murmurou algo como “Cuide-se”, a soltei e caminhei até a porta, acenei pra ela, seus olhos estavam lagrimejados e logo fechei a porta, saindo do campo de visão dela e não tendo mais ela no meu campo também.

Pelas ruas os pacificadores começavam a juntar os jovens que estavam em idade para participar da colheita, eles me olhavam estranhamente me encaravam como se fossem me matar só por encará-los, eu não tinha medo deles de nenhum. Podia ver a aglomeração de jovens esperando para ter o dedo furado e a presença confirmada, eu gostava de sangue, mas quando não era o meu sangue além de dor não era a minha melhor amiga, mas era minha confidente pessoal.

Um pacificador me empurrou pra fila, eu o encarei com cara de muito poucos amigos, eu ia andando de acordo com a fila, escondia minhas mãos uma na outra, não queria ter que furá-la, a fila diminuía drasticamente a cada pessoa que passava por lá, minha vez ia chegando, eu era uma das últimas, não deveria ter enrolado tanto para sair de casa, principalmente da cama. Tinha apenas duas meninas a minha frente, fechei os olhos pedindo mais uma vez pra que aquilo, não era a pior sensação que eu sentiria na vida, mas com toda certeza iria estar no top 5, quando chegou finalmente minha vez eu ainda mantinha os braços cruzados, o homem que furava os dedos puxou meu braço, mantive a mão fechada, mas ele abriu sem fazer muita força e furou meu dedo fora um segundo ou dois para coletar meu sangue, mas senti que eram horas de dor e tortura, aquilo era coisa da minha cabeça. Logo fui empurrada rumo aos outros, olhei pra fila, tinham apenas quatro pessoas depois de mim.

Não tivemos que esperar muito para ver a mulher que acabara de chegar, ela tinha um semblante meio capital demais, eu estava no centro das meninas, me misturava com elas, eu tentava pensar qual delas teria o terrível azar de ir fazer um tour pela capital com direito a poder ser morta na Arena, eu queria que não fosse eu e na mesma hora queria que fosse, eu tinha medo , vontade e curiosidade, tudo junto e misturado.

– Como é bom ver carinhas novas, senti saudade de vocês, vamos começar, primeiro as doces damas do distrito um – A voz da mulher me irritava, meu coração disparava mais e mais a cada vez que ela mexia naqueles nomes, poderia ser o meu ou o de qualquer uma, aquilo me deixava com o coração disparado e se ela chamasse meu nome? O que eu faria? Esperaria alguém se voluntariar? Sorriria sarcástica? Eu não tinha a menor certeza. Ela pegou o papel e o olhou sorrindo. – Nome muito bonito para uma dama, bem vinda aos jogos vorazes querida ...
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Re: A Colheita

Mensagem por Hawk Goldstain em Sex Mar 01, 2013 8:09 pm

- Ei, príncipe. – Uma mão leve e quente toca minha testa, meus olhos continuam fechados, mas já estou acordado. Minha mãe acaricia meu rosto de uma forma tranquilizante para tentar me acordar de um jeito suave. Abro os olhos e observo-a com um olhar de choramingo, como se ela estivesse relembrando de um acontecimento antigo e doloroso, os Jogos Vorazes voltaram.

As remelas ainda prendem meus olhos de certa forma, levo ambas as mãos neles na tentativa de conseguir enxergar melhor o rosto de minha rainha, a responsável pela minha vida. – Você tem que se arrumar. – Diz ela, com os lábios tremendo enquanto fala. Depois disso eu começo a acordar de verdade, levanto a mão direta até o rosto dela e tiro uma mecha de cabelo que tampava seus lindos olhos verdes. - Está tudo bem, mãe. – Não iria afirmar que não seria escolhido para os jogos, porque seria mentira. Ela sai do quarto com os palmos no rosto, tentando esconder sua fragilidade.

Sento-me na beirada da cama só com uma calça de moletom. Eu estava preparado para hoje, afinal eu nunca tive muito medo da morte e receio de sangue. Claro, eu não sou um psicopata da Capital ou dos Distritos Carreiristas que fica contente em ver crianças morrendo, contudo creio que eu ficaria muito bem sendo rico e famoso, como um vitorioso. Levanto da cama e vou até um armário de bétula e tiro minhas vestes “especiais” da segunda gaveta, deixando-as sobre a cama para que depois do banho eu vestisse.

“Ei, galã. Você não é fraco.” Um defeito meu é conversar comigo mesmo, como se eu tivesse duas mentes. “Claro que sou, posso até ter um pouco de físico, mas nem posso ser comparado a um brutamontes do Distrito 2!” A água extremamente gelada escorre pelo meu corpo enquanto tomo banho, distraído entre meus pensamentos. “Cale-te! Sua inteligência é admirável para um garoto da sua idade.” Não sei, mas acho que eu estou começando a ter os sintomas de preocupação, como se esse ano as minhas probabilidades de irem para a Arena fossem maiores – e são.

Retorno para meu quarto, visto-me com uma camiseta vermelha e uma calça preta, sapatos formais de bico reto e uma jaqueta. Não uma jaqueta estilo rock, mas uma mais sociável que combina perfeitamente para a ocasião. Arrumo meu cabelo para trás, fazendo um topete mais disciplinado. Papai sempre disse que a aparência conta muito... mas quem é meu pai? Um antigo vitorioso do Distrito 3. E talvez seja por isso que minha mãe tema tanto que eu vá, já não basta minha irmã mais velha que morreu nos jogos quando eu tinha 1 ano de idade – que eu me sinto extremamente horrível por não sentir saudades – meu pai vive contando suas histórias na Arena, como era perigoso e tudo mais. Eu fico encabulado com elas, mas minha mãe se assusta.

Desço para o café da manhã e como um pão com geleia e um copo de leite. Nós não moramos mais na Ala dos Vitoriosos, mas não somos pobres. Tomo café sozinho, meus pais ainda estão se arrumando para o “grande momento”. O mais engraçado é que nos últimos 4 anos não tiveram Jogos Vorazes, foi um completo paraíso nos Distritos e suponho que um tédio na Capital. A presidente Emily e alguns mentores sumiram sem mais nem menos, ninguém sabe para onde, o motivo ou como... só desapareceram e Panem ficou sem governo e jogos por perfeitos 4 anos, mas tudo acabou. Eles voltaram e aparentemente mais sedentos, fico com medo da Arena deste ano por conta disso. Eu já visitei o Refúgio altas vezes, lá as pessoas comentavam mais sobre isso, alguns diziam que era obra do Distrito 13 e a maioria falava que eles foram sequestrados ou algo assim, para mim é tudo golpe de mídia.

- Pronto, meu príncipe? – Minha mãe desce as escadas com Esmeralda, minha irmã mais nova, no colo. Elas eram quase idênticas; olhos verdes, cabelos cor de mel e uma bochecha fina e macia, com sardas. – Estou. – Digo rispidamente, observando meu pai descendo as escadas. Ele como sempre usa um terno branco com a gravata de uma cor chocante, era ridículo ele insistir em usar aquelas roupas da Capital, nós estávamos no Distrito 3! – Pois é filhão, já conversamos sobre isso. – Nossas conversas eram legais, ele me contava sempre algumas coisas de tecnologia e construção, típica coisa de residentes do nossos distrito, eu sou bom nisso. Em construir e coisas assim. Mas ele também me ensina a sobreviver e lutar de vez em quando – minoria –, porque tenho certeza que ele espera que um dia eu seja escolhido ou que eu seja um voluntário, para fazer com que a família Goldstain tenha mais um vitorioso – ou mais um morto.

Caminhamos sem trocar muitas palavras até a praça, onde ocorreria o evento. Dou um beijo na testa da minha mãe e percebo que lágrimas escorrem pela sua face, um forte abraço no meu pai e em Esmeralda. A família realmente me motivava a viver. – Quero que saiba que nós te amamos e somos felizes por termos você como filho. – Mamãe diz, segurando Esmeralda no colo que não entende quase nada, só da uma risadinha. Ela sabe que eu sou muito bravio e audacioso, talvez ela pensasse que eu podia me voluntariar, mas não gosto deste “bla bla bla” de despedidas, afinal se eu for mesmo escolhido – algo que eu duvido –, eles ainda falarão comigo em uma sala reservada da prefeitura ou sei lá onde.

Caminho sozinho até a identificação, é como eu chamo onde há o reconhecimento, tenho vários amigos, porém prefiro ficar sozinho ou com a família em uma hora dessas, mas como a segunda opção não é viável, terei de me consolar andando sozinho. A moça da Capital pede para que eu me identifique e digo meu nome e idade, ela tira um pouco do meu sangue com um aparelho e eu sinto como se fosse uma picada de formiga. Informo também meu sangue (O+) por obrigatoriedade, depois disso me locomovo até a fileira da minha respectiva idade, aguardando o show começar.

No palco, depois de um tempo de atrasos e conversas de Pacificadores, uma mulher de cabelos verdes enormes que parecia mais uma peruca entra no palco, dando para ouvir seu sapateado até o microfone, seu nome era Tohun Dilevff, era a mulher que representava a Capital no Distrito 3 e vice-versa. Ela nos da as melhores boas vindas para o retorno dos jogos – e que privilégio – e faz alguns pequenos discursos, com ajuda do prefeito. Em uma espécie de telão passa o famoso filme dos jogos que me faz arrepiar. Sou bravio, mas não insensível.

E chegou a hora, como de costume ela levanta o dedo indicador que quase é invisível no ar de tão branco e fino, dando para perceber somente a unha extravagante dela de zebra, e diz que irá sortear os nomes dos futuros tributos que representarão o nosso distrito na Arena. – Primeiro as damas, hihi. – Diz ela com uma típica risadinha maliciosa no final da oração, caminhando até a bola de cristal da esquerda, onde ficam os nomes das garotas. Ela enfia a mão lá e começa a mexer os papéis. Chance mínima, uma agulha no meio do mar. Ser sorteado era quase impossível, o nome da garota do Distrito 3 já saia da ponta da sua língua, era...
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Re: A Colheita

Mensagem por Debbie Lakeesha Dinwiddie em Dom Mar 03, 2013 7:31 pm



A volta dos tempos de ouro.
Seria essa minha chance?

N
ão sei se sou uma maníaca, não sei se sou louca por mortes, talvez isso seja apenas um reflexo de minha personalidade psicopata. Mas essa sou eu, e não há o que fazer. Sim, eu estou feliz com tudo isso, eu estou mais do que radiante. A volta... Tudo de novo. Mais mortes. Mais honra para meu distrito, mais reconhecimento. Sim, ela voltou... A rainha voltou, e com ela suas quatro cobrinhas criadas também surgiram. E tudo está em seu devido lugar, para mim, está em seu devido lugar. É, mais uma vez o pessoal de meu distrito vai poder mostrar quem é o melhor, isso me enche de orgulho. Mas... De alguma forma... Eu poderia ir, não? Não tenho medo da morte, não tenho medo da capital e não tenho medo de quem quer que seja. Os Jogos são fáceis, é só um sistema fútil e frágil. E estudando alguns detalhes, é fácil notar que para ganhar não precisamos necessariamente de força física. Sim, força física ajuda, porém a inteligência pode valer muito mais em alguns detalhes. Assim muitos vitoriosos ganharam, usando a inteligência.

Certo... Até que ponto alguém pode ser inteligente? Afinal, eu nasci em um distrito carreirista. Esse é um dos motivos de minha felicidade atual. Mas, lutando desde pequena para aprimorar minha força... Como posso então burlar detalhes dos jogos e vencer? Espera, isso se eu estiver nos jogos, claro. Acordo assustada, não com o fato do grande dia ser hoje, mas com algumas situações que me colocam em risco. Como por exemplo, o voluntariado. Afinal, se não me chamarem para os Jogos, por que não levantar meu braço e simplesmente me voluntariar? Pode parecer fácil, mas há um sistema por trás disso. De qualquer forma, quais são minhas chances de entrar nos jogos? Levanto cansada, quando toco os pés no chão gelado penso seriamente em voltar para meu conforto, minha coberta, minha cama. Mas não posso, ou me atrasarei. Calmamente ando até meu banheiro, dou um sorriso ao notar a água quente com pétalas de rosas na banheira, obviamente minha mãe preparou. Sei que isso é um luxo que poucos distritos tem, mas quem se importa? Eu, não. Já sem roupa mergulho na banheira, criando ondas na mesma que logo se transformam em bolhas por conta do sabão. Respiro fundo e tranco a respiração, mergulhando a cabeça na banheira. É nesse momento que um flash invade minha mente, como sempre acontece por meus problemas psicológicos. Estou no fundo de um lago, com roupas de moletom, uma espada na mão e um garoto bem mais velho e mais forte me batendo. Sei onde estou, a arena. Não comando meu corpo, de modo que não me surpreendo ao ver minha mão girar por trás da cabeça do garoto e a espada descer em minha direção, caindo em meu peito minha mão e a cabeça do menino. Sim, o matei. Levanto da banheira, sufocada.

Tento não pensar muito nos detalhes, ou no flash. Coloco o vestido preto já separado por mim ontem, separo meu par de botas de couro preto. Acabo colocando algumas pulseiras e por fim um leve retoque em meus olhos, com maquiagem. Ocasião especial, roupa especial. Desço as escadas que levam ao andar de baixo, minha mãe já não está em casa, nos dias da colheita ela sai mais cedo para as malditas apostas. Ela comandava um grande grupo de pessoas que apostavam os nomes dos tributos sorteados, ou dos que se ofereceriam. Assim, mesmo quatro anos depois, lá vai ela com seu grupo de pessoas. De qualquer forma, não importa. Sento-me na mesa de café da manhã, corto parte do bolo de laranja e por cima jogo o creme também de laranja feito por minha mãe. Em meu copo coloco suco de uva. Aos poucos vou comendo e bebendo, por fim corto uma maçã e a como em tirinhas. Deixo tudo ali, em qualquer lugar mesmo. Minha casa é na frente da praça, por isso não preciso me preocupar tanto com o horário.

Prendo meu cabelo ruivo em um rabo de cavalo alto, cruzo os braços a frente do corpo e saio sorrindo pela porta. Atravesso a rua e por fim entro na fila de inscrição, já pequena. Uma pacificadora me chama, estendo meu dedo a mulher e meu sangue é coletado. Ando até o grupo das meninas de quinze anos, e ali avisto minha mãe. Ignoro o olhar pesado da mulher sobre mim. Logo a mentora sobe no palco, junto com o prefeito e a mulher da capital. Nunca aprendi o nome da mulher da capital, na verdade, nunca dei importância. Suas roupas com cores artificiais, seu olhar absolutamente maquiado, seu cabelo horrivelmente falso... Tudo isso me assusta. Ignoro o ritual que se segue, discurso do prefeito, leitura do nome dos vitoriosos, mais umas palavras antes de um vídeo fútil e sem importância, e por fim a mulher da capital assume o microfone.

Observo ela dizer com orgulho que sortear os nomes do primeiro distrito é uma honra, afinal somos os queridinhos, certo? De qualquer forma, ela parece bem feliz de estar aqui. Então sem enrolar ela diz que irá sortear primeiro o nome das meninas, sorrindo a mulher colorida segue ao globo das meninas, ela demora um pouco remexendo os papeis e tira um. Cruzo os dedos e fecho os olhos, abominando o momento que escutarei a voz da mulher dizer o nome da menina com sorte, a que vai trazer honra ao nosso distrito. Internamente peço para escutar meu nome.

Post nacolheita com muitas palavras. As pessoas citadas ao decorrer da ação são meus familiares e ela se passa no Distrito 1 . Debbie está vestidoum vestido preto. E eu gostaria de acrescentar que fui formal aqui -q.




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Re: A Colheita

Mensagem por Yandel S. Stafford em Dom Mar 03, 2013 9:16 pm



Colheita
Tick, tock. O barulho do relógio era esse. Boom! Uma tempestade erguia-se durante a madrugada, trovões, relâmpagos, e raios que acertavam os para-raios do meu distrito. Ouço um barulho, especificadamente fungadas fortes, daquela que se ouve apenas quando tem falta de ar. Era Jeff, o meu primo de 11 anos. Onze anos a idade suficiente para trazer a desgraça do mesmo. Tenho dó dele, ele chegou na idade de sua primeira colheita, de alguma maneira essa seria minha segunda, eu tenho dezesseis anos, mas, mesmo assim era a segunda, o motivo era simples: a paralisia de quatro anos, devido ao desaparecimento da presidente Emily. Bom, isso não foi algo ruim para muitos, dos distritos desafortunados, aliás, para eles é como uma glória: Nossa, o fim dos jogos vorazes; Opa. Não é o fim. Emily está de volta, para nos mostra de novo que não devemos nos rebelar contra a Capital, que não devemos ter nossa força de expressão, apenas que temos que lutar até a morte, ou até a vitória.

Levantei da beliche, e fui para o chão, e no primeiro nível encontrei Jeff, com lágrimas descendo em seu rosto. Olhei para ele, encostando minha mão em seu rosto gelado. Ele não queria mais permanecer calado, não, ele preferia se expressar de alguma maneira; " Eu não quero ir para os jogos... Eu nunca treinei! Não me deixavam ir ao instituto carreirista, aliás, eu sou apenas uma criança, sem estrutura corporal apropriada. Eu só não quero ser "o escolhido", não para ver a minha desgraça, e a derrota de minha acompanhante. Por favor Yan, não deixe que isso me aconteça..." Jeff, estava com seus olhos fixos em mim, um brilho intenso ocupava o mesmo, era esperança, esperava que eu tirasse seu medo, que eu dissesse algo que o encorajasse, para que ele nunca mais seja fraco. " Não seja medroso Jeff, você sabe como é nosso distrito. Já ouviu falar que os nossos habitantes costumam se voluntariarem quando tem mais ou menos uns quatorze, quinze anos?" Eu disse, e de alguma forma, ele virou seu rosto para a parede, mesmo não tendo motivos aparentes para fugir de mim. Chorando, ele estava chorando.

" Olha, eu não quis te magoar. Não seja receoso, Jeff. Eu sei que nada lhe acontecerá, aliás, é sua primeira colheita. " Jeff olhou para o meu rosto novamente, mas agora, mais lágrimas escorriam, com mais rapidez. Seus olhos brilhavam mais do que nunca, mas era um brilho diferente, as sobrancelhas estavam em uma posição que demonstra um único simples sentimento: Medo. Não gostava quando ele ficava assim, ele era o contrário do que eu era, ou o que eu queria ser. Eu, por causa da morte de meu irmão virei um garoto completamente corajoso, que poderia enfrentar qualquer coisa dita como perigosa. Eu faria tudo para conseguir a vida de Joshua, ou talvez, a honra dele. Daí, eu pensei: Tentar ir para os jogos, mas sem se voluntariar. Talvez fosse esse o ano em que todos os carreiristas iriam ficar mais quietos, sem ninguém querendo se voluntariar. A paralisia pode ter mudado o estilo de vida de muitos, ou talvez, apenas o pensamento deles. Mas, de qualquer forma, eu teria chances, queria ter colocado meu nome várias vezes para mostrar como sou rebelde, que saio dos padrões do distrito, para mostrar que eu consigo entrar para os jogos sem ao menos ter que me voluntariar, mas, serei franco: Eu não fiz isso.

" Yandel... Se você for para os jogos... Se por acaso morrer, não que irá, mas isso quer dizer, que assim os Svrany serão motivo de riso?" Disse o garoto, com uma voz inocente, mas nem tanto; quer saber, isso realmente doeu, não por ter lembrado da patética morte de Josh, mas porque me fez pensar num futuro, uma modificação na linha do tempo poderia realmente trazer isso. Dois irmãos mortos, ambos mortos na arena. Isso realmente não é algo normal, não no distrito dois. Aliás, duas mortes de membros da mesma família com a mesma causa em tempos diferentes. Isso é completamente novo para meu raciocínio, mas é algo possível. Quer saber, foda-se meus sentimentos, a minha lógica, vou responder de uma vez por todas, e é claro que serei sincero; " Para os Staffords, depois de um pai vitorioso morrer com uma doença crônica, aí um dos seus filhos morre na arena, e agora, em seguida, talvez o outro. Sim, vai ser um motivo de piada, e não só para o distrito dois, mas para TODA PANEM!" E como eu tinha pensado, Jeff ficou magoado, se sentiu culpado por ter perguntado aquilo, ele então, acomodou-se na cama, se virou para o outro lado, e me ignorou desde então.

Não quis mais olhar para ele também, e daí o garoto, ele sabe se virar, aliás ele está entrando em sua pré-adolescência, tem idade suficiente para entender o quão ele foi burro em me enfrentar, ou melhor, enfrentar toda nossa família. Corri até a cozinha, vi minha mãe preparando o café da manhã, ela virou-se para mim para dar um bom dia, mas parou na primeira sílaba ao ver que eu estava bravo com algo, minha expressão sempre muda quando se trata de algo assim, ela sabe muito bem quando estou feliz, triste, bravo, revoltado, indiferente, ou seja, ela sabe quando estou com qualquer sentimento. A tempestade tinha acabado, tornado-se um chuvisco, e por fim parou. Fui para a varanda e sentei em um daqueles bancos de madeira estilo inglês. Minha mãe veio atrás de mim, confusa, queria saber o que se passava. " Filho, o que aconteceu? Você mal acordou, e já está assim. E qual o por quê de estar gritando no seu quarto, ein marmanjão?" Disse ela, segurando sua cintura, fitando-me com um olhar desafiador. Eu rangi meus dentes, mas me forcei para não gritar, aliás, mãe é mãe e apenas ela pode me corrigir e brigar comigo, pelo menos hoje em dia... " Olha mãe, eu já cansei de Jeff por aqui, ele me desafia todas as manhãs, ou se não me desafia, é ele quem não sabe escolher suas palavras, o que perguntar. Tudo é algo que envolva insultos!

Minha mãe agora parecia brava, e com certeza iria falar algo sobre a idade dele, mas eu nem liguei, só ouvi zumbidos saindo de sua boca, eu olhei para a janela, e lá vi o garoto chorando, ele ouviu tudo. Não queria vê-lo chorar, iria me sentir culpado demais, mas é que... ele mexeu com meus sentimentos, não queria demonstrar minha figura revoltada, não queria ser desse jeito, mas é assim que eu sou, e não há nada que possam fazer. Eu tenho ataques de raiva frequentemente, e isso impede que eu faça muitas coisas, e é por isso que eu tenho cicatrizes de cintos, saltos-altos, tapas em meu rosto. Minha mãe é mais uma daquelas mães de Panem que gostam de bater de maneira forte, para demonstrar o poder que não tem, para demonstrar o quão errado o filho é, mostrando assim, o quão errada ela também está. Ouvi a última palavra de minha mãe, um simples 'Entendeu?'; O que eu deveria responder? Se nem ouvido eu tinha... Mas, sei que se respondesse não, eu ia parecer rebelde demais para seu gosto, mesmo que eu realmente seja. " Claro, e me desculpe por isso, não irei repetir esses tais atos. ", minha mãe deu um sorriso sarcástico, demonstrando seu poder, e de alguma maneira, eu senti que ela realmente tinha, pois eu, senti medo.

Corri até os fundos da casa, encontrei minhas pequenas adagas. Tinham alguns troncos que eu trouxe pra cá, para treinar e não machucar nenhuma árvore. Troncos velhos, posicionados estrategicamente. Em diferentes ângulos, todos para que eu possa arremessar minhas adagas de um mesmo local, e quem sabe eu acerte. Era legal treinar, mas, agora não tinha bem aquele clima para treinar, não antes da colheita. Não queria pensar mais em nada, olhei para ali por uma última vez, dei um sorriso, lembrando dos treinos que tive com Yandel antes de sua partida, em todos os sentidos, o da morte, e de ir para longe e nunca mais voltar. Parei de sorrir, ao lembrar da parte ruim. Larguei o lugar, corri para dentro de casa, onde vi Jeff sentado na mesa de jantar, eu o chamei para perto de mim, e lhe dei um abraço. " Sério, primo, me desculpe por meus tais atos rebeldes." Ele deu um sorriso, e me disse algo que me fez congelar: " Que a sorte esteja sempre à seu favor. ; Não isso não poderia ser real, não podia.

Engoli em seco e fui direto para a mesa de jantar, e não quis mais falar nada. Todos me fitavam, questionavam por que eu estava tão calado, um garoto rebelde por que estaria assim? Não, eu não gosto daquela frase, isso me faz lembrar de tudo que é ruim, de tudo que já perdi. Relaxei um pouco e comi meu lanche, um pãozinho com geleia de amora, um café quente com cubos de açúcar, e uma laranja selvagem, cujo a mesma tinha um gosto não muito bom, mas armazena, como qualquer fruta, muitas vitaminas, e de qualquer maneira, amo frutas mesmo que seu gosto seja o pior de todos. Fui para o meu quarto novamente, e fiquei relembrando da frase que Jeff havia dito, com sua voz modificada, com seu sorriso maléfico, Jeff não era daquele jeito, era ele que estava com medo dos jogos, e não eu, e isso mudou. Parei de pensar po um tempo, relaxei, enxi meus cérebro com pensamentos sobre minha roupa, eu tinha que parecer formal, e não insolente durante a colheita, todos vão bem arrumados, sempre. Peguei meu suspensório preto, uma calça marrom com pregas simples e pequenas nas proximidades do local onde se fixa o cinto, uma camisa de abotoar. Jeff já estava pronto. Minha mãe deu um beijo na testa de cada um de nós, mas, eu pelo menos passei minha mão nesse mesmo local para tirar a marca do batom, já Jeff estava bastante satisfeito com isso.

" Iremos tirar o sangue para nos identificar, entendeu? Não dói nada, talvez um pouco. " Eu disse confiante, tentando tirar da minha mente o que ele tinha feito anteriormente. Ele olhou para mim e mexeu a cabeça em um gesto positivo. Chegamos à praça principal, na frente do edifício da Justiça. Eu andei numa fila enorme, até chegar numa mesa onde se encontrava um homem com cabelos coloridos, ele era da capital claro. O mesmo pegou uma maquininha, parecida com uma furadeira, só que em um tamanho bem menor, ele furou o meu dedo, coletou o meu sangue, e me identificou como Yandel Stafford, ele olhou para mim por causa do meu sobrenome claro, sabia de meu irmão já que assistia os jogos com prazer. Andei até a parte das pessoas que tem de dezesseis à dezoito anos... Assim, nós esperamos a porta da edificação enorme se abrir, e adentrar o prefeito, sua mulher e sua filha, e então uma fígura ridícula: Uma mulher com os cabelos prateados, e roubas combinando, em tons de preto, cinza e prata. O que mais me chamou atenção foram seus saltos altos de plataforma gigante.

Ela sorriu, sua cara amarela me deixou com vontade de rir. Ela piscou seus olhos, e um de seus cílios prendeu no de baixo, por causa que tinham estruturas que se encaixavam, se eles achavam isso bonito, e confortável, eu pelo menos não. Ela conseguiu soltá-los, e então começou à dizer: " E aí chegou mais uma edição dos Jogos Vorazes! E eu irei lhes informar, que eu me sinto muito feliz com a volta de Emily Stoker. Sim, sim, quem não estaria? Bom, meus queridos, agora é a hora de eu dizer aquela frase clássica dita antes dos jogos: FELIZ JOGOS VORAZES! E que a sorte esteja sempre em seu favor! Meus queridos, vou mostrar 'aquele videozinho' que costumo mostrar para vocês, aquele que deixa todos emocionados, com 'gostinho de quero mais'. " Ela pegou um controle redondo, e apontou para o telão. E logo começou o vídeo, primeiramente apareceu o edifício da justiça do distrito 13, o fogo ainda em todos os destroços. Molumentos quebrados, uma cidade completamente em ruínas.

“Guerra, uma guerra terrível. Viúvas, órfãos, crianças sem mãe. isso foi o que a revolta trouxe para nossa terra. 13 Distritos se rebelaram contra o país que os amavam, que os alimentavam, que os protegiam. Irmão contra irmão, até não sobrar nada. Então veio a paz, luta difícil, vitória lenta. O povo se reergueu das cinzas e uma nova era começou. Mas a liberdade tem seu preço, quando os traidores foram derrotados, juramos como uma nação que não veríamos mais essa traição de novo. Então foi decretado, que cada um dos vários Distritos de Panem ofereceriam como tributo um garoto e uma garota para lutarem até a morte em uma demonstração de honra, coragem e sacrifício. E o único vitorioso, banhado em riquezas, serviria como lembrança de nossa generosidade e de nossa clemência. É assim que lembramos nosso passado. E é assim, que guardamos nosso futuro.”


A mulher da capital, mexia sua boca, como se ela lembrasse de tudo na ponta da língua. " Ah, como eu amo isso! Amo esse vídeo! Essas frases de efeito. Ótimo! "; Ninguém se mexeu, nem quis dizer que amava, nem bateram palmas, ela pareceu sem graça, eu olhei para Jeff que estava do outro lado, ele também me olhava, então eu mexi minha boca de alguma forma falando: Vai ficar tudo bem; ele mexeu a cabeça tendendo ser firme, mesmo que isso não seja verdade, que ele não é realmente confiante de si. A mulher mexeu a cabeça, e lembrou de sua fala, levantando-se rapidamente, com um sorriso radiante. " Como de costume, primeiro as damas, não? Elas merecem esse privilégio, que fora dado desde a antiguidade, ou melhor dizendo, desde antes dos tempos ruins.", ela puxou um papel do globo de vidro, e sorriu.
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Re: A Colheita

Mensagem por Augusto Salvatore em Ter Mar 05, 2013 9:04 pm

Depois de passados 4(quatro) anos de "paz", a maldição havia retornado, o dia da colheita seria hoje. Augusto estava com seus 17(dessesete) anos, sendo obrigado a participar deste "espetacular" evento, onde era possível ver no rosto de uma multidão de pessoas o "deleite acerca de tal espetáculo".
Durante 4(quatro), os distritos se sentiam aliviadas por não ter de presencia tal massacre, mas a apreensão corria solto por parte do pessimistas, que acreditavam que a sina imposta pela Capital retornaria. Para o pessar deles, eles estavam corretos. A presidente havia reaparrecido e instaurado logo em seguída os Jogos Vorazes.

Augusto havia participado da última colheita, naquela época ele possuía apenas 13(treze) anos. E aqui estava ele mais uma vez tendo que repetir tal proeza e como havia ocorrido na primeira vez Augusto estava aterrorizado e apreensivo. Dois motivos eram a causa para tal medo, desta vez seu nome não se encontrava apenas duas vezes como da última vez, além disso, Augusto devia se preucupar não apenas do nome Augusto Salvatore ser pronunciado pelo apresentador, mas também dele não proferir os nomes Drake Salvatore e Skyler Salvatore. Seus 2(dois) irmãos, a garota de 13(treze) anos e o garoto de 12(anos), que participariam da colheita pela primeira vez.

Naquele exato momento Augusto estava em casa, na sala ao lado da saída sentado no sofá velho, com seus dedos entrelaçado como se estivesse rezando. Ela já se encontrava arrumado em seus trapos velhos, uma camiseta branca desfiada que estava um pouco apertada, por pertencer ao seu pai que era mais baixo que Augusto e uma calça jeans azul clara rasgada em alguma partes. Mas sua aprência era uma de suas menores preucupações naquele momento de aflição.


"Deus... Eu sei que é meio egoísta pedir isto... Mas não deixe eu nem meus irmãos serem escolhidos! Eu lhe peço."

Augusto pedia a Deus por ajuda, mas esta ação não acalmava-lhe o coração. A cada momento que ele esperava, mais aflito ficava, mas ele não podia ir embora sozinho e deixar seus irmãos, Augusto precisava acompanhá-lhos em suas primeiras colheitas, eles ficariam aterrorizados se ficassem sozinhos, ou não, Augusto sempre fora superprotetor com seus irmãos. Eles estavam sendo arrumados no quarto por seus pais e provavelmente deviam estar chorando. Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, os dois sairam juntos do quarto, acompanhados por seus pais. Drake estava com o terror estampado em seu rosto e Skyler estava com os olhos vermelhos e dava para se ver claramente que se segurava para não chorar novamente, a mãe estava do mesmo jeito que Skyler, o que principalmente acentuava o fato é que elas eram indênticas, e seu pai que tentava se manter sério. Augusto então se levantou daquele antigo sofá, que rangia diante de tal ação. E então seu pai se aproximou de Augusto e lhe deu um aperto de mão firme, seguido por um desejo de boa sorte fraco, Augusto apenas acenou com a cabeça. Em seguida sua mãe se jogou nos braços de Augusto e começou a chorar.

-Relaxe... Não seremos escolhidos.-

Augusto falou sem muita confiança em sua palavras, apenas como uma forma de tentar acalmar sua mãe, ela não parecia muito confiante, mas parou de chorar e depois de alguns minutos largou o filho. Depois disto Augusto não falou mais nada, até porque não tinha mais o que falar, Augusto apenas esperava poder a noite estar com toda a sua família reunida na mesa de jantar comemorando o fato de ninguém ter sido escolhido. Augusto então se virou de costas para seus pais, abriu a porta que se encontrava proxima e deixou a casa, seguido por seus dois irmão que vinham rapidamente e se seguravam em suas mãos calejadas do trabalho nas plantações do Distrito 11(onze). Augusto era bem maior que os garotos de sua idade, fazendo seus irmãos batessem abaixo de seu peito.Durante o caminho como forma de tentar acalmar seus irmãos Augusto falou.

-Fiquem tranquilos... Vocês são novos, a chance de serem escolhidos e muito pequena... É muito raro pessoas da idade de vocês serem escolhido como tributos.-

Desta vez Augusto falava confiante, mas mesmo assim eles não falaram nada, apenas apertaram com mais força as mãos do irmão mais velho. Então o caminho se seguiu e nenhuma parte proferiu mais nenhuma palavra, aquele silêncio deixava Augusto ainda mais aflito, mas ada ele fazia para mudá-lo. Varias pessoas eram vistas indo na mesma direção e quanto mais se aproximavam, mais lotado o tráfego de pessoas ia se tornando. Ver aquelas milhares de pessoas que participariam da colheita da uma certa forma de esperança de ser escolhido.

"São milhares de pessoas que estão sendo obrigadas a participar disto, não tem chance de sermos tão azarados a ponto de sermos escolhidos de tantas possibilidades... Não podemos... Não podemos..."

Chegara a hora de Augusto se separar de seus irmãos. Eles percebendo que tal momento chegara, se seguraram com mais força nas mãos de Augusto, mas Augusto se soltou daquelas mãos desesperada que procuravam apoio. Skyler se vendo solta das mão do irmão, pulou em seus braços e se derramou em lágrimas, desta vez Augusto deixou e devolveu o abraço, em seguida mais uma vez tentou tranquilizá-la com suas palavras.


-Não se preucupe, não seremos escolhidos! Eu prometo que hoje a noite estaremos em casa comemorando tal feito.-
-Promete?- Perguntou Skyler se soltando dos abraços do irmão mais velho e parando com o choro.
-Prometo- Respondeu Augusto tentando passar o máximo de confiança possível.

Skyler se afastou um pouco. Desta vez Augusto se aproximou do irmão que ainda estava aterrorizado sem falar nada, então Augusto passou a mão na cabeçade Drake e se curvou em uma tentativa fracassada de ficar da mesma altura do irmão. Augusto apenas dirigiu um sorriso a seu irmão como forma de tentar passar segurança, não falou nada. Em seguida Augusto se afastou de seus irmãos sem falar mais nada, apenas gesticulando a frase Até daqui a pouco, dirigindo-se a fila de onde teria de tirar sangue. O fato de ter que ficar "sozinho" na fila, fez Augusto ficar aflito e apreensivo novamente, por ter de tentar tranquilizar seus irmãos e seus pais, tinha esquecido que ele também estava com medo, fazendo cada minuto parado naquela fila parecer uma eternidade. Chegado sua vez de tirar o sangue, Augusto nem sentiu a picada da agulha pois anestesiado pela tensão. Em seguida Augusto seguiu para o local onde se encontravam os outros garotos de 17(desessete) anos. Aquela não era a primeira vez de Augusto na colheita, mas era a primeira vez que se encontrava tão perto do palco, o que só mostrava que suas chances de ser escolhido desta vez eram bem maiores do que as outras duas vezes que havia participado.

"Sim as chances de eu ser escolhido são bem maiores do que as vezes anteriores, mas eu não sou o único nesta situação, vários outros garotos estão iguais a mim, tem outros até pior."


Augusto podia dizer milhares de vezes a si mesmo que as chances dele ser escolhido eram mínimas, mas mesmo assim ele não se acalmava nem um pouco. A apresentação demorou um pouco ainda para acontecer esperando todos chegarem a seus lugares. Quando a apresentação começou Augusto não prestava atenção nela, pois já sabia o que era falado e principalmente, porque tudo aquilo alí não lhe importava. Augusto só tinha olhos para o que viria a acontecer em seguida como a maioria dos presentes naquele local. Cada momento de apresentação servia apenas para deixar Augusto impaciente.


"Nós já sabemos o que você vai dizer e ninguém se importa, apenas fale quem serão a p**** dos tributos!"

Depois de muito tempo de enrolação, o momento esperado daquele dia finalmente chegara. Como era feito em todas as edições, era selecionado primeiramente o tributo feminino. Augusto estava muito apreensivo, sua doce irmanzinha não poderia ser a escolhida como tributo, qualquer nome poderia ser proferido naquele momento menos o Skyler Salvatore, e não foi pela felicidade de Augusto. Ele se sentiu aliviado, se virando para procurar o rosto de sua irmanzinha, mas não encontrou, pois haviam muitas pessoas entre eles. A alegria de Augusto durou pouco, pois percebera que agora seria escolhido o tributo masculino, nestes instantes que se passaram Augusto ficou aterrorizado, começou a suar frio, apenas uma coisa passava por sua cabeça naquele momento.


"Augusto Salvatore não... Augusto Salvatore não... Augusto Salvatore..."

Naquele momento Augusto havia se tornado egoísta, conseguindo apenas pensar em se livrar de tal fardo, se esquecendo até de seu irmão. O apresentador meteu a mão no local com vários nomes e começou a mecher, enquanto isso o coração de Augusto parecia que ia deixar o peito de tão rápido que este batia. E então o apresentador escolheu um papel...
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Re: A Colheita

Mensagem por Loshi Wasee Hayes em Qui Mar 07, 2013 3:35 pm


Living easy, lovin' free...



O dia amanheceu mais quente do que de costume no distrito 5. Aquele cheiro mórbido de luto se espalhava aparentando um aroma típico de carniça sendo cruelmente devorada. O tédio eminente trazido pela morte de Cathy, a tributo que os representava, tomava conta de todo o local, fazendo com que a pequena Loshi voltasse a adormecer seu sono mais profundo. Apesar de não entender muito bem o ocorrido, sentia que algo de completamente errado havia acontecido e atormentava a mente frágil de seus familiares. Porém, preferiu abster-se dos comentários e perguntas que rondavam sua mente inquieta, e propôs-se a ajudar a mãe na pequena venda que possuíam no centro comercial dali. Dirigiu-se até seu quarto, localizado no andar superior da casa, e abriu o pequeno armário ao canto direito da cama, na procura da roupa mais apresentável que ali encontrasse. Revirou quase todas as gavetas, e por fim optou por um singelo vestido na cor verde claro batendo na marca dos joelhos, e com um pequeno decote demonstrando os seios em crescimento. Vestido que na sua concepção combinava muito bem com seus olhos verde água. Seu rosto era delicado, sua idade era pouca, mas sua atitude era digna de uma adolescente mais avançada, em seus dezesseis , dezessete anos. No entanto, ela só possuía doze anos completos. Mas quem diria isso sem conhece-la bem... Acho que ninguém. Segurou a mão de sua mãe, que a esperava na porta, e seguiu em direção à venda que não era muito longe dali. Durante o caminho escutava atentamente às dicas da mãe. Embora não fosse a mais conhecida vendedora, era mais experiente que ela, e poderia ajuda-la a crescer bem informada conforme o tempo. Chegaram e adentraram o centro comercial rapidamente, e para surpresa das duas, a maioria das lojas se encontravam abertas. Passaram despercebidas até a pequena lojinha localizada no final do corredor, onde logo se acomodaram e começaram a reorganizar a vitrine. O vento batia forte nas estruturas do local, e esse era um dos poucos ruídos que podiam ser escutados ali. O outro era a pequena Loshi tentando arrebatar clientes, sem sucesso porém. Mas para si e sua mãe, a iniciativa era de grande valor. – Comprem. Compre tudo que quiserem aqui, temos realmente de tudo. De um simples maço de cigarros, até um lindo broche do panem. Quem vai querer? Não temos preços exorbitantes meus caros senhores, qualquer ajuda é valida!- Com toda a certeza o movimento estava deverás ruim naquela tarde de sábado. A monotonia fazia Loshi brincar com as próprias mechas louras do cabelo. Tentava deixa-las onduladas, mas por serem demasiadas lisas não paravam em volta de seu dedo indicador.

Quando Lo se deu por si já estava noite, e voltando para casa sendo apresentava aos melhores amigos de sua matriarca. Não lhe pareceram, a primeira vista, muito convidativos. Contudo, foram ganhando sua admiração aos poucos, até que algo inesperado aconteceu. Empregaram-na em sua pequena mas lucrativa venda, que se encontrava perto do posto dos pacificadores, principais clientes de tal. Garota de 12 anos mas de mente fértil e perspicaz, era como eles a descreviam perante a grande clientela que indagava tal contratação. O sorriso em seu rosto era inigualável. Seus familiares pareciam sentir orgulho. Mas no fundo só estavam preocupados com o dinheiro que ela traria no final do mês para ajuda-los nas despesas. Sua mãe era a única que possuía o sentimento verdadeiro, e não compartilhava de tais pensamentos supérfluos. – Muito obrigada pela confiança em mim depositada. Prometo não lhes desapontar, nunca, pois uma chance dessa jamais pretendo desperdiçar! – disse ao aparecer pela primeira vez em seu novo local de trabalho. De certo, aquele dinheirinho extra seria muito bem vindo nessa época de recessão sofrida por sua família e a garota sabia disso mais do que ninguém. Seus irmãos ainda eram muito jovens, nem idade adequada para a colheita possuíam. Deu graças por ter um ano pela frente, antes de se preparar para a próxima. Mas o que ela não sabia era que não haveria uma próxima no ano seguinte àquele.

Com o tempo foi começando a revoltar-se contra tudo. Contra seus patrões, contra seus antigos amigos, contra si mesma e sua crise de alienação. Já não falava mais o que pensava há tempos, e se encontrava cansada de reprimir-se devido às leis e ordens que lhe eram impostas a todo instante. Segui-las para que? Faria as suas próprias e deixaria à antiga Loshi retornar de onde não deveria ter saído. Porque havia se prestado a tal humilhação? Talvez o único motivo fosse a sua mãe, e a vontade de dar tudo a ela. Mas com sua morte repentina, nada mais importava. Não aguentava mais olhar na cara dos pacificadores que rondavam a venda e a deixavam irritada, constantemente, com piadas no mínimo grosseiras e sem cabimento. Poderia não ganhar muito, devido as suas faltas, mas não se importava em demonstrar-se forte. Mesmo que fosse considerado um desacato a lei e a moral da capital. - Que de danem! – gritou dando um leve soco no ar sem pensar em possíveis retaliações. Atordoada, era como estava naquela manha meio nublada. Por isso decidiu dar uma escapada e com cautela faltar a mais um dia de trabalho. Desta vez tinha a desculpa certa. Como sua irmã estava deverás doente, poderia alegar aos seus "patrões medíocres" que deveria permanecer ao lado dela, cuidando da única família que lhe era fiel. Com toda a certeza como eles consideravam seus pequenos aprendizes, ou melhor pequenos trabalhadores escravos um bando de famigerados, por pena deixariam-na sair ilesa daquela nova falta. Seu destino era o refugio. Lugar onde todos aqueles que desprezam as leis vão se mancomunar e tragar um cigarrinho.

Antes de mais nada, foi até a venda com a desculpa de ver como estava seu tio, que agora cuidava dos negócios da família. – Olá, tio. Tudo bem com você? Vim apenas dar uma passadinha e ver como estavam às vendas. – enquanto proseava um pouco, com a mão direita bem escondida embaixo de uma blusa de frio que trazia em mãos, afanou um maço de cigarros sem ser notada, e saiu vagarosamente com um sorriso de vitória. Algumas passadas largas longe dali retirou um cigarro e um pequeno isqueiro da bolsa. Isqueiro esse que havia roubado de um dos pacificadores e trazia os seguintes dizeres: EU AMO A CAPITAL. Que ironia do destino não? Uma das pessoas que mais odiava a capital usando tal utensilio. Mas não tinha do que se queixar, em se falando de queimar, ele queimava bem e lhe era muito útil algumas vezes. Segurou bem o botão e colocou aquele fogo brando que saia em direção a ponta do cigarro. Pronto, poderia traga-lo sem pestanejar. Caminhava devagar, pois o caminho era longo e não queria cansar-se sem motivos. Por alguns momentos, fazia diversas figuras no ar com a fumaça produzida pelo seu sopro. No entanto, eram abstratas e sem sentido. Mas Loshi tentava procura-los, por mais obscuro que fossem. Finalmente estava chegando perto do local, quando tropeçou em uma garota em choque. Ela aparentava uma alegria eminente, nem sequer olhou para trás quando fora xingada bruscamente. – Ei, olhe por onde anda garota mal amada. Se da próxima vez esbarrar comigo de novo, não terei pena de estraçalha-la aqui mesmo, em terra de paz entre os distritos! – arrumou sua jaqueta de couro, jogou seus cabelos longos e louros para trás e foi em direção à porta do local.

Debruçou-se ali, antes de entrar, tentando entender a cara da garota que havia lhe irritado profundamente. Mas não fazia sentido aquele sorriso estampado em seu rosto, afinal a colheita estava chegando. Foi então que veio a surpresa. Enquanto estava assentada em uma espreguiçadeira longa, escutava uma conversa entre umas crianças estranhas que nunca havia visto por lá. Pelo que diziam não haveria colheita. Foi com o susto assombroso que levou que levantou de imediato fitando a cara da garota que havia soltado tal informação. Mas seria possível uma coisa dessas? Não haver colheita era como uma alerta do estado de calamidade da capital. Mesmo sem ter sido chamada, se apresentou e foi em direção aos garotos que a observavam com tom de medo. – O que vocês estavam conversando... Tipo, vocês tem certeza do que estão dizendo? E porque a colheita não aconteceria este ano? Digam-me, porque tudo que tenho em mente parece não fazer sentido nessas palavras vagas. Sério, parece um enigma para mim, então digam logo antes que eu me estresse com vocês garotos. – um deles tentou encara-la, mas não conseguiu dando de ombros e deixando apenas um deles explicar o ocorrido. “Temos certeza... logo cedo um menino da capital veio nos informar do acontecido. A colheita não será realizada este ano pois a presidenta e mais alguns mentores sumiram sem deixar rastro algum.” Teve de se assentar imediatamente. Aquelas palavras jogadas em confusão lhe deixavam intrigada e ao mesmo tempo feliz. Um sorriso malicioso brotou de seus lábios, e como agradecimento ela aproximou-se do garoto e mordeu-lhe a bochecha. Modo estranho que era compartilhado apenas por sua irmã. Era uma forma intrigante, porém, muito verdadeira de agradecimento. Todos a fitavam perplexos, mas ela não ligava por estar acostumada com tais reações. Causava esse efeito em todos com suas pequenas esquisitices. Seu breve passeio ao refugio estava inevitavelmente adiado, deveria retornar até seu distrito e compartilhar com sua irmã e demais colegas tal bomba que havia por trapaças do destino descoberto naquela tarde.

Chegou completamente ensopada em casa. Uma chuva a havia pego de surpresa durante o percurso. Na sala estavam seus tios e o seu irmão mais novo. Aproximou-se do mesmo e deu –lhe um beijo, deixando-o irritado “Você está molhada, vá para longe de mim Loshi” gritou zangado, e a garota as gargalhadas lhes respondeu – Me ame menos Alfredo, eu sei que quer me abraçar. Mas tudo bem, venho te dar boa noite depois de tomar um belo banho! – Seus tios iriam xinga-la mas não tiveram tempo, ela já se encontrava no topo da escada quando começaram a falar. Adentrou o quarto ainda rindo da situação, afinal, tinha motivos para sorrir naquele dia. A irmã que estava deitada na cama recuperando-se de uma gripe fitou-a com ar estranho, de quem não entendia nada do ocorrido, mas logo entenderia. E se não fosse as roupas molhadas de Loshi e sua tosse repentina já teria entendido assim que a garota adentrou o quarto. – Desculpa maninha, não posso te contar agora! Assim que sair do banho eu volto e te conto as boas novas. – disse saindo em direção ao banheiro. Depois de um demorado e quente banho estava pronta para dividir com sua fiel confidente as informações que havia arrancado à força de um garoto no refugio. Assentou-se na beirada da cama de Erin e deu-lhe um beijo na testa antes de despejar tudo aquilo em seus ombros. – Você não faz a menor ideia do que eu descobri na tarde de hoje irmãzinha. Não haverá colheita este ano. – O que? Como? Loshi sabia que eram essas as perguntas que atormentavam Erin, por isso continuou a falar antes de deixa-la se manifestar sobre tal afirmação.

– Sim, é verdade. Estava eu lá no nosso aconchegante refugio, quando me deparo com um grupo de garotos esquisitos. Mais esquisito ainda era o que eles falavam. Então eu, a pequena curiosa, me dirigi a eles e fiz a mesma pergunta que você esboçou em seu rosto. E sabe o que eles me disseram? Sim, é verdade. Sim não haverá colheita e foi um menino da capital quem nos deu tal informação de bandeja. E sim a presidente junto com alguns mentores sumiu sem deixar rastros. – despejara tudo sem piedade, como havia imaginado durante o percurso de volta para casa. Mas era incontrolável, era seu jeito de ser e se expressar, não tinha maneira de mudar. E num súbito susto, Erin levantou-se bruscamente e abraçou-a. Ela parecia bem mais feliz do que surpresa... Contudo, Lo entendia sua reação, pois estava escancarada para quem pudesse ver em sua face. Erin não queria ver sua irmã indo para a colheita outra vez. E elas se abraçaram ininterruptamente durante 10 minutos exatos, com as lagrimas no canto de olho, prontas para escorrerem. A morte da mãe as uniu muito, e nada poderia ser tão forte quanto aquele abraço, e aquele sentimento que sentiam mutuamente. Agarrar-se-iam uma na outra até quando nada mais fizesse sentido, e é claro, cuidariam de seu irmão sem se importar com a soberba de seus tios. Por isso Loshi continuava na venda dos McDoubers, ela ainda tinha um motivo pelo qual lutar, ela ainda tinha por quem olhar e continuar ali mesmo sem a mínima vontade.

Alguns anos se passaram depois do aparente sequestro ou sumiço da presidenta do Panem, Emily. Para sermos mais exatos, todo aquele território havia passado quatro anos longe dos males dos jogos. Quatro pacatos anos sem assistir aquele vídeo desnecessário que explicava o porque daquilo tudo. Quatro anos sem o sofrimento de 11 dos 12 distritos e de pais e mães que viam seus filhos irem sem ter a certeza da volta. O quinto ano do sumiço começará bem movimentado, com festas e confraternizações pelo distrito do poder. Mas o que eles tragicamente não sabiam, era que o retorno dos jogos se daria algumas semanas depois. A maioria da população, apesar das confraternizações e aparente felicidade, no fundo se encontrava no mínimo desolada. Esse sentimento, porém, não era compartilhado por Loshi, que já não era mais pequena e tinha cada vez mais a noção de que os jogos eram prejudiciais aos distritos. Não tinha medo ou sequer repulsão da capital, mas achava que o modo de pensamento, ao qual eles se agarraram durantes tanto anos, era errado e injusto. Mas como explicar ao certo como pode ser o duvidoso? Depois de um tempestuoso pesadelo, Lo levantou-se da cama com ar completamente macabro e o pijama ensopado de suor. Dirigiu-se ao banheiro e com alguns panos húmidos secou seu pescoço e os contornos de seu rosto, que ainda encontrava-se demasiado pálido de susto. Trocou de roupa e assentou-se com as pernas cruzadas sobre sua cama desarrumada. Sua mão por várias vezes escorreu do topo do cabelo até as pontas, tentando de maneira estupida encontrar para aonde seu sono havia fugido. Olhou para o teto e depois pela janela, mas nada vinha a sua mente embaralhada. Foi trocando de posições por várias vezes até conseguir adormecer como um anjo cálido.

“Bip bip” tocou o despertador irritando-a e fazendo com que batesse a cabeça na cabeceira de sua cama. Não estava de bom humor, por isso arrumou-se, pegou uma maça na fruteira e saiu sem dirigir sequer uma palavra aos seus tios. Evitar brigas não era o seu forte, mas nos últimos dias um mau pressentimento a perseguia, e com ele um estranho pesadelo que a cada noite parecia se intensificar. Seria algum pressagio? Não, Loshi não acreditava nessas coisas. No entanto, já fazia algum tempo que ela não sabia mais no que acreditar. Estava abrindo o armazém dos McDoubers quando algo de estranho lhe ocorreu. Os pacificadores estavam por ali, rondando-a, como sempre faziam. Contudo, eles não queriam nada que já não tivessem tentado, apenas queriam trazer-lhe uma noticia em primeira mão. Ardilosos, se aproximaram como quem não quer nada, e fingiram juntar-se em uma rodinha “secreta” de conversa. “Sabe a presidenta?”, perguntou o primeiro. “Claro que sei, ela retornou e com ela os jogos também!” falou sem demora o segundo. As mãos tremulas da garota mal conseguiram abrir o portão de ferro, e seus primeiros passos largos foram tortos. Abriu o recinto e pegou um copo de água, bebendo sem pausa. – O que eles disseram? Não pode ser verdade, eles só devem estar brincando com a minha cara e tentando fazer algum tipo de ameaça. – disse tentando negar a verdade entalada em sua garganta. Olhou-se no espelho e viu sua cara de espanto, ali se tocou que não era ela, se tocou que não podia sentir medo daquilo que sempre quis enfrentar... A capital. – Essa não é você, para disso. Chega de se esconder. É sua vez de mostrar quem comanda. – deu um sorriso meio torto, bagunçou seus cabelos louros, e num estrondo de hormônios saiu para enfrenta-los.

Olhando para o céu azulado, continuou sua caminhada em direção a pequena floresta do distrito 5. Durante o caminho seus pensamentos eram inconstantes. Faltava apenas um dia para a colheita. Suspiros e calafrios afloravam a pele, demonstrando uma tensão. Pressentia que nada de mal aconteceria a ela ou a Erin, mas ao mesmo tempo uma escuridão encobria aqueles pensamentos. E então se imaginava, ali, no campo de batalha onde somente um tributo sai vitorioso. Mas como? Sim já era chegada à colheita. O tempo havia passado com uma rajada de vento que leva tudo com força e rapidez. Parecia ter sido ontem que os pacificadores haviam tentando a surpreender e assustar com a noticia da volta de Emily. Chegando a cerca, que separa o distrito da floresta, com cautela olhou para os lados a procura de alguém que poderia estar lhe observando. Não, não havia ninguém a espreita. Então com muito cuidado, para não se machucar, pegou uma parte do arrame farpado e puxou para cima. Assim, possuía o espaço necessário para passar por debaixo da cerca. Depois retornou a colocar o arrame para baixo, não deixando pistas de que havia passado por ali. Andando lentamente pode ouvir vozes se aproximando bem devagar. Sim, era um pacificador que estava ali por perto, a procura de algum delinquente e rebelde como ela. Portanto, Loshi saiu em disparada, em direção à mata fechada da floresta, subindo em uma árvore não muito alta, mas segura. Logo, o perigo passou podendo assim descer dali. Estava completamente esbaforida, devido à corrida para salvar-se de uma possível repreensão. Por isso, pegou em uma mochila, que trajava, uma pequena garrafa de água, bebericando apenas alguns goles dela. Afinal de contas, não sabia até que horas seria a caçada treino.

Preparou algumas armadilhas, e subiu em um galho, que estava no máximo há um metro e meio do chão. A movimentação da floresta era quase nenhuma. Alguns minutos depois, o vento começava a bater mais forte de um lado da floresta, e isso com toda a certeza faria os animaizinhos se movimentarem e saírem de onde estavam. Pegou seu arco e separou três flechas ao seu lado. Preparando uma, que estava sedenta por um animal. O barulho de uma ave tilintou em seus ouvidos, trazendo seu sorriso sarcástico de volta. 1, 2, 3... Agora o único barulho que podia se ouvir era o baque da ave caindo ao chão. Esperou mais alguns minutos, mas nada, nenhuma outra ave apareceu, e como o céu já estava deverás escuro, resolveu ir logo vender aquela ave suculenta, no mercado. Saindo da floresta avistou outro pacificador. Guardou a ave na mochila e pegou um cigarro. Com tom insano e debochado foi até o pacificador e fez um pedido inusitado, deixando-o de boca aberta e quase lhe batendo. - Ei, Sr. Pacificador, por acaso você não poderia acender o meu cigarrinho. Sou filha legitima, porém, rejeitada da capital e mereço um pouco de diversão, ou não? -. Nem ela acreditava ter dito tal afronta. No entanto, a maior surpresa foi a sua. O pacificador estendeu suas mãos, e tirando um pequeno isqueiro do paletó, acendeu aquele cigarro. Finalmente chegou ao mercadinho. As lojas começavam a fechar, por isso, tentou ser o mais rápida possível. Primeiramente foi ao açougue vender a ave robusta que havia capturado. Não ganhou muito, mas o suficiente para comprar alguns legumes e macarrão, para fazer uma sopa mais incrementada, e por sorte sobrou o suficiente para poder comprar um frasco de gel para o cabelo. Colocando tudo na sacola, terminou de tragar seu cigarro, e jogou-o no chão, esmagando-o com seu coturno marrom já bem desgastado. À noite fora bem melhor do que esperada, por ser véspera de colheita. Deitou e logo adormeceu.

Como na maioria das manhas do distrito 5, o sol nasceu encoberto por uma nevoa densa e fria, o que deixava a iluminação mais escassa no dormitório das irmãs Hayes. Loshi despertou de seu leve sono com o som dos passarinhos, migrando provavelmente, para locais mais acolhedores e quentes do que aquele. Pequenas gotas de orvalho recobriam as arvores e o jardim. Havia chovido na noite passada. A maioria das nuvens ainda permanecia ali, encobrindo os domínios daquela pequena casa e impossibilitando a chegada dos raios solares com total intensidade. Seu casaco de pele, bem fino, já se encontrava em cima da cabeceira, pois considerava desconfortável passar frio por demasiado tempo. Levantou seu tronco, e ainda debaixo do cobertor encolheu seus braços junto ao corpo ainda quente. Virou-se, e colocou sua pantufa e seu casaco, sentindo-se agora mais aconchegada. Foi em direção ao banheiro, retirou suas vestes e enfim adentrou o chuveiro. Estava tão quente que quando deitou sua cabeça na parede, “adormeceu” rapidamente. Relaxada, era a melhor palavra para poder explicar como se sentia naquele instante. Sorriu e suspirou na espera de um clima mais ameno quando saísse dali. E como num passe de magicas foi o que realmente aconteceu, deixando-a mais “animada” para aquele dia da colheita. Prostrada em frente ao espelho, soltou seus cabelos louros e lisos deixando-o com um ar despojado que adorava, e por fim fez uma maquiagem carregada, como sempre fazia, deixando seu olhar penetrante e bem marcado. Retirou seu roupão e enxugou-se rapidamente colocando suas vestes mais bonitas.

Era chegada a hora. Desceu as escadas e viu Erin lhe esperando na porta. Elas eram muito ligadas. De mãos dadas durante todo o percurso, foram em direção ao local marcado pela capital. Quando chegaram lá, como já era de costume esperavam na enorme fila para tiragem de sangue e checagem de presença. Picadinha no dedo, sangue numa folha de papel, papel num recipiente enorme de vidro onde eram comportados todos os papeis, separados entre meninas e meninos. Logo atrás de Loshi estava sua irmã. Era a primeira colheita das duas, mas deveria estar sendo mais difícil para Erin, um tanto mais nova que a loura. Esperou- a ali por perto, enquanto observava os “novatos” na colheita suarem frio como a mesma suava. Sentiu um abraço apertado, como se soasse como uma despedia precipitada de sua irmã. Tinha a intenção de se oferecer como tributo, mas não o fazia em consideração a Erin e seu irmão mais novo, que ficariam sozinhos mesmo sobre os cuidados dos tios. Enfileiradas por idade, Loshi juntou-se as garotas de 16 anos que estavam ali. Olhou bem para o telão, e escutou atenta a voz da representante da capital. Aquela voz típica a deixava irritadiça. – Vocês são tão lindos crianças. Tenho que lhes dizer, que qualquer um que nos representar, representará bem o distrito 5! Antes de sorteá-los, devo perguntar: temos algum candidato de livre e espontânea vontade? – o silencio era eminente. A mulher pareceu se desapontar, mas logo recompôs seu sorriso, que soava falso, e colocou a mão na urna para sortear as damas. Deus duas voltas com a mão dentro do recipiente de vidro e pegou o papel que decidiria a vida de uma daquelas garotas enfileiradas à frente do palco. – Hm.. nome bem diferente e bonito. Aposto que você irá nos representar com classe, querida. Pode subir ao palco pequena... – boom, a curiosidade e ansiedade impressas na face de cada menina haviam acabado naquele instante.
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Re: A Colheita

Mensagem por Shady Bühler Wittgenstein em Qui Mar 07, 2013 5:14 pm

And it all starts again...
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A ficha de que os Jogos recomeçariam finalmente tinha caído.Talvez alguns minutos, meia hora. Fiquei sentada no chão, sem vida, sem forças para me erguer. As lágrimas pareciam ser infinitas, não me deram trégua, meu rosto permanecera úmido durante todo o tempo. Forcei meus músculos a se mexerem novamente e acabei falhando. Tentei novamente e fui engatinhando até a cama, onde me deitei encolhida num canto, soluçando baixinho, o corpo tremendo com o ar que saia e entrava de meus pulmões com extrema dificuldade. Solucei mais alto, mordendo o lábio para evitar os gritos que queriam vir em seguida. Fora difícil dormir, meu rosto estava pegajoso devido às lágrimas quando fui arrastada para um lado escuro da minha mente, era frio lá, e havia sombras de formatos tão assustadores que eu me encolhia ainda mais, tentando fechar os olhos para o que via. Entre todos os rostos distorcidos, os dos garotos no dia da surra destacaram-se. Cassian, Walle, Rock, Noah, Thegan. Os nomes ficaram claros, assim como suas respectivas vozes guturais que desde sempre fizeram os pelos de minha nuca ficar arrepiados de pavor e desespero. Eu me remexia diante das imagens, das cenas que passavam diante dos meus olhos. Sua pirralha desgraçada!” e um soco acertava meu maxilar. “Olha como os olhinhos dela ficam bonitinhos inchados!” Um chute no estômago, e eu ia ao chão, caindo deitada em uma enorme poça de lama. Rock se aproximava e me erguia pelos cabelos, chacoalhando-me, arrancando gritos agoniados da parte mais profunda do meu ser. Gritos parecidos com sirenes. Algo tampava minha boca, algo áspero, eu mordia e alguém gritava. Novamente eu era empurrada na lama, sentindo a chuva cair forte sobre minha pele quente cheia de sangue. “Se defenda agora, sua branquela!” outros gritos escapavam e mais chutes acertavam minhas costelas, mais puxões no cabelo, e novamente a onda de gritos. Eu me virava, engatinhando na lama, tremendo e cuspindo sangue juntamente com dois dentes que estavam moles, já na época de trocá-los. Afundava as unhas na terra, buscando forças inexistentes para lutar contra meus agressores, tudo em vão, tremi quando um raio rasgou o céu, iluminando os rostos ao meu redor. Novamente eu gritava, encolhendo-me ao som ensurdecedor do trovão. Fui virada, arrastada pela lama, batendo a cabeça em uma pedra. Soltaram-me e eu tentava me levantar mais uma vez, um chute certeiro em minha coxa me fez cair de vez na enorme poça. Virava o rosto só o suficiente para encarar o agressor da vez... O grito fora ainda mais alto, ainda mais forte, e só então as lágrimas vieram, era Jon quem me batia, era ele quem tentava me matar nos meus pesadelos

Agarrei os lençóis soltando um grito agudo, sentindo mãos segurarem meus braços com cuidado. – Shady! Shady! – Eu tossia soluçando, tremendo, batendo os dentes com frio e com medo. Os gritos não paravam, vinham de uma fonte inesgotável, assim como as lágrimas. Meus dedos estalaram tamanha era a força que apertavam os lençóis. – Ela está ardendo em febre! – Outra voz falara e uma mão tocou minha testa, mas logo o contato cessou. – Shady! Sou eu! – Solucei, chorando desesperadamente, sem ter coragem de abrir os olhos. O frio do quarto arrepiou todo o meu corpo e eu me retorci, esquivando-me das mãos que tentaram novamente tocar meu corpo. A cabeça era o local onde a maior dor se concentrava, o coração também, e depois a garganta que ardia desesperadamente devido aos gritos. Tossi sem ar, arfando e tremendo ao mesmo tempo. – Veja os braços dela! Marcas de dedos! A camisola está rasgada! – O dono da voz parecia realmente preocupado com meu estado. “Steve!” abri os olhos num súbito e fui acolhida como uma criança, aninhando-me no peito do meu pai aos prantos. – Estou aqui. Estou aqui. – Ele sussurrou, afagando com extremo cuidado minhas costas, certificando-se novamente com a palma da mão minha temperatura. – Vai passar... – Outra pessoa me tocou, segurou minhas mãos com firmeza o suficiente para mostrar que eu estava segura. Era mamãe. – Steve, ela está tão quente. – Nunca ouvira Etoile falar daquela maneira, a voz baixa e cuidadosa, temendo que eu me assustasse de novo. Vaguei o olhar pelo quarto parcialmente iluminado, reconhecendo todos os rostos ali, Hanson, meu avó, com seu pijama engraçado, Forbes, minha prima, com um robe azul muito bonito... Até uma empregada estava presente, segurando uma bandeja com vários recipientes que não consegui distinguir, menos ele. Arfei, voltando a tremer e papai apertou os braços ao meu redor. – Beba, querida, vai se sentir melhor – Etoile colocou um pequeno comprimido em minha boca e logo em seguida me deu água. Tudo apagou-se imediatamente.

Um zumbido estranho me acordou. Abri os olhos devagar, fitando a porta fechada do quarto e depois o relógio ao lado da rosa seca que Jon me dera há semanas atrás, já era de manhã. Os olhos lacrimejaram novamente. A cabeça doía toda, mas principalmente um pouco acima da nuca, como se eu tivesse levado uma forte pancada naquele local. Balbuciei algumas palavras em uma língua que nem mesmo eu conhecia e arrastei o corpo para fora da cama, esforçando-me para não fazer barulho. A casa estava cheia, vovô e Forbes estavam de volta após terem sido convocados pela Capital, que desejavam ajuda com alguma coisa que não quiseram me dizer. Ambos eram cientistas, era normal serem chamados. Arranquei as roupas pelo caminho até meu banheiro e tomei um banho rápido, lavando os cabelos e demorando-me sob a água morna que se chocava em meus ombros. Fechei os olhos e já quase podia ouvir a voz da representante do Distrito 5 falar as mesmas frases de todos os anos. Era minha segunda colheita, já que, com a Paralisia, consegui viver parte de minha infância e adolescência sem temer ser escolhida para os Jogos. Alias, eu não temia ser escolhida, eu temia apenas não conseguir vencer e imaginar deixar meus pais sozinhos, quer dizer, sofrendo minha morte, parecia muito injusto. Terminei o banho e vesti a roupa que minha mãe havia separado para mim uma noite antes e calcei as sapatilhas delicadas. Penteei os cabelos e sai do quarto, encontrando mamãe parada no corredor, olhando-me preocupada. Minha língua queimou na ponta, eu queria falar que estava tudo bem e que tudo ia continuar bem, mas ela tinha visto meu estado noite passada, a forma como acordei após ter tido aqueles terríveis pesadelos. Eu ainda não tinha esquecido a surra que levei há sete anos, por simplesmente, ter defendido um maldito menino marrento que estava se encrencando com os chamados Carreiristas do Distrito 5. Foi depois da surra que Jon ensinou-me a lutar, treinou-me e transformou a Shady no que ela é hoje. – Papai já esta na mesa? – Perguntei, tentando não rebobinar o assunto dos meus gritos e da febre. Sem sucesso, Etoile tocou minha testa e suspirou aliviada. – Os remédios fizeram efeito – Ela sorriu. – É claro que fizeram, você e o papai são incríveis! – Sorri da forma mais natural que consegui e beijei-lhe a testa, afastando-me para descer as escadas.

O café da manhã incluiu suco de duas frutas cítricas que não consegui distinguir, pão com queijo e sementes com leite. Ok, eu comi só o pão com queijo e beberiquei do suco, não estava com o estômago em boas condições para me empanturrar de comida pesada. Papai não me disse nada, estava concentrado em suas anotações que sempre fazia no café da manhã e, aproveitando essa brecha, sai de fininho e voltei para meu quarto. Desde quando me entendia por gente, eu costumava escalar coisas, me pendurava como um primata e era sempre muito ágil. Criei o hábito de todas as manhas subir no telhado e observar o sol recém-nascido, o que deixava-me mais tranquila. Abri as cortinas, depois a grande porta de vidro que dava para a sacada com grades. Usei a discreta escada de cordas que eu tinha feito e em poucos segundos, já estava sentada no telhado, fitando o céu, deixando que os pensamentos vagassem para qualquer lugar que não fosse a colheita. Era um turbilhão de sentimentos, a adrenalina de sempre, o leve aperto na boca do estômago, a sensação de impotência diante da Capital. Estava curiosa também, Emily e mais alguns mentores sumiram por quatro anos, provocando a Paralisia, o que me intrigava era o motivo daquilo tudo. Não parecia ser grave, mas quatro anos não são quatro dias, era tempo demais para uma mulher sedenta pelos Jogos e pelo sangue dos tributos mortos. Intrigante. Em dias como aquele, o distrito sempre ficava da mesma forma, silencioso, triste e parecia ter afundado num pré-luto extremamente depressivo e nauseante. As pessoas quase não saiam na rua antes do horário da colheita, parecia querer resguarda ou algo assim. Era complicado e estressante. – Shady! – Ouvi Forbes me chamar e rapidamente escorreguei pelas telhas e deslizei pela escada de cordas, caindo em pé na varanda. Ela estava dentro do meu quarto, esperando-me e até sorriu quando entrei. – Vamos? – Minha prima estava animada, claro, ela não precisava mais colocar seu nome na colheita, seus vinte e um anos lhe davam a liberdade, mesmo que limitada, mas davam. Assenti respirando fundo, ajeitando o cabelo e dando um sorriso educado, enquanto caminhávamos para fora do aposento. Devo confessar que, a medida que nos aproximávamos da praça do Distrito, mais tensa eu ficava, estava me importando demais com quem ia ser escolhido e isso não era bom. – Como se sente? – Forbes tentou puxar assunto, mas dei de ombros e afastei-me dela, dando apenas uma rápida olhada para trás a tempo de ver meus pais e meu avô Hanson aproximando-se de minha prima. Esquivei-me por entre as pessoas que se amontoavam até que a confusão rapidamente transformou-se em uma fila para termos nossos dedos furados e nosso sangue registrado. Quando chegou minha vez, estendi o indicador da mão direita e senti a rápida picada, depois a Pacificadora pressionou o sangue num papel e o aparelho de leitura confirmou em verde o meu nome completo. – Próximo – Ela chamou e eu afastei, caminhando sem pressa para o grupo de pessoas da minha idade.

A representante do Distrito 5 entrou no palco montado em frente ao Edifício da Justiça e falou finalmente – Olá meus queridos e amados jovens! Ainda nem posso acreditar que estamos de volta! Isso não é ótimo? – Ela sorria graciosa, esbanjando charme com suas roupas nada discretas. – Agora vamos ao vídeo... – A mulher virou-se um pouco apenas, para acompanhar o vídeo pelo telão atrás de si. – Guerra, uma guerra terrível. – Movi os lábios revirando os olhos, rindo silenciosamente da voz que todo ano soava no vídeo. “Guerra, uma guerra terrível. Viúvas, órfãos, crianças sem mãe. Isso foi o que a revolta trouxe para nossa terra. Treze Distritos se rebelaram contra o país que os amava, que os alimentava, que os protegia. Irmão contra irmão, até não sobrar nada. Então veio a paz, luta difícil, vitória lenta. O povo se reergueu das cinzas e uma nova era começou. Mas a liberdade tem seu preço, quando os traidores foram derrotados, juramos como uma nação que não veríamos mais essa traição de novo. Então foi decretado, que cada um dos vários Distritos de Panem ofereceriam como tributo um garoto e uma garota para lutarem até a morte em uma demonstração de honra, coragem e sacrifício. E o único vitorioso, banhado em riquezas, serviria como lembrança de nossa generosidade e de nossa clemência. É assim que lembramos nosso passado. E é assim, que guardamos nosso futuro.” Aquilo era muito sarcástico, mas não deixava de ser engraçado. Cruzei os braços quando a mulher voltou a falar algumas coisas das qual eu não me dei o trabalho de prestar atenção, mas quando ela mencionou “Primeiro as damas”, meu corpo ficou tenso e tratei de endireitar-me da maneira correta, observando a representante caminhar até uma bola de vidro e enfiar a mão entre os muitos papeizinhos que estavam ali dentro. Ela pigarreou, abrindo um largo sorriso, fitando o papel dobrado, exibindo-o para todos, enquanto voltava para o microfone. – O tributo feminino do Distrito 5 é... – A mulher fazia suspense, abrindo lentamente o papel, e quando finalmente ela o ergueu diante dos olhos, um silêncio absurdo e assustador tomou conta de toda a praça, eu podia ouvir claramente meu coração batendo dentro do meu peito.


soundtrack: Animal Alpha - Bundy clothes: isso

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Re: A Colheita

Mensagem por Erica H. Baxter em Qui Mar 07, 2013 7:45 pm









A Colheita.


Corria... minha respiração estava muito acelarada... minha circulação já era sentida por todas as partes de meu corpo... meu coração parecia que ia saltar...quando, por fim acabei por cair por uma colina. Começei a rebolar no chão pela encosta da mesma, e os vários ramos que haviam pela frente, me arranhavam e me cortavam os braços e as pernas! O sangue das minhas feridas não parava de escorrer... mas por fim cheguei lá abaixo, batendo com o corpo bem fortemente no chão. Perdi a consciencia...

Acordei sobresaltada da minha cama, e coloquei a mão no peito, com a boca entreaberta ainda do pesadelo...

- Que susto... - falei sussurrando.

O sol já batia dentro do meu quarto com todos seus raios de luz, e isso fazia-me ficar encandiada. Fechei os mesmos e os esfreguei com a palma das minhas mãos, saindo por fim da cama. Uma lembrança, veio-me á mente derepente... hoje era o dia! O dia da Colheita!

Baixei as mãos e repirei fundo, porém meu coração batia bem forte e bem rápido... a tristeza abraçou o mesmo de uma forma lenta e dolorosa, só de pensar de como meus pais deveriam de estar. Fechei os olhos e pressionei os lábios um no outro, tentando impedir que alguma lágrima me escorre-se pelo rosto, ou que saisse pelos espelhos de minha alma... meus olhos!

Minha cabeça ainda latejava do pesadelo que havia tido, mas tirando isso, tentei controlar os nervos que subiam pelo meu corpo... tentei controlar as "borboletinhas" que sentia na barriga... tentei controlar a ansiedade.

Por fim, respirei fundo e coloquei o robe branco em torno de meu corpo apenas coberto pelo pijama, e coloquei as mãos e os braços com a maior das suavidades, dentro das mangas do mesmo... desci.

Minha mãe estava de costas para mim, sentada em uma cadeira, em frente á mesa... eu sabia que ela estava nervosa, e sabia também que se fosse falar com ela sobre o acontecimento de hoje, ia gaguejar por cada palavra que diria.

Continuei a andar, em paços lentos mas porém pesados, até ao balcão onde se encontrava a minha chávena já com o café feito, e uma pequena torrada ao lado. Meu olhar estava direcionado para o chão e meu coração parecia querer saltar pela boca. Apanhei na chávena e levei á boca, dando um gole grande no café, sentindo a sua textura liquida e forte. Depois disso, respirei fundo mais uma vez, e com uma expressão neutra no rosto, dei meia volta olhando para a minha mãe. Esta já olhava para mim, e a sua expressão dizia tudo... tristeza, angústia, mágoa!

Não sabia o que dizer... as palavras me ficavam trancadas na garganta mas por fim, abri a boca, e segundos rápidos depois disse amigavelmente:

- Bom dia... mãe...

Confesso que foi doloroso já ter dito estas poucas palavras, e apenas imaginava as que doiam se ela fosse direta ao assunto e eu tivesse que responder.
Ela apenas limitou-se a fazer um pequeno sorriso forçado e falava baixinho:

- Bom dia filha.

Continuei olhando ela, enquanto dava outro grande gole e pensava em meu pai. Este, quase que aposto, que ainda estava no quarto sofrendo em silêncio pelo dia de hoje.
Dei uma dentada na torrada barrada com um pouco de manteiga, mastigando, e engulindo tão rapidamente que até doeu na garganta! Foi então que vi minha mãe se levantar e vir na minha direção com passos de arrastar pelo chão falando baixinho e calmamente:

- Quando estiver pronta... se vai vestir.

Fiquei estática olhando dela... e sim, meu coração tinha realmente a forte vontade de me saltar pela boca. Esta virou costas e de cabeça baixa foi andando para o seu quarto... na minha cabeça apenas passava "Minha mãe vai chorar... minha mãe vai chorar..."

Baixei a cebeça e fechei os olhos... odiava me sentir assim... parecia uma vilã, querendo matar os pais de susto, ou de ataque cardíaco, mas a verdade era essa! Não por vontade própria, mas a minha ação de hoje era ter como objetivo, matar meus pais de susto!

Abri por fim os olhos e olhei em frente, bebendo o resto do café em dois goles gigantes! Queria despachar este momentode tritezas o mais rápido possível... não queria chorar hoje!

Coloquei o resto da torrada em cima da mesa, e a chávena já vazia, e subi, com passos rápidos, para cima, entrando no meu quarto. Despi o robe, e o pijama, ficando apenas de roupa interior. Abri a gaveta de minhas roupas e tirei de lá um vestido curto de renda branco, umas sabrinas cremes e um chapéu de cor azul com duas fitas de cor creme.

Vesti tudo, e por fim, coloquei um anel com duas rosas que me tinha oferecido minha avó antes de falecer, e passei um batôn bem simples pelos lábios. Me olhei no espelho, e com ar sério falei num sussurro para mim mesma:

- Está na hora.

Desci as escadas, e meus pais já estavam á minha espera... olhei eles e baixei a cabeça. Minha mãe foi para trás de uma cadeira e me chamou com a mão, então fui, engulindo em seco. Me sentei e ela tirou meu chapéu, começando a pentear meus cabelos com as pontas dos dedos... e foi então que ouvi sua voz doce:

- Sabe... quando você era pequenina, adorava que eu lhe mechesse no cabelo! - Fechei os olhos pensando "Não chore... não chore..." - Naquela altura, era tudo muito mais fácil... de um modo geral, eu e seu pai, não nos preocupavamos com dias como o de hoje. - "...não chore, não chore..." - Mas hoje, você já é uma mulher, e com muita Muita pena minha... eu terei que deixar você ir para a colheita... - Não me contive, e uma lágrima bem pequena e reluzente saiu pelo canto do meu olho direito, escorrendo pelo meu rosto, encosta abaixo, deixando um rasto húmido e visível. - Não quero que aconteça alguma coisa de mal com você Erika... mas... também não posso proibir esta decisão que nem sequer é tomada por mim, e que é obrigatória!

Por fim, deixei de sentir as mãos dela na minha cabeça, mas senti o vulto de trança que ela havia me feito. Com uma mão, limpei a lágrima e olhei em frente, onde agora ela se encontrava, agaixada ao meu nível e me olhando nos olhos com uma tisteza profunda e lágrimas a escorrerem pelos olhos, enquanto continuava calmamente falando:

- Te amo Erika... e se infelizmente para mim, você fôr escolhida, quero que saiba que eu e seu pai estamos sempre aqui para tudo... sempre!

Sem alguma a dizer, abri os braços, e automaticamente, abraçei bem forte o pescoço de minha mãe, enquanto fechava os olhos sentindo o resto das lágrimas cairem pelo meu rosto de novo, e enquanto sentia o abraço forte dela...

Estava devastada com aquele momento, e tudo o que ela havia dito era verdade!

Sem exitar, me levantei e fui correndo abraçando da mesma forma meu pai, sem dizer uma única palavra, e sentindo ele retribuir fortemente também...
Afastei-me dele e olhei os dois sorrindo pelo canto do lábio enquanto voltava a colocar meu chapéu e saía de casa me dirigindo á praça central.

Chegando lá, olhei em volta, e várias pessoas de minhas idades, se encontravam no local. Endireitei as costas e fui para uma fila de imediato de coleta de sangue. Havia apenas duas pessoas á minha frente e até lá, fiquei olhando em volta com um olhar sério, até que ouvi:

- Menina!

Foi então que prestei atenção, olhei em frente, vendo um homem de grande porte corporal, sentando em uma cadeira, em frente a uma mesa de madeira. Então sem exitar, me aproximei de expressão neutra, e estendi meu dedo indicador da mão direita... senti uma picada de uma agulha... e num movimento rápido levei este á boca, chupandoosangue que saía, enquanto via o homem analisar meu sangue num pequena máquina e enquanto me perguntava:

- Tipo sanguíneo?

Franzindo ainda as sobrancelhas, olhei ele e tirei o dedo da boca falando neutramente:

- O+

- Nome?

Foi ai que dei uma leve e baixinha gargalhada sinica e repondi olhando o homem:

- Erica... Erica Hale Baxter.

Este apontou tudo num papel e gritou - PRÓXIMO! - foi aí que minha fase havia terminado, então saí daquele espaço e dirigi-me até onde havia mais concentração de pessoas... era o meio da praça, e tava todo mundo olhando um grande palco que ali havia. Umas sussurravam discretemente, outras choravam junto de seus pais... e eu, estava ali, na parte de trás sem mover um dedinho e olhando as figuras dos outros.

Foi então que vi a representante do Distrito 5. Ora bem, deixa cá ver... cabelo, cheio de laca, curto e simplemente horrível... roupas, de cores... BERRANTES mesmo,horrível.... sapatos dotamanho da torre Eiffel... enfm, apenas uma palavra para caracterizar aquela mulher... HORRÍVEL!
- Bons dias meus anjos! Sejam bem-vindos a mais uns Jogos Vorazes... - bláblá!

Sinceramente, nem ouvi o resto, mas limitei-me a fingir que entendia pelo menos, enquanto ficava de cabeça baixa, rindo para mim, cada vez que me vinha á memória, o estado em que a mulher estava, mas enfim... modernidade é assim!

Levantei a cabeça de novo e olhei o "filme" que agora passava na grande tela... franzi as sobrancelhas e fiquei profundamente enojada com aquilo tudo! Fiquei angústiada... fiquei tudo o que tenha a ver com vómito ou azia!
Sinceramente... acho que gente como aquela mulher deveriam ter vergonha na cara, mas enfim... estava ali por outros motivos e não para pensar bosta mesmo! Apesar de ser o único geito de esquecer o ambiente que esta manhã tinha em casa...

- Muito bem... e agora, está na altura da seleção, e como sempre, devem ser as damas primeiro! - O suspense aumentou. Todo mundo olhou a mulher como se fossem robot's ou algo do género... até eu! Agora, esta colocava a mão dentro do seu globo de vidro cheio de papéis com nomes de garotas... Na minha cabeça veio tudo! Pensamentos ridículos, lembranças, bons e péssimos momentos enfim... - E a garota... a sortuda garota, que vai ter o prazer de representar o Distrito 5 é?

O suspence se mantinha. Era apenas, o barulho do vento a ocupar aquele local... meu coração polava que nem louco e meus ouvidos e olhos estavam bem abertos e atentos:

- Uma salva de palmas para a menina...



Tags: ~Respira fundo Erica... Respira fundo...~ Clothes: Aqui Musica: Demi Lovato - Give Your Heart a Break ?? Notes: #Ansiosa #Nervosa



Thanks Pabs @ Wonderland Editions

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Re: A Colheita

Mensagem por Ryan Andrew Clay em Sex Mar 08, 2013 7:10 pm


Meu sono naquela noite não tinha sido tão tranquilo como costumava ser, na verdade, fora um tanto desaconchegante. Senti calor pela madrugada e acabei arrancando o pijama o que proporcionou uma situação nada agradável quando minha mãe chegou em meu quarto logo pela manhã para me acordar. Saltei da cama e ela logo saiu, deixando-me sozinho para começar a me preparar. O Distrito 4 não ficava tão abalado nas colheitas, mas mesmo assim, o clima de tensão praticamente pairava no ar, sobre nossas cabeças, como nuvens de chuva prestes a estourar num trovão ensurdecedor. Não temia por mim, nunca temi a arena, pelo contrário, muitas vezes desejei loucamente ser sorteado ou poder me voluntariar, mas haviam nomes, simples nomes num conjunto infinito que mantinham meus pés firmes e presos no Distrito 4. Um desses nomes era Nina. Após ter tomado um bom banho e vestido as roupas que normalmente eram designadas por minha mãe para serem usadas na colheita, desci para a cozinha onde comi um sanduíche de queijo acompanhado por um copo de suco. - E todos pensando que Emily estava morta... - Balbuciei comigo mesmo, sem ver que meus pais estavam dando uma atenção especial a tudo o que eu falava. Ambos pararam de comer, fizeram silêncio, esperando que dissesse mais alguma coisa. Continuei olhando-os de soslaio, mastigando devagar a comida que ainda estava em minha boca. - Ryan, nós sabemos que é difícil. Você é inteligente, sabe que a “sorte” não está ao favor da Nina. - Engoli o pedaço de pão, mas na verdade, a sensação era de estar engolindo cascalho coberto de sal. Por que comentar sobre os números que Nina tinha? Todo mundo sabia que ela era uma das melhores carreiristas do Distrito, mas havia mesmo necessidade de mencionar isso a todo momento? Ela não ia para a arena, eu não permitiria, não poderia arriscar perdê-la. Era minha única amiga. - Bem, a Nina tem um mentor poderoso no pé dela. O Lyon com certeza moverá alguns pauzinhos, caso ela seja sorteada, mas para a felicidade de todos nós, ela não vai ser. - Arrastei a cadeira e levantei-me, encarando-os apenas mais uma vez antes de deixar a cozinha, me encaminhando de volta para meu quarto.

Preparei o braço e soltei com destreza o dardo, que acertou o centro do alvo, fazendo companhia aos outros quatro que estavam também cravados ali, marcando to total, mais de duzentos pontos. Eu poderia fazer qualquer coisa, mas nada me deixaria menos aflito. Eu já estava começando a acreditar, a ter esperança, de que nós um dia, seriamos livres de toda a obrigação de mandar crianças para morrer numa arena, como se aquilo realmente fosse uma demonstração de compaixão e clemência da Capital. Estreitei os olhos, vincando a testa, soltando por fim, o ultimo dardo que tinha em mãos, mas este acabou acertando a parede, bem longe do alvo. Soltei a respiração pesada e passei as mãos pelos cabelos e pelo rosto, andando no quarto de um lado para o outro. Não fazia nem ideia de quanto tempo tinha ficado ali, entretido com a brincadeira, mas quando me dei conta, minha mãe estava batendo na porta, dizendo que era hora de irmos. O sol estava quente, como sempre, e as pessoas com suas expressões de derrota, mais se pareciam doentes caminhando para saltar do precipício, como se não tivessem mais serventia à Panem. Do meu lado direito, meus pais trocavam olhares que eu não conseguia desvendar de imediato, do meu lado esquerdo, um garoto bem mais baixo estremeceu, quando o contorno do Edifício de Justiça brilhou com os raios do sol, quase nos cegando. - Fique tranquilo - Apertei com cuidado o ombro do garoto e ele olhou-me, com certeza me reconhecendo do centro de treinamento de carreiristas. Tentei sorrir, mas não parecia verdadeiro ou natura, fiquei sem expressão no rosto, até ver uma fila se formando bem na minha frente para a coleta de sangue. Tombei a cabeça para a direita e para a esquerda, estalando meus músculos, tentando relaxar. A fila pareceu-me um pouco desorganizada, até que algo chocou-se contra meu peito e no mesmo instante o cheiro tão familiar de camomila me envolveu. A garota loira teria caído se eu não tivesse segurado seus ombros, mantendo-a firme. - Nina, tudo bem. Fique calma. - A expressão no rosto de Nina era confusa, parecia perdida e desesperada. Fiquei preocupado, raramente eu a via daquela forma, mas mesmo assim acabei dando um sorriso para ela. - Onde está Jolene? - Uni as sobrancelhas e olhei em volta, buscando pela irmã de Nina enquanto soltava seus ombros, já que era notável sua capacidade de ficar em pé sozinha. Apontei um dedo para frente, há quatro pessoas de distância estavam Jolene e Corinne, paradas, nos observando.

Nina não costumava agir daquela forma, sempre controlada e fria, ela media seus medos, mas estar sendo colocado frente a frente com a morte mais uma vez, era de atormentar qualquer um. Tentei me controlar, mas acabei falando - Está parecendo sua primeira vez na colheita - Ela me fitou, surpresa por eu ter falado naquele assunto. - Você chorou muito. - Era ótimo deixá-la irritada, era um dos meus hobbies preferidos irritar Nina Louise, mas naquele momento eu só queria deixá-la menos tensa. - É, eu sei! Não precisa me lembrar disso. - Continuei sorrindo, observando-a tentar desviar a atenção para a fila. - Estava de azul. E o cabelo cheio de conchinhas coloridas. - Eu me lembrava da primeira colheita dela, fora um dia muito estressante, para todos nós, já que Jolene quase tivera que se voluntariar. Mas, para o alívio da nação, outra carreirista tomou o lugar da sorteada e ficamos a salvo, pelo menos por um tempo. A paralisia deixou todos muito mal acostumados, pensando que realmente tinham alcançado a felicidade, uma utopia, quando na verdade, era só umas férias para que o banho de sangue voltasse dez vezes pior. Não me surpreenderia se Emily desse ordens para ter o dobro de tributos na arena. - Cala a boca, Ryan. - Não consegui conter a risada e Nina pareceu ainda mais irritada. Mas, não durou muito tempo, em menos de dez segundos, ela virou-se e jogou os braços ao meu redor, abraçando-me com força, desejando apenas conseguir se sentir mais confiante. Envolvi sua cintura e encostei o queixo e sua clavícula, fechando os olhos por um breve instante. - Estou com você - Sussurrei e nos afastamos. Depois do abraço, rapidamente Nina fora chamada para ter o dedo furado, logo depois foi minha vez. Estiquei o dedo para o Pacificador que o picou com a agulha, ele apertou a ponta e pressionou-o contra um papel. O leitor piscou em verde meu nome completo, minha idade e meu tipo sanguíneo, e logo eu estava me juntando com o pessoal de dezessete anos. O rápido show de todos os anos, incluindo o prefeito, os vitoriosos e a representante que anunciava os nomes dos tributos. A mesma baboseira, as mesmas palavras, as mesmas piadinhas, as mesmas ameaças por trás da falsa compaixão e clemência e mais muitas coisas completamente falsas. A mulher de cabelo preto em corte chanel caminhou até a urna de vidro de forma circular que continha os nomes das garotas, enfiou a mão lá dentro e remexeu, retirando apenas um papelzinho. Ela o exibiu ao público com um sorriso largo no rosto e voltou para o microfone, movendo os lábios com rapidez e animação. - Uma linda menina, eu espero. Vamos conhecer nossa sorturda...

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Re: A Colheita

Mensagem por Sophie Annie Bittencourt em Sex Mar 08, 2013 7:34 pm

let's go crazy...
Quatro longos anos separavam a lembrança do real, quando tinha apenas doze anos tinha medo de furar meu dedo, tinha medo de ser escolhida logo em minha primeira colheita e embora não demostrava fiquei totalmente apavorada nos poucos segundos em que a representante da capital demorou para abrir o papelzinho com o nome da 'sortuda' que iria nos representar nos jogos... Queria fugir e de alguma maneira planejava a situação em minha mente pensando continuamente -Não irão notar a minha falta já que nunca participei do processo- e embora quisesse não poderia principalmente pelo fato de olhar nos olhos de minha irmã um ano mais velha que eu mesma... Ela parecia tão confiante, tão forte e de alguma forma era tudo que eu jamais seria um dia. Minha mãe tinha orgulho de esfregar isso em meu rosto de uma forma ou de outra sempre vangloriando minha irmã e de certa forma isso incrivelmente não afetou a minha relação com Louise;
A quatro anos cinco pessoas influentes no processo dos jogos incluído o poder supremo de Panem evaporaram, sumiram... Sem eles os jogos não deveriam acontecer. Eu participara apenas de duas colheitas ate então tinha por volta dos treze anos e meio quando um programa obrigatório na televisão de Panem anunciava em primeira mão o sumiço de tais influencias, os pacificadores se deslocaram de suas tarefas continuas para a procura ou caça se for analisar de uma maneira mais esperta atras dos desaparecidos e por quatro longos anos nada ocorreu... A População de panem como um todo estava em paz, feliz? Não diria que aquilo era felicidade era mais para algo que muitos denominariam liberdade antes dos tempos escuros algo que foi roubado de nós mesmo antes de nascermos... infelizmente! Fato e por quatro bons anos o povo sentiu o gosto de algo que era lhes privado a décadas e embora as pessoas não quisessem admitir elas gostariam que os desaparecidos nunca focem encontrados, gostariam que a paralisia continua-se para sempre talvez.
Seriamos muito hipócritas se acreditacemos nisso em nosso distrito em bora os tempos focem bons os carreiristas se sentiam agitados em sua grande maioria não era mais necessário arriscar a vida por valores inúteis de honra porém o treinamento era grande parte do lazer de nosso distrito e grande parte da vida dos jovens que ali rediziam então mesmo com a suspensão dos jogos a academia do distrito dois continuou funcionando; Lembro de Loh dizer logo após o anuncio da suspensão dos jogos olhando fixamente em meus olhos "-Isso não sera para sempre Sophie, prepare-se pois o pior vira.. e quando menos esperarmos ... Os Jogos nunca foram apenas um jogo!" A principio e claro achei que ela estava ficando louca ou algo assim entrando em colapso nervoso ou sei lá mas aquelas palavras me perseguiram e na manha seguinte após a escola eu corri para a academia. Eu já treinava e claro mas comecei a passar cada vez mais tempo lá e se algum dia o pesadelo voltasse eu estaria pronta claramente. Descobri meus talentos e habilidades ali também me machuquei não só física mas psicologicamente porém o maior golpe de todos estava por vir... Louise adoecera e de alguma forma eu não conseguia parar de pensar no que fazer se ela não estivense mais ali. Minha família era instável de mais brigas constantes entre mim e minha mãe a intermediaria era a Loly provavelmente minha mãe me mataria se ela morre-se ou então eu faria o trabalho inverso;
Minha mãe e eu decidimos então pelo bem comum pararmos a discação as brigas constantes e por um tempo a paz reinou, mas não por tanto tempo assim após alguns meses Louise falecera e o clima ficou novamente ruim eu não conseguia olhar para minha mãe e nem ela para mim. Ao olhar para ela eu via o que ela não era para mim o lugar que era dela por direito que foi ocupado por minha irmã e provavelmente ao olhar para mim ela via Louise, as feições eram tão parecidas que poderíamos ser gêmeas se não foce a idade conflitante então para evitar sofrimento comecei a evitar minha mãe e a minha casa também, passava horas sucessivas fora treinando e só voltava a noite para dormir... Então eu treinava mais, cada vez mais; De alguma forma fiquei aliviada em ver os pacificadores retornando a rotina, de ver a praça em frente ao Prédio da Justiça começar a ser organizada para o grande evento. Telões enormes serem posicionados e um grande palco onde tudo ocorreria sendo montados e de alguma forma maluca e doentia eu sentia alivio em ver tudo isso...
Já haviam se passado quatro longos anos deis de os últimos jogos, era estranho ouvir novamente o falatório na escola ou na academia as pessoas incrivelmente não muito confortáveis com a situação o que era estranhos se for contar que o distrito dois e um distrito que supostamente se infla quando os jogos começam....
Cheguei em casa por volta da meia noite, meus pais haviam se recolhido a cama há algum tempo pela situação da cozinha a louça já lavada não pingava mais, a relação com a minha mãe havia melhorado após um ano e alguns meses de total indiferença de ambas as partes agora ela estava estranha e eu não conseguia identificar o porque exato, era tudo meio estranho admito cheguei em casa e bati os meus pés no assoalho com pouca força temendo acordar meu pai, minha mãe ou então minha gatinha que carinhosamente havia dado o nome de Loly em homenagem a minha irmã o que era irônico já que ela sempre quis ter um gatinho... Calculava meus passos para que fizessem o minimo de barulho possível, estava suada pelo treino após revelarem que os desaparecidos haviam retornado nada mais comum do que marcar o dia da grande colheita o dia que os jogos retornariam separando a lembrança do real, o covarde do valente, o esperto do burro, o vencedor dos mortos...
Fui em direção ao fogão que ficava perto de uma porta dos fundos que era uma saída prática para o quintal atras de minha residencia, a casa em si não era grande comparada as da cidade mas nossa família tinha seus lucros, meu pai trabalhava numa posição de destaque no conjunto de pedreiras do nosso distrito, minha mãe havia preparado a minha refeição favorita um puré de batatas doces com uma carde ensopada... Era disso que estava falando deis de o anuncio dos jogos eu não estava reconhecendo minha mãe mais, ela estava mil vezes mais gentil, compreensiva, companheira tudo o que ela nunca foi comigo... Talvez seja o medo falando mais alto e espero que não seja isso porque em parte de mim sempre sonhou em ter uma mãe assim e não suportaria saber que aquelas ações ao invés de serem desencadeadas por amor serem desencadeadas pelo medo. Coloquie uma porção razoável em meu prato e sentei a mesa comendo em silencio apenas interrompido pelo som continuo da colher tocando o prato, após terminar a refeição lavei os talheres e o prato e os segui sem presa... Já era por volta da meia noite e meia quando subi as escadas evitando o degrau que rangia e adentrei ao meu quarto como de costume Loly a minha gatinha estava sobre a cama de minha irmã o que era de certa forma irônico e engraçado... Eu havia me apegado muito aquele animal depois de algum tempo. Troquei de roupa rapidamente e adormeci...
Em meu sonho ou pesadelo... Eu estava correndo, correndo tanto que estava já ofegante, as arvores passavam com velocidade e mesmo tentando olhar para trás a unica coisa que podia ver era o breu da noite e então um arrepio percorreu a espinha enquanto uma voz indistinta susurava audivelmente "-Nunca sera apenas um jogo!"; Tentei acordar inúmeras vezes mas quando abri os olhos já estava claro, o sol estava no horizonte e subindo e o 'grande dia' começava de uma maneira um tanto diferente; Definiria o meu estado de espirito como enjoado e desconfiado o que de certa maneira não era um bom sinal... Fiquei na cama por cerca de dez minutos simplesmente encarando o teto o que foi tão entediante que decidi sair da cama e encarar os riscos do ato; Logo que sai do quarto e desci as escadas reparei num cheiro muito bom vindo da cozinha, tinha alguma coisa haver com canela e a casa estava totalmente perfumada com esse cheiro muito gostoso... Aproximando-se da cozinha vi meu pai sentado a mesa comendo algumas panquecas e minha mãe cozinhando algumas para mim já que o grande lema dela e "Saco vazio não para em pé" admito que nunca comi uma panqueca tão boa acho que foi o cheiro da canela ou simplesmente alguma coisa que estava tão misturada na masa que não foi perceptível ao paladar de qualquer forma divino.
Dei um beijo em meu pai e fui para o segundo andar tomar um banho, já que a colheita em si e um evento formal e todos devem estar bem arrumados, me lavei no chuveiro, a água quente batia em mim e escorria pelo chão, uma sensação reconfortante que por mais que quisesse que durasse não duraria muito. Ao sair do chuveiro me enrolei em uma toalha qualquer e fui em direção ao meu quarto... E me deparei com minha mãe sentada na cama de minha irmã com a Loly no colo e algo esticado sobre minha cama, uma especie de tecido?
-Oi. Disse eu, alarmada principalmente com a cena por motivos básicos como o fato de ela nunca mais ter entrado naquele quarto deis da morte da Louise ou ainda por ela não gostar de animais e achar a Loly um saco de pelo pulguento entre outros e claro!
-Oi! Separei um vestido para você, espero que não se importe. Olhei então para o tecido esticado sobre a minha cama tinha a tonalidade dupla era em grande maioria de um tom escuro que eu supus ser preto e em alguns pontos um vermelho rubro quase da cor do sangue, tinha a leve impressão de já ter visto aquele vestido antes mas decidi deixar os detalhes de onde ele era proveniente para outro momento.
Me vesti com o vestido que era rodado o que deu um certo volume na parte inferior do mesmo, minha mãe também havia separado uma sapatilha que era preta e um laço vermelho sangue, eu causei o sapato e minha mãe me ajudou a arrumar meu cabelo, aquela situação me fez lembrar de quando Louse foi a sua primeira colheita ela usava um vestido que era semelhante ao meu porem a cartela de cores era branca e azul meus olhos se iluminavam ao ver minha mãe pegar mechar e mais mechas de cabelo e ir as 'amontoando' para que um penteado elaborado foce construído eu espiava a cena sentada sobre meus joelhos de cima de minha cama um lugar confortável, e após algum tempo de transe ou algo assim onde relembrei o posado eu voltei ao tempo atual e minha mãe já havia terminado o trabalho, eu estava tão parecida com... com ela, Louise que ate mesmo eu fiquei com medo de minha aparência, queria desmanchar aquilo tudo e ir de sapato e causa mas, não faria aquilo, sei que minha mãe ficaria triste se eu rejeita-se aquilo e de certa forma rejeita-se ela também então fiquei calada.
O tempo não estava a meu favor e pela janela já se viam os pacificadores indo de porta a porta convidando os jovens entre doze e dezoito anos a se dirigirem para a praça central para o inicio da colheita, eu estava principalmente em duvida, medo? Não! Só tive medo dos Jogos em minha primeira colheita... Eu era uma criança medrosa eu tinha agora a tarefa de honrar da melhor forma possível não só a minha família mas o distrito que e conhecido como dois um lugar onde não a lugar para medo nem covardia... Desci as escadas devagar acompanhada de minha mãe, meu pai já estava na varanda esterna segurando alguma coisa, podia jurar que era uma foto de mim e Loh quando eu tinha por volta dos 5 anos, e então lembrei vagamente do vestido era exatamente o mesmo que eu usava na foto quando tinha cinco anos, fiquei calada com medo de estragar os devaneios de meu pai, possivelmente ele pensava no que aconteceria se não focemos assolados pelos jogos se nunca tivessem existido, se a liberdade fosse palpável algum dia o que teria acontecido com suas duas garotinhas.... Ao chegar próximo a ele no entanto ele guardou a foto no bolso e me deu um abraço que só tive como retribuir com surpresa aparente. Logo em seguida abracei minha mãe e disse -Não se preocupem eu tenho dezessete ano que vem sera minha ultima colheita e então nunca mais jogos, eu ficarei bem... Prometo!
Segui solitaria pela rua de minha casa que era perto da praça principal o que então não levou muito tempo, cheguei e já havia um aglomerado de adolescentes em uma fila meninos seguiam por um lado as meninas pelo outro. Me senti novamente em casa naquela situação porque de certa forma era para isso que nos preparávamos dia apos dia, olhei para o telão, o simbolo da capital grande e imponente alem de bandeiras penduradas sobre todo o prédio da justiça ilustravam sua grandiosidade, sempre tive a duvida do que realmente a capital era, haviam muitos rumores mas nenhum concreto de como era a totalidade da grande cidade, fui tirada do pensamento da idealização da capital quado meu dedo foi espetado, uma gota de sangue retirada e colocada em seguida em um papel que por sua vez e lido por um leitor que escaneia a gota de sangue e computa o seu nome, quando apareceu no visor do aparelho Sophie Annie Bittencourt eu então me dirigi ao cercadinho das garotas com dezessete anos de idade era aparente o estado de espirito aqueles que tinham dezesseis ou dezessete estavam muito mais descontraídos do que os mais novos visto que já tinham participados da colheita anteriormente, para mim não era diferente conversei com uma menina que se não me engano o nome se chamava Amabelle e ficamos falando por alguns minutos sobre a probabilidade do tributo ser um novato na colheita e como os jogos terem voltado era uma coisa feliz e legal, sorrisos bestas de um lado para o outro ate que se ouviu um barulho tocando o microfone e o som das vozes do distrito sumiu, a representante deste ano era sem duvida... estranha em bora ela more na capital e lá as coisas estranhas sejam ditas normais ela com toda a certeza não era normal... tinha um cabelo de cor artificial, uma pele esticada que aprecia ter sofrido inúmeras modificações e usava algo que nem eu ousava definir de qualquer forma ela começou com o discurso que a quatro aos atras a representante da capital usou e que qualquer representante da capital começa usando:
-E finalmente mais uma edição dos Jogos Vorazes tem inicio! E eu irei lhes informar, que eu me sinto muito feliz com a volta de Emily Stoker. Sim, sim, quem não estaria? Bom, meus queridos, agora é a hora de eu dizer aquela frase clássica dita antes dos jogos: FELIZ JOGOS VORAZES! E que a sorte esteja sempre em seu favor!; O silencio ecoou e como sempre um vídeo relembrando os dias escuros apareceu nos telões enormes com um texto que já era usado a tantas décadas há de se esperar que decorassem-os e por mais ridículo que foce eu recitava junto já que não tinha coisa melhor para fazer a não ser ficar la parada olhando para o meu sapato...
“Guerra, uma guerra terrível. Viúvas, órfãos, crianças sem mãe. Isso foi o que a revolta trouxe para nossa terra. 13 Distritos se rebelaram contra o país que os amavam, que os alimentavam, que os protegiam. Irmão contra irmão, até não sobrar nada. Então veio a paz, luta difícil, vitória lenta. O povo se reergueu das cinzas e uma nova era começou. Mas a liberdade tem seu preço, quando os traidores foram derrotados, juramos como uma nação que não veríamos mais essa traição de novo. Então foi decretado, que cada um dos vários Distritos de Panem ofereceriam como tributo um garoto e uma garota para lutarem até a morte em uma demonstração de honra, coragem e sacrifício. E o único vitorioso, banhado em riquezas, serviria como lembrança de nossa generosidade e de nossa clemência. É assim que lembramos nosso passado. E é assim, que guardamos nosso futuro.”
A representante da capital recitava também de uma forma silenciosa ate que no final ela se pronunciou -Eu simplesmente amo isso. Bem como de costume primeiro vamos começar com as damas não e mesmo? A população do distrito dois se prendeu em um suspiro coletivo, sem uma voz, um aplauso, um sinal de que aquilo realmente estava acontecendo, eu queria gritar... Simplesmente as vezes a vontade vem por impulso, quantas vezes quis gritar após a morte de Louise mas antes de despencar eu sempre corria para um lugar vazio onde ninguém veria o meu colapso mas aqui, agora não poderia fazer isso, não poderia sair correndo, correr ate ficar ofegante... A representante da capital enfiou a mão pálida e fina no globo de vidro com mais de mil papeizinhos com nomes escritos e os remexeu tirando um papelzinho bem la do fundo sorrindo, ao se aproximar do microfone novamente o suspiro coletivo era tão grande que o barulho dos saltos dela sobre o palco era o único barulho no hiato de som, ela então abril lentamente o papel com o nome da asarona/sortuda que iria representar o distrito dois.
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Re: A Colheita

Mensagem por Emily Lisbeth Stoker em Sab Mar 09, 2013 12:51 pm

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