Avenida dos Sonhos Quebrados

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Avenida dos Sonhos Quebrados

Mensagem por Emily Lisbeth Stoker em Sab Maio 12, 2012 5:02 pm

Avenida dos Sonhos Quebrados


Não fica exatamente no centro da Capital. Mais para os arredores, em um local escuro, pouco visitado. A Avenida dos Sonhos Quebrados era o lugar onde os moradores da Capital escapavam para o Refúgio. Uma rua comprida, abarrotada de prédios negros e juntos, que em si, formavam sombras assustadoras. Não é um local recomendado para medrosos...

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Re: Avenida dos Sonhos Quebrados

Mensagem por Michael A. H. Deisler em Qua Set 12, 2012 8:34 pm





"Ar diferente. Paisagem estranha. Pessoas muito esquisitas. Feias. Cores. Luzes. Ruídos. Tudo isso em tempo integral, sem pausas. A Capital... Ainda não consegui descobrir a tal magia naquele lugar que, por baixo de tanta alegria esconde uma maldade incrível. Digo isso pela submissão dos Distritos perpetrada de forma tão cruel por eles. Era demais para mim. Eu, que protestei; à minha maneira, mas, protestei; por muito tempo, contra toda aquela crueldade e sadismo deles. No fim das contas, me vi participando de seu próprio jogo. Meu protesto, então, tomou uma outra forma, afinal, eu deveria seguir seu protocolo, caso quisesse continuar protestando depois... Deixo meu quarto, Julia ainda está na mansão da Presidente Stoker. Mulher estonteante, muito jovem para o cargo que ostenta, mas, o que chama a atenção, mesmo, é a sua beleza combinada com aquela personalidade sanguinolenta, ácida, desdenhosa e desafiadora, suficiente para me seduzir à primeira vista, mesmo sabendo que é algo completamente impossível. A gente aprende a lidar com as ilusões da vida. Foi o que me trouxe vivo da Arena, afinal. Caminhando sozinho pelas ruas daquele lugar, vendo contrastes incríveis da realidade. Luxo e glamour transbordando até por bueiros. Miséria e desgraça proliferando em becos largos e superpovoados. Até chegar no lugar ideal para, o que julgava ser, minha espécie única de ser humano. A tal Avenida dos Sonhos Quebrados. Belo lugar. Tons escuros, sombrios, ruídos escassos, presenças quase inexistentes. Perfeito para os meus momentos de meditação."

"Noite vazia. Estrelas prateadas pontilhando um céu muito negro, o pano de fundo das trevas que nos cercam. Soa poético, mas, é só a ausência da luz solar nas partículas que existem em nosso ar. Nada de magia. Que bom. Procuro um banco, se é que é possível encontrar algo do tipo, ali. Realmente, nada. Me sento sob a marquise de um suposto cinema desativado. Aquele ar sombrio me traz tantas lembranças, um mar de tranquilidade sem igual. Não posso ser uma pessoa normal. Encontrar conforto no isolamento, no escuro, na dor alheia, confesso, também. Sangue, violência, pavor, porque tudo isso me agrada? Talvez, porque fui criado em meio a isso tudo, e, os episódios mais importantes da minha vida se desenrolaram com esse pano de fundo? Busco sempre relembrar as tragédias pelas quais passei, para sempre extrair o que elas me deram de melhor para enfrentar essa vida. Cada vez que retorno de meus devaneios, fico mais forte, esguio, perigoso, frio. Do jeito que o mundo nos pede para ser. Com apenas quatorze anos, matei mais pessoas do que muita gente em sua vida inteira. São poucos os que conseguem matar três pessoas numa boa, e sair a passo, com aquilo gravado na memória como se fosse um fato de se orgulhar. Me escoro contra o batente de mármore empoeirado da entrada, fecho meus olhos, e começo a varrer lembranças. Só que, curiosamente, o que vem à tona são os momentos que passei entre preparação, participação e saída da Arena. O dia da colheita, quando ergui a mão e disse com todas as letras que eu queria ir, e não aceitaria uma negativa da Capital. A surpresa, misturada com a excitação de ter sido selecionado. A chegada à Capital, os treinamentos, os protocolos, o grande dia. O contador, os rostos, o sinal. Melissa. Muito sangue. Luch. Diversidade de ferimentos, e bastante energia. Joshua. Facilidade, crueldade, tranquilidade. Recepção. Gritos, cartazes, ruídos, apertos de mão de gente importante que eu não conhecia. O reencontro com Julia, seu sorriso úmido pelas lágrimas de saudade da única pessoa que ela tinha. Ainda tem. Conhecer a linda Presidente de perto. Uma nova casa. Muito dinheiro. A vida que queria dar a ela desde sempre. O conforto, segurança... Enfim, sucesso. Sossego? Não. Apenas ausência de perigos."

"É estranho. Moro num apartamento enorme, com uma suíte gigantesca, que divido com Julia. Os vizinhos me cumprimentam o tempo todo, como se eu fosse alguma celebridade, ou sei lá. Sim, eu ganhei os Jogos, mas, é como se fosse mais do que isso. Muito, muito estranho. Nunca vi tanta gente bem-disposta a me deixar à vontade, satisfeito com tudo. Nem mesmo no Distrito 4, onde todos eram meus amigos, onde todos se uniam para lutar contra a dificuldade, a miséria e a desgraça. Claro, era apenas com segundas intenções. 'Vamos ficar amigos do garoto que ganhou os Jogos. Ele ganhou uma bolada em dinheiro!' Mas, sinceramente, eu não me importo. O dinheiro está muito bem guardado para o futuro de minha irmã. Não sou do tipo que sai queimando notas, rasgando ou atirando no barro. Eles podem tentar o quanto quiserem, mas, não tiram nada de mim. Nem à força. A paisagem que vejo pela janela, é incrível. Os prédios de variados tamanhos, muitas luzes, cores, músicas mescladas naquele ar poluído por excessivo luxo, ostentação, materialismo. Eu achava divertido ver aquilo tudo, as pessoas se matando para conseguir gastar dinheiro transformando seu corpo em aberrações, comprar objetos e roupas ridículos, mas que, para eles, era o ápice de uma sociedade consumista, que se prende a acessórios do que à personalidade real da pessoa que se esconde por trás de tamanhas bizarrices. Eu tinha pena deles. Bom, durante dois dias, tive pena. Depois, me acostumei e comecei a dar risada das suas vidinhas desgraçadas. Mas a Presidente não me saía da cabeça. De jeito nenhum. Paixonites de um adolescente solitário e sociopata."

"Desperto, ainda solitário naquele lugar. Nada mudou, só a direção daquela brisa quente que sopra. Sinal de que a chuva se aproxima. Ótimo. Nada melhor do que um banho natural. E ali fico, sem se preocupar em me esconder. Sem se preocupar em ser encontrado. Sem se preocupar com o tempo que passa, sem dar chances aos que vacilam por frações e perdem oportunidades de ouro."

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Re: Avenida dos Sonhos Quebrados

Mensagem por Allie Siegel em Qui Set 13, 2012 8:31 pm

Bitch Please!
Capital; Sexta-Feira; Nove e Meia;
Deisler

O final dos jogos sempre fora o maior entretimento dos cidadãos da capital, vezes melhor que o banho de sangue na cornucópia no inicio dos mesmos, aonde pessoas tolas lutavam por mantimentos que lhe ajudariam a sobreviver em uma grande arena milimetricamente arquitetada pelos sádicos que os tinham nas mãos. O vencedor não era o mais velho nem mesmo o mais forte, mas sim o mais esperto para sobreviver ao tabuleiro de jogo dos gamekers, os tributos eram apenas peças de um jogo que divertia a maioria dos cidadãos da capital, já eu não era o tipo de pessoa que se deliciava ao ver pessoas serem partidas ao meio ou perderem – literalmente – a cabeça, não negava que vez ou outra me sentava no sofá da sala para ver quem seria o novo queridinho da capital, e era assim todos e todos os anos, me perguntava se um dia chegaria a hora que todos enjoassem do mesmo roteiro de sempre, se bem que Emily nunca deixaria isso acontecer, sempre arrumaria o possível e o impossível para entreter seu povo.

Patético, tudo isso era muito muito patético. Meus cabelos rosados estavam perfeitamente presos em um rabo de cavalo deixando as tatuagens em meu rosto bem expostas, junto aos novos cílios em formato de coração. Sim, essa moda que desde o início dos tempos era aderida pelos moradores da capital era algo que eu apreciava até demais, visto que até mesmo minha mãe conseguia ficar bonita com as inúmeras plásticas que seus clínicos de estética lhe proporcionavam, ela nunca se deixaria ser discreta como eu. Já era noite quando finalmente decidi sair e pegar um ar, desde o final dos jogos que eu não saia para ir a uma dessas festas da vida, festas em que quase sempre algo dava errado, e bem, essa não era uma exceção.

Me arrumei da maneira mais discreta que conseguia, apesar de meu guarda-roupa não me permitir fazer essa proeza, encontrar algo pouco chamativo em meu armário podia se considerar como uma tarefa impossível, optei pelo vestido recém comprado recentemente, pelo menos esse era o menos chamativo que poderiam me ver usar, o vermelho sangue se misturava com os tons escuros da noite. Não era muito longe de casa, tão perto que me permiti caminhar pelas ruas pouco iluminadas, sim eu podia ser considerada uma garota burra, na verdade, uma garota muito burra que apesar de seus dezessete anos ainda não havia aprendido a prestar atenção em tudo e todos, como se não tivesse visto na televisão situações em que tributos eram encurralados por trás por não serem tão atentos quanto deveriam.

Podia ouvir o som da música chegar até mim já não muito fraco, até sentir mãos aveludadas apertarem meus ombros e me jogarem no chão. Minha reação não foi a esperada, devido a alguns traumas de infância não reagi, apenas congelei como se meu corpo não respondesse a qualquer comando que eu os ordenasse realizar, mais uma vez eu poderia me considerar uma burra. Não pude ver realmente o que aconteceu, nem mesmo ver com perfeição o rosto do homem que agora me jogava dentro de um carro, a merda da venda já tapava meus olhos. Foi ai que meu corpo decidiu resolver me obedecer soltando involuntariamente um berro que era para ter sido solto a tempos atrás.

Garota descuidada! Eu pensava enquanto tentava me espernear dentro do banco de trás do carro, quando descobrisse quem era o filho de uma puta que me segurava ele não iria gostar nem um pouco de um dia sequer ter me tocado. Visto que me espernear em um carro pequeno seria inútil, me acalmei me rendendo ao ser que machucava meus braços com seus dedos, decidi não reclamar, afinal as pessoas da capital poderiam ser cem vezes pior do que realmente aparentavam ser. Quando o carro parou a porta se abriu e o mesmo homem que antes tentava me conter me empurrou para fora do carro, tirou a venda de meus olhos e jogou meu corpo contra a parede, o que provocou um pequeno barulho de minha cabeça batendo contra as paredes de concreto.

A rua estava bem escura, não conseguia ver seu rosto, somente sombras. Tentei empurra-lo porém novamente era batalha perdida. Ahn que ótimo Allicia! Agora sim você está ferrada. Revirei os olhos tentando mais uma vez o empurrar. Minhas unhas não eram tão grandes, os arranhões não provocavam nem mesmo algo similar a um corte, gritei novamente chutando seu membro inferior, ele urrou de dor soltando meus braços e levando suas mãos ao lugar machucado. Aproveitei os poucos segundos que tinham para correr o mais rápido que podia, porém os saltos nunca ajudariam em uma fuga rápida, porém continuei correndo na esperança que o homem já não estivesse atrás de mim.

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Re: Avenida dos Sonhos Quebrados

Mensagem por Michael A. H. Deisler em Sab Set 15, 2012 8:17 pm





"Um som grave e repetitivo cortando o silêncio daquela noite. Se aproxima rapidamente. Não, parou ao longe. Ouço algumas batidas secas. Um ruído surdo de algo batendo contra uma superfície muito sólida e pesada. Uau, um grito muito estridente ecoa. É, uma menina está sendo agredida, obviamente. Tomara que alguém faça algo. Ainda absorto no alto das reflexões de um experiente e já vivido garotinho de quatorze anos de idade, sou interrompido por mais sons vindos de lá. Desta vez, mais um grito da moça, seguido de um urro masculino. Então, ela ensaiou um possível contra ataque. Deve ter doído. Pelo berro, foi lá... Passos se aproximam. São ruídos curtos e secos. O calçado não deve ser o mais apropriado. Eles não cessam, vêm na minha direção. Será que serei envolvido? Não, não. Não me meto nos problemas de ninguém, é falta de educação. Então, a fonte dos barulhos. Uma menina de cabelos cor de rosa, um ar bastante sensual, e, pelo jeito, muito distraído, pois foi 'capturada' por um malfeitor qualquer. Normalmente elas costumam ser cautelosas quando desfilam pelas ruas. Está ferida, a julgar pelas manchas de batidas em seu rosto, seu cabelo bagunçado, a roupa esfolada em algumas partes. Seu salto alto é um pouco contrário à ideia de correr para fugir, mas que tragédia... Linda menina, afinal. Logo atrás dela, vem o agressor. Feições grosseiras, expressão furiosa misturada com dor em seu rosto. Também, a pancada deve ter doído pra caralho. Não gostei dele. E, ela é linda, seria uma covardia vê-la sendo violada de maneira tão cruel. Ele provavelmente a mataria depois. Ou antes, nunca se sabe os gostos... Não notam minha presença discreta, ali. Ele a alcança alguns metros além de minha posição. Observo-a tentando se livrar dele novamente. Será que consegue? Não, ele a agarra firmemente e a imobiliza. Dou de ombros. Ele a aperta ainda mais. Fecho os olhos e suspiro, desdenhosamente. Ouço uma pancada seca. Fico em pé."

"Não saio do lugar. Algo me vem à cabeça. Eu sou um mero adolescente, o cara é um criminoso. Pode estar armado, guardando para um caso extremo. Estou de mãos limpas, minha fisionomia é próxima à dele, mas, certamente sou muito mais jovem, não tenho a musculatura desenvolvida como a dele. Seria complicado. Acho melhor torcer por ela, e voltar ao meu quarto. Viro as costas devagar. Um ruído, ele me chama. Olho por cima do ombro, ele não está fazendo nada com ela. Me olha fixamente. Sua expressão é confusa. Está furioso, debochado, sentindo prazer, sei lá. Devagar, vem em minha direção. "Pois é, moleque, lugar errado, hora errada. Não posso deixar pistas, sabe? Se os Pacificadores me pegam, estou fodido. Então, sinto muito, mas, você vai ter que partir..." Que meigo. Avança contra mim como um louco. O que faço? Novamente, algo me vem à cabeça. Estou correndo, peguei uma faca, mirei e atirei com precisão no rim de uma garota. Acertei uma foice na barriga de outro. Matei uma aranha gigante! Matei um moleque na frente de um campo minado, com as mãos limpas. Peraí, eu venci a centésima edição dos Jogos Vorazes! Eu sei lutar, eu sei matar, eu gosto disso! Sou Michael Deisler, venho do Distrito 4 e sobrevivi àquilo, pela minha irmã mais nova. Não é um merda covarde que vai estragar toda a maré de sorte que surgiu na minha vida. Ah, não vai. Me posiciono, pés armados para um salto, punho direito cerrado à frente, para defesa. Esquerdo cerrado mais atrás, para o ataque surpresa. Abre os braços e se atira. Consigo me agachar e erguer um gancho de canhota em seu estômago. Seu gemido abafado denuncia meu sucesso. Ele cai de joelhos, já está quase espumando de raiva. Se atira em mim com tamanha violência, que me derruba feito um monte de merda no asfalto. Apesar de termos o mesmo tamanho, ele é mais pesado. Suas mãos envolvem, meio que precariamente, meu pescoço. Aperta com as pontas dos dedos, pois estendi meus braços contra os seus para reduzir sua eficácia. Puxo todo o ar que a situação me permite, e tiro uma das mãos. A pressão sobre a traqueia aumenta, imediatamente me sinto um tanto atordoado, mas, me concentro. Duas vidas dependem de mim. A minha e a dela. Num impulso desesperado pela vida, projeto meu braço para cima, com o indicador e o médio esticados, acertando em cheio seu olho esquerdo. Ele berra e se joga para trás, me libertando. Deisler está mais furioso do que nunca. Meu caro, que a sorte esteja sempre ao seu favor. No Inferno."

"Rapidamente aproveito que ele está de joelhos, cobrindo o rosto, e desfiro um chute direto, com o corpo virado de lado, com a perna esquerda, no seu peito. O impacto o derruba de costas, sem defesa, braços estendidos para os lados. Se o golpe fosse dado comigo controlando o movimento de sua caixa torácica, ele poderia ter morrido na hora, com a pressão externa esmagando o seu coração no momento do bombeamento do sangue, provocando uma hemorragia sem precedentes pelo tecido rompido. Mas, o calor do momento me impede de realizar tal extenso e minucioso estudo. Sejamos dignos. Espero ele se recompor e se erguer novamente. Fico mais uma vez em posição de combate. Dessa vez, eu inicio os ataques. Parto para a frente, dando um falso soco com a mão direita, logo girando o tronco para o lado oposto, desferindo um golpe direto com o punho esquerdo, na altura de seu flanco direito, procurando atingir a lateral de suas costelas inferiores, as flutuantes. Que costumam romper-se pra dentro, em caso de fratura, frequentemente perfurando os pulmões. Infelizmente ele se mostra forte o suficiente para não sofrer esse tipo de sequela. Geme de dor, sente um desconforto, mas volta ao combate, tão irritado quanto eu. Já me esqueço que há uma garota ferida ao nosso lado, provavelmente esperando ajuda, ou observando perplexa ao que se sucede. Eu vou vencê-lo, e prestar o devido socorro. Numa fração de segundo, ele consegue passar ao meu lado e me acerta uma joelhada logo abaixo do estômago, completando com um arremesso para trás, por meus ombros. Caio com estrondo no chão, a dor incomoda, sinto o gosto do sangue na boca, meu corpo todo parece incendiar de raiva. Eu não estou disposto a terminar assim, com certeza não. Temos diferenças, mas, não posso me importar com isso. Ouço a aproximação dele, e vejo-o já se atirando para cima de mim. Rolo para o lado em instantes, e me ergo do chão, muito alerta. Não espero ele se virar, já puxo o pé direito e lhe dou um chute de baixo para cima, em seu estômago, atirando-o de lado no chão. Ele tonteia com a pancada, visivelmente sem ar. Vamos encerrar isso, porque já tou morto de cansado."

"Enquanto ele se ajoelha para se recuperar, ficando de quatro, monto em suas costas, engatando o braço direito por baixo de sua axila direita, e cruzando-o, para agarrar seu colarinho e puxando-o para baixo. Passo o braço esquerdo por cima de seu ombro, envolvendo sua garganta com força. Novamente com a mão direita, faço força contra seu peito, enquanto puxo o braço esquerdo contra mim, apertando sua cabeça contra meu corpo e pressionando sua traqueia. Impulsiono a coluna para trás, me jogando no chão, e rapidamente prendendo minhas pernas em torno de seu ventre, também apertando a área. Ele sente e começa a se debater, acertando alguns golpes desesperados de raspão. Mas são insuficientes para se livrar de mim, pois deixei-o numa posição muito vulnerável, impossibilitado de se defender corretamente. Aos poucos, seus movimentos perdem a força, e seu corpo fica mais mole, até o momento em que ele simplesmente não reage mais, tendo perdido sua consciência e sua vida. Seu rosto ficou muito vermelho, e sua expressão, congelada. Solto seu corpo, ofegante, para o lado, e fico ali, sentado, puxando todo o ar que posso. Então me lembro da garota, que está ali, sentada, olhando tudo com uma cara atônita e cansada, ao mesmo tempo. Com dificuldade, me levanto e vou até ela. "Tá tudo bem contigo? Desculpa pelo que viu... Meu nome é Michael, e o seu?" Nem espero resposta, já vou até seus pés e tiro aqueles sapatos que me deixam mal só de olhar. Seus tornozelos estão inchados, é bom deixá-los livres. Começo a observar suas feições, sua pele tão lisa e aparentemente macia, seus olhos, aquele cabelo rosa que me chamou muito a atenção, por ser um tanto quanto incomum. Muito divertido. Fico de pé, observando os arredores, vigiando cada beco e viela escura por segurança, até que ela possa se levantar, para que eu a leve para um lugar seguro. O corpo do homem jaz ao nosso lado, sem vida, bastante ferido. Olho-o com uma expressão pensativa."

"Muito prazer, Panem, meu nome é Michael Anthony Heck Deisler. Eu não venho em paz."

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Re: Avenida dos Sonhos Quebrados

Mensagem por Allie Siegel em Sab Set 15, 2012 9:16 pm

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Mellanie
Como se um dia minha velocidade se comparasse a dele. Mesmo correndo alguns metros o homem me alcança e agarra-me pelos braços, outro gemido de dor sai por minha boca enquanto tento novamente me debater para me livrar de seus braços. É inútil, ele apenas aperta mais ainda meus ombros deixando ali marcas de seus dedos. – Para! – Grito com a leve esperança de que meu desespero valesse algo. Não, definitivamente não valia. Sou novamente agredida, sua mão agora já não mais coberta pela luva aveludada estapeia meu rosto e me derruba no chão. Grito novamente porém minha voz é abafada por um chute em minha barriga. Posso sentir as lágrimas descendo por minhas bochechas e pingando em minhas roupas já um pouco rasgadas. Ele se abaixa para tentar me levantar, porém algo o impede. Vejo uma silhueta masculina próxima dali escondida dentre as sombras, novamente não posso ver seu rosto somente algumas feições de seu corpo. Seu físico é parecido com o do homem que me atacara recentemente, porém é um pouco menos musculoso. Pessoas da capital não costumavam andar por becos escuros, muito menos sozinhos, não me vinha a cabeça o que o tal garoto estaria fazendo ali.

O agressor parte para cima do garoto e o mesmo reage começando assim uma breve briga. Posso ver o sangue de ambos escorrendo por suas vestes, os gritos de dor e até mesmo suas respirações ofegantes. Meu corpo ainda está jogado no chão mas nem mesmo assim noto a dor em meus pés e o sangue escorrendo pela minha bochecha junto a algumas lágrimas que insistem em descer, minha atenção agora está totalmente voltada para a briga a minha frente. O garoto de alguma forma consegue imobilizar o homem e fica um bom tempo em cima do mesmo prendendo seu pescoço enquanto o mesmo se debate, deveras o garoto tem conhecimento de lutas corpo a corpo.

O show acaba e o garoto sai de cima do homem vindo em minha direção. Penso em me afastar porém novamente meu corpo se recusa a responder os movimentos, ele se apresenta como Michael e antes de me permitir me apresentar retira meus sapatos, só assim percebo o quanto é um alivio ter novamente os pés livres. – Allicia… Allicia Siegel, e obrigada. – Apesar do garoto ter sido um verdadeiro herói tenho minhas desconfianças. O lugar não aparenta ser muito frequentado de forma que não seria qualquer tipo de pessoa que se arriscava vir aqui, a noite. A pouca iluminação da rua finalmente me permite ver suas feições conhecidas, conhecidas até de mais para ser mais exata.

Ao longo da semana venha vendo esse mesmo rosto várias vezes no dia. O Vencedor! ou O Sobrevivente. Esses títulos são apenas alguns dos muitos que se referem ao garoto. Confiar em alguém da capital é algo extremamente perigoso, ainda mais um sobrevivente dos jogos, forte o bastante para sobreviver a tortura e ao derrame de sangue anual da capital. Permaneço sentada por um bom tempo até recuperar meus movimentos devido ao choque, quando finalmente me dou por mim já estou de pé.

Meu rosto lateja um pouco devido ao corte mas não me importo muito com isso, ele ainda me olha confuso como se esperasse que eu fizesse algo, mas afinal o que eu poderia fazer? Provavelmente esse lugar fica a quilómetros da minha casa então sem chances de ir andando, meu telefone e outros aparelhos já não estavam mais comigo, sair andando por ai era algo que não arriscaria fazer, não depois do acontecido anterior. Então, decido fazer o que eu fazia de melhor e sem esforço, perguntas idiotas em momentos constrangedores. – E-ele vai ficar bem? – Pergunto mordendo o lábio inferior e aponto para o homem totalmente imóvel no chão. Seu peito não se meche, nem mesmo sua barriga. Levo minhas mãos a boca quando percebo que o mesmo havia sido morto.

Por questão de segundos tenho vontade de explodir na frente do garoto e falar que o mesmo não tinha esse direito de matar alguém, mas antes disso me lembro quem está a minha frente. O ganhador dos jogos vorazes, um dos assassinos sem pena alguma de matar, uma pessoa que ao julgar pelo acontecimento anterior não deve ter sentimento algum, o mesmo já estava ali quando o homem começou a me agredir, só se prontificou quando viu que havia sido notado.


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Re: Avenida dos Sonhos Quebrados

Mensagem por Michael A. H. Deisler em Seg Set 17, 2012 8:41 pm





"Parado, olhando para ela como se não houvesse mais nada ao nosso redor. Sim, fiquei um tanto quanto perdido, olhando para ela. Sua beleza me encanta. Não sei porquê, mas, me encanta. Na verdade, eu estou ali, parado, ofegante, olhar fixo, justamente por estar exausto. Mas sou orgulhoso demais para dar bandeira. E ela não se mostra muito feliz por estarmos naquela situação. Como era de se esperar, ela pergunta sobre ele. Naturalmente ele está morto, mas, algo em seu olhar me diz que, quem está pagando o papel de vilão, agora, sou eu. Não planejava isso. Ela parece ter compreendido, de alguma forma, que eu só resolvi salvá-la porque o homem iria me atacar. Ou seja, salvá-la foi uma consequência de minha legítima defesa. Infelizmente, me sinto um pouco culpado por ter agido dessa forma. Na verdade, deveria ter pensando em protegê-la desde o início. Mas, eu sou um ser incomum. Olho minhas mãos, um pouco arranhadas e completamente sujas de sangue. Minhas roupas rasgadas em algumas partes, alguns esfolados pelos braços, muito sangue no tecido, também. Não segurei um sorriso. Estava me sentindo em casa, lutando pela minha vida. Aquele Jogos me fizeram perceber que eu vivo apenas para matar. Então, é assim que será. Meu silêncio deve me condenar ainda mais, daqui a pouco ela dispara, pensando que eu irei terminar o serviço dele. 'Então, Allicia, deve ter estranhado o fato de eu estar aqui, certo? Já é meio óbvio que não é qualquer um que vem aqui, e, se houver opção, provavelmente essa região não é uma delas. É que eu estou acostumado com a solidão. O escuro e o silêncio me fazem esquecer um pouco dos problemas, sabe. E aliviar o meu estresse constante. Mas, agora, me permite lhe acompanhar até um pronto socorro, ou, então, até sua casa, em segurança? Terei o maior prazer em fazer isso...' Provavelmente ela não vai aceitar, aparenta estar com medo de mim. Mas, eu não tenho intenção alguma de fazer algum mal a ela. Sou só um adolescente inofensivo. Enfim, só vendo para saber."

"Me aproximo do corpo dele, começo a revirar seus bolsos à procura de algo que possa me ser útil. Ao passar a mão num bolso interno de seu casaco, meu sangue congela nas veias. Uma pequena pistola estava ali. Retiro-a de seu bolso, confiro se a trava está puxada, solto o cão, libero o pente, estudo-a. Calibre .22LR, pequena, quase indetectável, baixo nível de ruído, mortífera a pequenas distâncias, em tiros certeiros. Porque ele não a usou? Poderia ter terminado diferente, afinal. Bom, não interessa. Acabou, é o que importa. Volto-me para ela, fixando meu olhar no seu, procurando entender o que se passa enquanto ela fica me encarando daquela forma. Eu sei que não simpatizou comigo. Eu sei que salvei-a sem muito interesse. Eu sei que, só realmente o fiz para, talvez, obter alguma coisa após. Sento no asfalto, ao lado do defunto, com os olhos baixos, esperando sua resposta, e esvaziando minha mente. Não é normal estar com a cabeça vazia numa situação dessas. Afinal, foi um momento intenso, uma luta pela vida. Daqui a pouco os Pacificadores aparecerão por aqui. Se nos virem, a merda tá feita. Não se importam com quem é inocente e quem é culpado. Um homem morto, dois jovens num lugar suspeito. As punições podem ser variadas. Sem pestanejar, rapidamente me levanto, vou até ela, que com certeza vai se assustar com essa investida brusca, e a ajudo a se levantar. Pego-a em meu colo, ignorando algumas dores que sinto, e saio caminhando com pouca dificuldade até um beco a alguns metros dali. Encontro um daqueles contêineres de lixo, se esntando atrás dele, para se esconder. Ponho-a sentada no chão com cuidado, e me sento a seu lado, ofegante, ainda exausto. Aos poucos, ao longo do tempo, meu corpo começa a esfriar, e as dores são mais intensas. Ao longe, os ruídos de aproximação de um veículo, portas abrindo, passos pesados, vozes conversando, alguma coisa sendo carregada sem cuidados, um baque seco, uma tampa se fechando e a partida. Fecho os olhos, e pego a pistola que havia pegado dele, observando-a seriamente. Prendo-a em meu cinto, na parte de trás, para escondê-la por baixo da camiseta e da camisa."

"Olho para ela. Muito tensa, apavorada, eu acho. Não demonstra muito, mas, com seu olhar fixo à frente, no nada, com certeza está meio entorpecida pelas dores e pela adrenalina do que aconteceu. E, estar do meu lado não deve ser a coisa mais segura para ela. Não a culpo. Sinto orgulho de ter feito o que fiz. Mas, no fim das contas, foi um atentado à vida, cometi crimes amparado pela necessidade de afirmação da superioridade da Capital. Pouco importa isso, agora. Eu sei que não farei mal a ela, e vou garantir que chegue em casa sã e salva. Olho para ela, já denotando o que quero dizer. Aceno a cabeça para trás, na direção deles, e depois, aceno à frente. Acho que seria uma ótima ideia nos afastar deles para depois planejar uma volta segura para casa."

"Eu quero proteger essa garota, sem ao menos conhecê-la. O que tá acontecendo comigo?"

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Re: Avenida dos Sonhos Quebrados

Mensagem por Allie Siegel em Seg Nov 05, 2012 7:43 pm

Bitch Please!
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Acho que estou ficando louca, talvez isso explique muito bem o por que de eu olhar o garoto agora com mais medo do que eu imaginava, enquanto ele aparentava um… Encanto? Estranho. Ele olha para o seu corpo, analisa cada detalhe que já veio a ser analisado por mim a algum tempo, ele sorri. Seu sorriso é um encanto, é lindo, involuntariamente sorrio também, porém o escondo assim que o mesmo volta a se explicar para mim. Solidão, escuro e silêncio, não sei se posso entende-lo já que meus motivos para querer tais coisas algumas vezes são bem fúteis, típicos de uma garota da capital.

Ele revira os bolsos do cadáver próximo a nós a procura de algo que o possa ser útil, fica imóvel por algum tempo, joga algo em seu bolso e se senta defronte a mim. Meu rosto é um tanto confuso, um misto de susto e medo, alegria e alivio, de fato nem eu mesma sei o que sinto agora. Estou cansada, meu corpo dói um pouco, já posso sentir o sangue em meu braço esfriar e endurecer deixando apenas uma camada vermelha a cima do ferimento. O garoto se levanta e vem até mim, receito um pouco mas o deixo me pegar pelos braços, nos esconde atrás de um container de lixo.

Ele se senta ao meu lado, aparentemente ainda está um pouco cansado, tira algo do bolso e avalia por alguns segundos, uma arma bem pequena. Uma arma… Apoio minha cabeça na parede e fecho meus olhos agradecendo mentalmente pelo homem não tê-la usado contra nós. Barulho, conversa, um veículo vindo e partindo, novamente o silêncio toma conta do local. Mantenho meus olhos fixos na parede a minha frente procurando não manter qualquer contato visual com o garoto ao meu lado. Não confio nele, me salvo após ser ameaçado de morte, certamente me deixaria morrer caso não tivesse sido descoberto, ele é egoísta e poderia pelo menos ter pensado na crueldade que o homem faria comigo, ele não pensaria em vidas sendo desperdiçadas, ele é um ganhador dos jogos vorazes, ele nunca pensará em uma vida como algo valioso.

Tenho medo, ele poderia muito bem me matar agora com aquela arma para esconder qualquer prova sobre o assassinato do homem, ou poderia me deixar ali para me virar sozinha, provavelmente as chances de eu chegar em casa viva seriam mínimas, não estou com muita sorte hoje. Mas se ele não o fez até agora duvido que o fará futuramente. Acena com a cabeça para sairmos dali, nego e o puxo para mais perto de mim, retiro sua camisa e vejo os hematomas deixados pelo homem em seu corpo, suas mãos ensanguentadas e partes de roupa rasgada.

– Não, você está muito machucado. Vamos até a minha casa pelo caminho menos movimentado e lá darei um jeito de cuidar de seus machucados. – Antes que ele tente retrucar, o corto. – Você salvou a minha vida, acho que tenho que lhe dar algo em troca disso, não?


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Allie Siegel
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Re: Avenida dos Sonhos Quebrados

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